Neste dia celebramos o 30º aniversário da impressionante derrubada do Muro de Berlim — simbólica do desmoronamento do regime comunista e de sua utopia igualitária.

Esse “Muro da Vergonha”, construído na ex-Alemanha comunista em 1961, teve como objetivo esconder do mundo ocidental a miséria do império soviético — fruto do projeto de dissolução das tradições, das famílias e das propriedades particulares — e impedir que aqueles que estavam do lado de lá da “cortina de ferro” fugissem do “paraíso” comunista. Para isso, nas proximidades do muro, os esbirros bolcheviques, além de vigiarem dia e noite armados de metralhadoras, mantinham cães ferozes, minaram o terreno e levantaram torres de vigilância e cercas eletrificadas e de arame farpado. 

Apesar de todos esses obstáculos, mais de 100 mil alemães orientais tentaram atravessar a intransponível muralha a fim de fugir para o lado ocidental; mais de mil deles foram, na tentativa de travessia, covardemente mortos pelos vigias comunistas. 

Em 9 de novembro de 1989 ruiu aquela muralha comunista e temos muito a comemorar, assim como milhões de alemães ficaram eufóricos com a ruína do Muro de Berlim — muito desejada, mas a tal ponto inacreditável que muitos alemães afirmaram que, naquele dia histórico, se beliscavam para comprovar que não estavam sonhando. Entretanto, não tenho visto comemorações desta grande data por parte de certas autoridades eclesiásticas que, contudo, tanto têm esbravejado contra a construção de muros… Então, comemoremos nós!  

Celebremos, mas mantenhamo-nos alertas, pois em muitos países, inclusive no Brasil (sobretudo agora com a soltura de presidiários…), temos visto movimentos de esquerda procurando “venezualizar” as instituições e provocar o caos na pretensão de voltar ao poder, e… levantar novos muros como bons agentes de Stalin que são. 

Em memória desses 30 anos do desmoronamento do “Muro de Berlim”, reproduzimos a seguir uma análise de Plinio Corrêa de Oliveira, publicada em Catolicismo, Nº 181/2 (Janeiro/Fevereiro de 1966).

FUGINDO À TIRANIA DOS SEQUAZES DO DEMÔNIO 

➤  Plinio Corrêa de Oliveira

Enquanto o mundo ocidental se preparava para as festas do Natal, uma notícia trágica, publicada com pouco destaque pela imprensa diária, chamou a atenção de uns poucos leitores. Tratava-se de um telegrama conjunto das agências Reuters e AFP, datado de Colônia. Informava ele que, segundo dados coletados pelo Serviço Federal de Guardas de Fronteira, cerca de quatro mil pessoas residentes na Alemanha comunista tentaram fugir para a Alemanha Ocidental, transpondo de um ou de outro modo a cortina de ferro, nos dez primeiros meses de 1965. Somente 1.233 delas foram bem sucedidas.

É claro que o que quatro mil pessoas ousaram um incontável número desejou. Muitos, retidos pelo receio de sanções contra seus familiares, nem tentaram fugir. Outros foram paralisados pelo explicável terror dos riscos que esse lance acarreta.

Mas, apesar desses riscos, 400 alemães em cada mês preferiram empreender a fuga, postos fora de si pelos horrores do paraíso comunista.

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Do que seja a atmosfera moral trágica em que essas evasões se desenrolam dão testemunho os clichês desta página. Em um deles vemos uma anciã de 78 anos, residente em uma casa situada no setor soviético de Berlim, cujas janelas se abriam para o setor ocidental. A pobre setuagenária resolveu saltar a janela do segundo andar, firmando-se no friso existente junto à mesma, e daí jogar-se em uma rede que bombeiros desdobravam a seus pés. Alguns comunistas, tomando conhecimento do fato, tiveram a covardia de tentar reter a anciã pelo braço. Por fim, ela se desvencilhou, com a ajuda de populares, e conseguiu cair sobre a rede em condições satisfatórias.

Essa fotografia bem poderia passar para a História como um símbolo do martírio de todo um povo, mais precisamente de um dos povos mais cultos e civilizados da terra.

A outra fotografia, de edifícios da Bernauer Strasse de Berlim, mostra o resultado de evasões como esta. Os comunistas muraram todas as janelas de todos os prédios situados no setor comunista que dão para o setor ocidental. Com isso revelam eles a convicção de que sua tirania é de tal maneira execrada, que por qualquer orifício praticável, dela fugiriam em quantidade suas infelizes vitimas.

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Esses clichês não ilustram apenas o quanto o comunismo é mau. Eles provam também a que grau de endurecimento de alma chegaram largos setores do Ocidente, que levam a insensibilidade moral ante fatos tais a ponto de pensar seriamente na possibilidade de um modus vivendi com os comunistas na política interna dos países ainda livres.

A maldade do comunismo não é, nele, mero acidente, que tanto poderia existir como não existir. É uma consequência necessária de suas concepções filosóficas e morais. É a expressão mais requintada da malícia diabólica presente, já nesta vida terrena, nos que lutam por Satanás, suas pompas e suas obras.

Quem ama o perigo nele perecerá, diz a Sagrada Escritura (Ecli. 3, 27 ). É de algum modo amar o perigo, fechar os olhos para a gravidade dele e aceitar as manobras astuciosas com que o adversário nos tenta ilaquear.

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