No momento, você está visualizando 21/10 – São Gaspar del Bufalo: o apóstolo do Preciosíssimo Sangue

Convocado em 1810 pelo general Miollis para jurar fidelidade a Napoleão, São Gaspar del Bufalo recusou-se a obedecer. O Papa Pio VII havia proibido aquele juramento, e nem ameaças nem promessas conseguiram mudar a decisão do sacerdote. Sua resposta tornou-se célebre: Non posso, non debbo, non voglio — não posso, não devo, não quero.

A recusa custou-lhe o exílio e, mais tarde, a prisão nos cárceres insalubres de Imola e de Rocca. Gaspar permaneceu privado da liberdade entre 1810 e 1814. Aqueles anos de perseguição, porém, não interromperam a vocação apostólica que já se manifestara desde o começo de seu sacerdócio e que alcançaria novo desenvolvimento depois da queda de Napoleão.

O apostolado entre os pobres de Roma

Gaspar del Bufalo nasceu em 1786 e foi ordenado sacerdote em 31 de julho de 1808. Depois da ordenação, recebeu um canonicato na igreja de São Marcos, em Roma. Pouco depois, instituiu com Gaetano Bonani um oratório noturno, iniciativa que revela sua preocupação em levar assistência religiosa a pessoas que dificilmente seriam alcançadas pelas formas ordinárias de apostolado.

Também colaborou com Francesco Albertini na fundação da Arquiconfraria do Preciosíssimo Sangue. Ao mesmo tempo, trabalhou com grande zelo nos bairros mais pobres de Roma e pregou frequentemente nas praças e mercados. Seu ministério não se restringia, portanto, aos ambientes eclesiásticos: procurava encontrar o povo nos lugares de sua vida cotidiana.

Foi nesse período de intensa atividade sacerdotal que sobreveio a exigência do juramento a Napoleão. A firmeza de Gaspar não nasceu de uma disposição meramente política, mas de um dever concreto de obediência à autoridade pontifícia. Diante de uma ordem incompatível com esse dever, aceitou as consequências da recusa.

Da perseguição à fundação de uma congregação

Com a queda de Napoleão, São Gaspar regressou a Roma. Pretendia entrar na restaurada Companhia de Jesus, mas seguiu a orientação de Albertini, seu diretor espiritual, e tomou outro caminho. Fundou uma congregação de sacerdotes seculares destinada à pregação de missões e à difusão da devoção ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por intermédio do cardeal Cristaldi, obteve a aprovação do Papa. A nova congregação recebeu como casa-mãe o antigo convento de São Félix, em Giano. Gaspar tomou posse solene do local em 11 de agosto de 1815.

A fundação não representou um recolhimento de suas atividades, mas o ponto de partida para um apostolado missionário ainda mais amplo. Gaspar percorreu diferentes regiões da Itália central, entre elas Úmbria, Emília, Piceno, Toscana, Campânia e Sâmnio, pregando missões. A devoção ao Preciosíssimo Sangue ocupava o centro dessa obra, apresentando aos fiéis o preço da Redenção e chamando-os à conversão.

Um missionário reconhecido por seus contemporâneos

A extensão das viagens e o vigor de sua pregação explicam os títulos pelos quais ficou conhecido entre os contemporâneos. Chamavam-no de “o Santo” e de “Apóstolo de Roma”. Também recebeu o título de “martelo dos carbonários”, expressão que indica a notoriedade adquirida por sua atuação diante das correntes revolucionárias presentes na Itália de seu tempo.

A vida de São Gaspar del Bufalo, encerrada em 1836, reuniu aspectos que poderiam parecer opostos: a firmeza diante do poder político e a docilidade à direção espiritual; a dedicação aos pobres de Roma e a organização de uma congregação missionária; os anos de prisão e as constantes viagens apostólicas. Em todos esses episódios aparece a mesma disposição sacerdotal: conservar a fidelidade quando ela exigia sacrifício e transformar a liberdade recuperada em serviço à Igreja e às almas.

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