“Vem a noite, e com ela aquela segurança dentro da casa, enquanto a intranquilidade da escuridão domina em volta dela. É a alegria, a felicidade das situações” (Plinio Corrêa de Oliveira)

Ser calmo ainda é uma qualidade? Dir-se-ia que, para muitas pessoas, não é mais. Elas julgam que ela difunde um odor de monotonia onde se instala, e para fugir da sonolência é preciso fugir da calma. Calma é “bobeira”. E assim, a agitação, a confusão e mesmo o nervosismo são vistos como algo que deve ser procurado, ou pelo menos tolerado neste ocaso da civilização cristã.

O curioso em muitos dos que assim pensam, é que frequentemente criticam a falta de calma… nos outros. Enquanto isso, os consultórios médicos e hospitais se enchem de pacientes queixando-se de nervosismo e enfermidades conexas.

Fatal  engano: a verdadeira calma não é monotonia. Muito pelo contrário, como diz Dr. Plinio:

Essa calma que estou descrevendo é cheia de frescor e de mobilidade, com disposição para aceitar a variedade das coisas e não ficar atarraxado viciosamente num determinado objeto, com exclusão de outros. É uma espécie de flexibilidade de toda a alma, própria das articulações e da vivacidade de um organismo vivo. Diante de tudo o que vai acontecendo, ela vai aceitando, modelando, recusando, na alegria e no bem-estar da vida. [1]

Calma não é monotonia. Pelo contrário, é movimentação acertada. A tal ponto isso é verdade que na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) o Quartel General do Marechal Foch – generalíssimo das forças aliadas, – foi comparado com nada menos que a placidez de uma abadia beneditina. A calma em plena guerra! Assim se ganham as guerras! Assim se vence também a minúscula, mas complexa luta, que é a vida quotidiana.

Calma é força, e quem não tem calma, não tem verdadeira força.

Mas eu não tenho capacidade para ser calmo, diz alguém. É possível encarar o próprio nervosismo, com ainda mais nervosismo? É possível contemplar com calma o nervosismo? A resposta é sim para ambas as perguntas, mas este é um outro assunto.

‒ Bem, mas eu estou nervoso. Que faço?

‒ Este site não faz consultas emocionais que cabem aos psicólogos. Mas, se aceita um conselho, comece por admirar quem é calmo. Pois, dizia Dr. Plinio, que o que admiramos entra dentro de nós.

‒ Outra pergunta: neste site se fala muito sobre a desigualdade, mas isto nada tem a ver com a calma. Ou tem a ver?

‒ “Olhando-se para as estrelas do céu, percebe-se a ordem que existe entre elas, a distância adequada que as separa e com isso o equilíbrio que elas têm entre si pelo qual elas gravitam, e toda ordenação que se estabelece entre os corpos celestes”. Percebe-se a ordem e a calma.

Transpondo esse exemplo para as almas, imagina-se que se todas as almas correspondessem à graça, elas teriam uma posição umas em relação à outras que estabeleceria uma gravitação adequada de todas entre si. A desigualdade é essa gravitação.


[1] 25-9-83.

5 COMENTÁRIOS

  1. Prezado R. diz a Bíblia que Adão foi o primeiro homem e Eva a primeira mulher. Eles tiveram filhos, e um deles saiu para uma terra distante e lá encontrou uma jovem e casou-se com ela. Quem seria ela, sua irmã ? Não teria ele (filho de Adão e Eva) reconhecido sua irmã, e nem seu pai não tinha conhecimento dessa filha ? Tenho todo respeito pelo NT (de Jesus), mas o Antigo Testº do deus Jeová não é totalmente convincente…

  2. D. J. Anacleto: não há “falhas” na Biblia, e sim na tua interpretação meramente pessoal, que, aliás, a Bíblia condena (II Pd 1, 20).
    JESUS, ao pronunciar aquela frase, simplesmente citou um salmo, e fez aquele desabafo como Homem. É óbvio que como DEUS Ele e o PAI, juntamente com o ESPÍRITO SANTO, são um.

  3. Nada de contraditório. As contradições baseadas na realidade, só são contradições na aparência. O intenso sofrimento na cruz do Deu-feito-Homem foi revelado neste sentimento de abandono, refletido na dualidade – Deus-Homem. Este lamento é a prova da sua natureza, desta dualidade. O Homem, nós, não podemos apreender todo este mistério, então falamos em “contradições”. Com nossa mente, limitada, não podemos entender este aparente dilema nomomento em que a humanidade do Cristo aflorou.

  4. Uma grande falha na bíblia é essa: “Pai, por que me abandonaste ?”. Como poderia, se o mesmo Jesus disse: “Eu e o Pai somos UM” ? Também: “Eu não posso negar a mim mesmo”, como poderia o Pai negar seu Filho Unigênito ? Na verdade, Jesus disse: “Pai, como me GLORIFICASTE ! Mas, não sabe como ou quem distorceu as palavras do Mestre; e, até hoje, corre o equívoco… Estou apenas fazendo uma referência ao conteúdo abaixo, de Edison B.

  5. Mas Ele disse que veio trazer a espada! Na cruz , em agonia, sentiu-se abandonado pelo Pai. Chicoteou os mercadores de moeda no templo. Todos os pulhas que conheci são extremamente calmos,e perdoem-me , se concordo que o descontrole continuo é um mal, a revolta, a rebelião, associo a bom caráter. Ele disse “que os mortos enterrem seus mortos. Também foi dito: os mornos Deus vomita.

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