A Revolução Francesa “guilhotinou” o caráter religioso das cerimônias públicas

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Coroação de Carlos VII – Eugène Lenepveu (1819–1898). Panteão de Paris.
  • Plinio Corrêa de Oliveira

Até a Revolução Francesa (1789), o mundo não conheceu a aberração que se chama o agnosticismo de Estado. Nos povos pagãos como nos cristãos era convicção, que não sofria controvérsia, o caráter religioso de que se deveriam revestir todas as manifestações da vida pública.

Nas grandes monarquias, nas repúblicas aristocráticas ou burguesas, todos os acontecimentos de relevo da vida civil eram comemorados de modo religioso: investidura de chefes de Estados, celebração de heróis nacionais, glorificação de feitos de armas notáveis, expressão dos grandes lutos nacionais, tudo se fazia em cerimônias de culto, como a sagração, as missas de ação de graças ou de Requiem, os Te Deum etc.

Esses atos, como é bem de ver, não tinham um caráter exclusivamente simbólico ou alegórico. Se bem que servissem também para manifestar de modo oficial o louvor, a alegria ou a tristeza nacional, eles tinham também um conteúdo muito real, que era o ato religioso pelo qual a coletividade nacional, como tal, referia ao Criador suas alegrias e suas dores, sua glória e seu infortúnio, adorando, agradecendo, expiando ou suplicando graças, oficialmente reunida aos pés do Deus três vezes Santo.

No altar da catedral de Notre Dame de Paris, na diabólica Revolução Francesa durante uma “Festa da Razão”, foi cultuada a “Deusa da Razão”… Atos análogos se repetiram em outras catedrais ou igrejas francesas.

Com a Revolução Francesa começaram os atos públicos de caráter meramente leigo. Esses atos procuravam copiar as manifestações públicas de fundo religioso do Ancien régime — “ersatz” que não raras vezes foi simiesco, como a adoração de uma atriz seminua, que representava a Deusa Razão [quadro ao lado]. Despidas forçosamente essas manifestações de seu conteúdo real, que era religioso, ficaram elas reduzidas à condição de fórmulas ocas, sem nenhum outro valor que o de uma fria alegoria.

De 1789 para cá [233 anos de laicismo], a composição de alegorias cívicas evoluiu sem dúvida, e aos poucos se encontraram, nesse terreno, fórmulas tocantes, expressões de grande formosura literária ou cênica, perfeitamente capazes de impressionar uma grande multidão. Mas, no fundo de todas elas, fica sempre a impressão das alegorias que não são senão uma figura fugitiva e impalpável da realidade, de alegorias que se desvanecem logo depois da cerimônia, e que passam como passam todas as coisas da Terra.

(“Legionário”, Nº 675, 15 de julho de 1945).

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