Diante do juiz, Nunilo e Alódia ouviram promessas, adulações e ameaças destinadas a fazê-las abandonar a fé cristã. As duas irmãs, porém, permaneceram firmes. Nem a perspectiva de vantagens, nem o temor da condenação conseguiram vencer a resolução que haviam amadurecido ao longo de uma vida de oração e consagração a Deus.
Educadas na fé cristã
Nunilo e Alódia eram irmãs e pertenciam a uma família nobre. Seu pai era muçulmano e sua mãe, cristã. Após a morte do primeiro marido, a mãe contraiu novas núpcias com outro muçulmano, homem de elevada posição em Castela.
Educadas na fé cristã, as duas jovens encontraram forte oposição dentro da própria casa. O padrasto tratava-as com dureza e criava obstáculos ao exercício de sua religião. Ao mesmo tempo, vários pretendentes procuravam desposá-las. Nunilo e Alódia, contudo, haviam decidido conservar a virgindade e dedicar a vida ao serviço de Deus.
Com a devida permissão, retiraram-se para a casa de uma tia cristã e piedosa. Ali puderam praticar livremente suas devoções. Seus jejuns eram rigorosos e quase diários; a oração somente era interrompida pelos deveres necessários e pelas obras de caridade. Assim, longe de ser uma decisão tomada apenas no momento do perigo, sua perseverança diante do juiz foi preparada por uma vida ordenada em torno da fé.
Prisão sob o domínio sarraceno
As irmãs viviam em uma localidade chamada Barbite ou Vervete. A identificação exata do lugar não é segura: a tradição o associa a Castro Viejo, nas proximidades de Nájera, em Castela, junto às fronteiras de Navarra. A região encontrava-se sob o domínio sarraceno.
Quando foram promulgadas as leis do rei Abderamene contra os cristãos, Nunilo e Alódia não passaram despercebidas. Sua origem nobre e a reputação de seu zelo religioso tornavam-nas conhecidas. Por isso, foram detidas pelos oficiais do rei e conduzidas ao tribunal.
As duas compareceram diante do juiz sem demonstrar temor. Primeiro, ele tentou persuadi-las com maneiras afáveis e promessas. Não obtendo resultado, passou às ameaças. Como também esse recurso fracassasse, entregou as irmãs a mulheres encarregadas de conquistar sua confiança e levá-las a renunciar à fé.
Depois de repetidas tentativas, essas mulheres tiveram de reconhecer perante o juiz que não conseguiam alterar a decisão das jovens. A constância de Nunilo e Alódia não procedia de uma obstinação momentânea, mas da fidelidade àquele a quem haviam consagrado a própria vida.
O martírio e a veneração das relíquias
O juiz condenou as duas irmãs à decapitação dentro da prisão. A sentença foi executada em 22 de outubro. A data tradicionalmente indicada é o ano de 851, embora uma cronologia antiga situe o martírio em 840.
Seus corpos foram sepultados no mesmo lugar. Posteriormente, a maior parte das relíquias passou a ser conservada na Abadia de São Salvador de Leger, em Navarra. Uma porção delas também era venerada em Bosca, e a memória das mártires atraía numerosos fiéis tanto nessa localidade quanto em Huesca, no reino de Aragão.
Nunilo e Alódia atravessaram juntas as provações que marcaram sua vida: a oposição familiar, a pressão para que abandonassem a virgindade consagrada, a prisão e os esforços do tribunal para fazê-las negar a fé. Permaneceram também unidas no sacrifício final. Sua memória conserva o testemunho de duas irmãs para as quais a fidelidade a Cristo valia mais do que as promessas do poder e mais do que a própria vida.
