As universidades deveriam ser lugares onde debates públicos pudessem ocorrer com segurança. Mas nossa experiência recente na Universidade de Tecnologia de Eindhoven (TU/e), em março passado, mostrou-nos que isso já não é tão evidente.
Como parte de uma série de campanhas de rua realizadas nos Países Baixos e em Flandres, nossos voluntários da TFP Student Action Europe e da Stirezo Pro-Life têm visitado diversos campi, distribuindo um folheto intitulado “9 razões para proteger a criança por nascer”.
Nosso objetivo é simples: contestar, de maneira legal e pacífica, o “dogma” de esquerda predominante nos círculos universitários segundo o qual o aborto é um “direito da mulher” e não se pode discordar disso.
Como de costume, nas etapas iniciais de nossa campanha tudo transcorria pacificamente — não que todos os estudantes da TU/e fossem contrários ao aborto (longe disso!), mas todas as conversas e interações no campus permaneciam dentro dos limites da civilidade.
Até que um número crescente de estudantes e funcionários da universidade, ativistas radicais de esquerda, mudou completamente o tom das interações…
“Vão embora!”, esse era o lema deles. Os ativistas favoráveis ao aborto nos cercaram com jaquetas e faixas, de modo a nos ocultar da vista de todos. Tentamos mudar nosso protesto de lugar várias vezes, mas eles continuaram a nos seguir. Também usaram um megafone com som de sirene, acompanhado de gritos estridentes, para tornar nossos slogans ininteligíveis.
Para nos atrapalhar ainda mais, os contramanifestantes recorreram a táticas ainda mais vergonhosas. Um ativista favorável ao aborto arrancou panfletos das mãos de um participante da campanha da TFP, e outro de nossos participantes recebeu foi cuspido no rosto. Para piorar a situação, um dos contramanifestantes chegou até mesmo a tentar atear fogo à nossa faixa.
Esses atos são claramente ilegais segundo o direito penal holandesa, que proíbe impedir manifestações públicas legais mediante violência ou ameaça de violência. Esse é o nível do movimento favorável ao aborto — eles estão dispostos a cometer crimes apenas para impedir que as pessoas defendam publicamente os que ainda não nasceram.
O que tornou a situação ainda mais revoltante foi o fato de vários policiais estarem presentes no local. Enquanto os contramanifestantes nos hostilizavam, eles permaneceram observando à distância. Isso constituiu uma grave omissão no dever de manter a ordem pública e proteger manifestações pacíficas.
Por fim, decidimos encerrar nosso protesto na TU/e antes do previsto, porque nossa segurança não estava garantida e nossa manifestação havia se tornado impossível. Para nossa desagradável surpresa, porém, os ativistas favoráveis ao aborto continuaram a nos seguir. Eles tentaram várias vezes bloquear nosso caminho, sem outro motivo além de nos hostilizar. Isso também constituiu uma violação do direito penal neerlandês, que proíbe tentar bloquear a rota de saída de alguém.
Todo o caso teve um desfecho interessante, pois alguns dos ativistas favoráveis ao aborto haviam redigido uma carta aberta à direção da universidade. De maneira distorcida, tentaram nos retratar como os culpados, recorrendo a um enquadramento enganoso e a falsas acusações.
Eles mentiram ao afirmar que sua contramanifestação havia sido “pacífica” e nos acusaram de violência física. De fato, empurramos para o lado vários ativistas favoráveis ao aborto, mas apenas porque eles invadiram nosso espaço pessoal e bloquearam nosso caminho na rua. Evidentemente, isso foi convenientemente omitido para nos retratar como agressores. Os autores da carta aberta também nos acusaram de produzir “vídeos de ódio na internet” e “conteúdo radicalizado contra as mulheres”, alegando que isso “incita à violência”. De forma absurda, chegaram até mesmo a nos acusar de assediar sexualmente uma estudante durante o protesto.
A carta aberta circulou entre estudantes e funcionários, reuniu mais de 600 assinaturas e foi apresentada à direção da universidade. Mas, logo depois, foi retirada da internet, o que sugere que as acusações serviam apenas para destruir nossa reputação. Como todos sabem, manter falsas acusações na internet acarreta o risco de ter de se defender perante a Justiça.
Os acontecimentos durante os protestos em Eindhoven deveriam servir de alerta para que se perceba quão profunda é a atual crise social. Está claro que as universidades se tornaram bolhas progressistas, nas quais qualquer pessoa que professe valores cristãos tradicionais é imediatamente silenciada. A máxima parece ser: tolerância para todos e para tudo, exceto para os cristãos tradicionais.
Fonte: TFP Student Action Europe — https://tfpstudentactioneurope.org/articles/when-the-police-in-the-netherlands-no-longer-defend-freedom-of-expression-and-the-fanaticism-of-the-pro-abortion-movement-leads-to-intolerance-on-campus



