No momento, você está visualizando 16/07 – Santa Teresinha do Menino Jesus e o martírio de desejar todas as vocações

Santa Teresinha do Menino Jesus queria ser, ao mesmo tempo, carmelita, mártir, apóstola, cruzada e missionária. Desejava realizar todas as obras de zelo, estar presente em todos os lugares e servir a Deus em todos os tempos, até o fim do mundo. A impossibilidade de concretizar tantas formas de entrega tornou-se para ela um profundo sofrimento interior.

Não se tratava apenas de querer empreender muitas atividades. Na origem desses anseios estava o desejo de servir sem reservas. Sua alma não se conformava com as limitações próprias de uma vida humana: escolher um caminho significa renunciar a muitos outros; estar em determinado lugar impede estar simultaneamente em toda parte.

Um desejo maior do que as próprias forças

Em certas almas, a distância entre o que se deseja fazer por Deus e aquilo que efetivamente se pode realizar produz uma dor particular. A vontade contempla um vasto campo de apostolado, sacrifício e combate, mas encontra os limites do tempo, do espaço e das próprias forças.

Foi esse o martírio interior de Santa Teresinha. Seu sofrimento não deve ser confundido com o martírio sangrento, embora participe de sua lógica de imolação: a alma aceita não dispor de si mesma e oferece a Deus até mesmo as obras que gostaria de realizar, mas que não lhe foram concedidas.

Assim, a insatisfação daqueles grandes desejos não a conduziu ao desânimo nem à procura desordenada de inúmeras ocupações. Tornou-se matéria de sacrifício. Ela sofreu e morreu conservando o anseio de servir em todas essas vocações, sem pretender romper os limites concretos dentro dos quais deveria cumprir a própria missão.

A Pequena Via diante de grandes aspirações

À primeira vista, pode parecer contraditório reunir a Pequena Via e desejos tão vastos. A pequenez, porém, não significa estreiteza de alma nem ausência de grandes aspirações. Ela consiste em reconhecer a própria insuficiência e entregar-se confiantemente a Deus, sem medir o valor da fidelidade pela dimensão exterior das obras realizadas.

Os grandes desejos de Santa Teresinha revelam justamente o alcance dessa disposição. Ela não podia ser, de modo exterior e simultâneo, tudo quanto desejava. Podia, contudo, oferecer a Deus o próprio desejo, a renúncia e o sofrimento decorrente dessa impossibilidade. O limite, acolhido em espírito de entrega, deixava de ser um obstáculo estéril e passava a integrar sua oblação.

A oferenda ao Amor Misericordioso

Essa disposição ajuda a compreender a relação entre seu sofrimento e a oferenda em holocausto ao Amor Misericordioso. A palavra holocausto, nesse contexto espiritual, exprime uma entrega completa: não somente das obras realizadas, mas também das aspirações cuja realização não depende da vontade humana.

Santa Teresinha desejava dar tudo. Como não lhe era possível percorrer materialmente todos os caminhos de zelo que se apresentavam à sua alma, ofereceu também a dor de não poder fazê-lo. Sua pequenez não suprimiu o ardor; deu-lhe uma forma de abandono e sacrifício.

Sua lição está nessa união entre vastidão de desejos e aceitação humilde dos próprios limites. Nem toda entrega se mede pela quantidade de ações visíveis. Há sofrimentos escondidos nos quais a alma, impossibilitada de fazer tudo quanto desejaria, permanece fiel ao dever concreto e transforma a renúncia em oferenda. Em Santa Teresinha, esse aparente contraste entre pequenez e grandeza tornou-se um caminho de serviço inteiro a Deus.