A Rainha simbolizou as qualidades do Reino Unido

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Comentário do Prof. Plinio para um grupo de sócios e cooperadores da TFP, 1975, sobre a Rainha Elizabeth:

“Ela é o símbolo glorioso do passado britânico. E, portanto, ela deve simbolizar esses valores não só no traje, nem principalmente no traje ou no corpo, mas na face.

“Ela é agradável de se ver. Ela não tem nenhum traço feio, nenhum traço mal arranjado.

“Agora, ela é sobretudo graciosa.

“…é verdade que ela mete respeito? E que ninguém sai com uma brincadeira nem toma uma liberdade com ela?

“O que é que há de inglês nela? Não sei se alguém aqui descende inglês e se sentirá bem interpretado. O próprio da coisa inglesa, e dos povos nórdicos em geral, é a coisa muito bem arranjada. Nada está absolutamente fora do lugar. Está tudo bem direito, no ponto. Ela está arranjada de tal maneira que se diria uma boneca de cera num museu. Não sei se os senhores notam, limpíssima. Impossível estar mais limpa, o rosto mais limpo do que ela está. De outro lado, não há um fio de cabelo dela que não esteja completamente no lugar. E mesmo quando nas dobras do vestido algo parece acaso, é um acaso bem estudado. Mas tudo é a la inglês, planejado e executado com todo cuidado e com toda correção, o que é a nota inglesa.

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Acrescentamos outro comentário sobre as honrarias, distinções, humildade:

“É certo também que Deus exige que em relação ao nosso bom conceito junto ao próximo, sejamos desapegados interiormente, como em relação a todos os outros bens da terra, a inteligência, a cultura, a carreira, a formosura, a fartura, a saúde, a própria vida. A alguns Deus pede um desapego não só interior, mas exterior da consideração social, como a outros pede não só a pobreza de espírito mas a pobreza material efetiva. É preciso então obedecer. E daí o fato de regurgitarem as hagiografias de exemplos de Santos que fogem das mais justas manifestações de apreço de seus semelhantes. Tudo não obstante, é legitimo em si mesmo que o homem deseje ser estimado por aqueles com quem convive.

Uma condição de existência da sociedade: a justiça

“Esta tendência natural está em consonância aliás com um dos princípios mais essenciais da vida social, que é a justiça, segundo a qual se deve dar a cada qual, não só em bens materiais, mas também em honra, distinção, estima, afeto, aquilo a que faz jús. Uma sociedade baseada sobre o desconhecimento total deste princípio seria absolutamente injusta. “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem imposto, imposto; a quem tributo, tributo; a quem temor, temor; a quem honra, honra”, diz-nos S. Paulo (Rom. 13,7).

“Acrescentemos que estas manifestações se devem rigorosamente não só aos méritos pessoais, mas também à função, cargo ou situação que uma pessoa possui. Assim o filho deve respeitar seu pai ainda que mau, o fiel deve reverenciar o Sacerdote ainda que indigno, o súdito deve venerar seu soberano ainda que corrupto. São Pedro manda aos escravos que acatem seus senhores ainda que díscolos (1 Ped. 2, 18).

“E de outro lado é preciso também saber honrar num homem a estirpe ilustre de que descenda.

“Este ponto é particularmente doloroso para o homem igualitário de hoje. É entretanto assim que pensa a Igreja. Leiamos o ensinamento profundo e brilhante de Pio XII:

“As desigualdades sociais, inclusive as que são ligadas ao nascimento, são inevitáveis; a natureza benigna e a benção de Deus à humanidade, iluminam e protegem os berços, beijam-nos, porém não os nivelam. Atendei mesmo para as sociedades mais inexoravelmente niveladas. Nenhum artifício logrou jamais ser bastante eficaz a ponto de fazer com que o filho de um grande chefe, de um grande condutor de multidões, permanecesse em tudo no mesmo estado que um obscuro cidadão perdido no povo. Mas se tais disparidades podem, quando vistas de maneira pagã, parecer uma inflexível conseqüência do conflito das forças sociais e da supremacia conseguida por uns sobre os outros segundo as leis cegas que se supõe regerem a atividade humana, e consumar o triunfo de alguns, bem como o sacrifício de outros; pelo contrário, tais desigualdades não podem ser consideradas por uma alma cristãmente instruída e educada, senão como disposição desejada por Deus pelas mesmas razões que explicam as desigualdades no interior da família, e portanto com o fim de unir mais os homens entre si, na viagem da vida presente para a pátria do céu, ajudando-se uns aos outros, da mesma forma que um pai ajuda a mãe e os filhos” (Alocução ao patriciado e nobreza romana, “Osservatore Romano”, 5-6 de janeiro de 1942).””

https://www.pliniocorreadeoliveira.info/1953_031_CAT_Por_que_o_nosso_mundo.htm#.YyBarHbMJjE

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Homem de fé, de pensamento, de luta e de ação, Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995) foi o fundador da TFP brasileira. Nele se inspiraram diversas organizações em dezenas de países, nos cinco continentes, principalmente as Associações em Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), que formam hoje a mais vasta rede de associações de inspiração católica dedicadas a combater o processo revolucionário que investe contra a Civilização Cristã. Ao longo de quase todo o século XX, Plinio Corrêa de Oliveira defendeu o Papado, a Igreja e o Ocidente Cristão contra os totalitarismos nazista e comunista, contra a influência deletéria do "american way of life", contra o processo de "autodemolição" da Igreja e tantas outras tentativas de destruição da Civilização Cristã. Considerado um dos maiores pensadores católicos da atualidade, foi descrito pelo renomado professor italiano Roberto de Mattei como o "Cruzado do Século XX".

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