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Por que Jesus quis a glorificação popular como o Messias, Rei de Israel?

Comenta o Pe. Fillion: Não se impunha que Ele, antes de morrer, reinvindicasse claramente, publicamente, o seu título de Rei-Messias, que os antigos Profetas haviam anunciado e que Deus, Seu Pai, lhe havia outorgado desde toda eternidade? (1)

Evangelho de São Mateus

“Naquele tempo, como se aproximassem de Jerusalém e viessem a Betfagé, junto ao Monte das Oliveiras, mandou Jesus dois de seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que vos está de fronte, e logo achareis uma jumenta presa, e, com ela, um jumentinho. Desatai-os e trazei-mos; e se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, e logo vos deixarão trazê-los. (…) A maior parte do povo se pôs a estender suas vestimentas sobre o caminho, e outros cortavam ramos de árvores e juncavam a estrada. A multidão que caminhava adiante, e a que seguia atrás, clamavam dizendo: Hosana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” (2)

Glorificação necessária

Sua entrada triunfante em Jerusalém, na qual foi consagrado pelo povo como o Messias prometido, era necessária.

“Estendendo as vestes aos pés de Jesus, o povo reconheceu-lhe a realeza e soberania (4 Reis IX, 13). O “hosana”, “salvai-nos”, era uma saudação que convinha muito ao grande Salvador ansiosamente esperado. E o “bendito o que vem em nome do Senhor” do Salmo 117, só se aplicaria ao Messias, porquanto os judeus tinham este salmo como messiânico. Não há, portanto, dúvida nenhuma: a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém foi sua consagração na missão messiânica, salvadora que lhe confiara o Pai celeste”. (3)

Um contraste torna necessária a glorificação

Nem uma semana depois Ele será crucificado.

Continua Dr. Plinio: “Nos desígnios do Salvador, a aproximação destes dois fatos foi premeditada. Tantas e tamanhas foram as humilhações e ignomínias por que passou na sua Paixão, que Ele julgou necessário dar um argumento positivo e insofismável de sua missão divina para que a enormidade de seus sofrimentos não a pusesse em dúvida.”

A reação do Sinédio: A entrada de Jesus em Jerusalém no dia de hoje chegou a desanimá-los: “Eis que nada conseguimos” diziam entre si, diante do entusiasmo do povo (Jo. XII, 19).

Demonstrava Jesus dessa maneira que quando pouco depois foi entregue ao ludibrio do populacho, também o foi porque Ele, em benefício de nossas almas, o permitiu. Como previu Isaias: “Foi imolado porque assim lhe pareceu”.

Uma reflexão necessária e atual

Acrescenta Dr. Plinio, no Legionário: “Há gente de uma mentalidade detestável que acha absolutamente natural que Cristo sofra, que a Igreja seja vexada, humilhada, perseguida. Gente comodista, “cujus Deus venter est” – “que tem por Deus o seu próprio ventre”, e que pensa que, como a Igreja deve imitar ao Cristo, é natural que todos os [inimigos da Igreja] se atirem contra Ela e A façam sofrer. É a Paixão de Cristo que se repete, dizem eles. E enquanto essa Paixão se repete, eles levam sua vida farta e cômoda, nas orgias, nas imundícies, na exacerbação de todos os sentidos e na prática de todos os pecados.

“Para gente como esta é que foi feito o látego com que foram expulsos os vendilhões do Templo.

Não cruzar os braços…

“Não é verdade que devamos cruzar os braços ante as investidas dos inimigos da Igreja. Não é verdade que devamos dormir enquanto se renova a Paixão. O próprio Cristo recomendou que seus Apóstolos orassem e vigiassem. E se devemos aceitar os sofrimentos da Igreja com a resignação com que Nossa Senhora aceitou os padecimentos de seu Filho, não é menos exato que será um motivo de eterna condenação para nós se nos portarmos ante as dores do Salvador com a sonolência, a indiferença e a covardia de discípulos infiéis.

“A verdade é esta: devemos estar sempre com a Igreja, “porque só Ela tem palavras de vida eterna”. Se Ela é atacada, lutemos por Ela. Mas lutemos como mártires, até à efusão de nosso sangue, até o emprego de nosso último recurso de energia e de inteligência. Se, apesar disto tudo, Ela continuar a ser oprimida, soframos com Ela, como S. João Evangelista aos pés da Cruz. E estejamos certos de que, neste mundo ou no outro, Jesus misericordioso não nos negará o esplêndido prêmio de assistirmos à sua glória divina e suprema.” (4)

Vir dolorum, Mater Dolorosa, orate pro nobis.

(1) Louis Claude-Fillion, Jesus Cristo segundo os Evangelhos

(2) São Mateus, cap. XXI 1-9

(3) (2) https://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG_380410_Domingo_Ramos

(4) https://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG_370321_triunfo_paixao_nsjc