De Anchieta ao CIMI, a torpe inversão

O bem-aventurado José de Anchieta trabalhou com afinco para converter os índios brasileiros à verdadeira Religião… (Gravura em relevo de Mastroiani, “Na escola de Piratininga”)

O bem-aventurado José de Anchieta trabalhou com afinco para converter os índios brasileiros à verdadeira Religião e assim afastá-los das práticas pagãs a que se entregavam. Eis o que ele relata em carta de março de 1555 a seus superiores:

“Estes nossos catecúmenos [os índios em processo de conversão] parecem apartar-se um pouco dos seus antigos costumes, e já raras vezes se ouvem os gritos desentoados que costumam fazer nas bebedeiras. Este é o seu maior mal, donde lhes vêm todos os outros. De fato, quando estão mais bêbados, renova-se a memória dos males passados, e começando a vangloriar-se deles logo ardem no desejo de matar inimigos e na fome da carne humana. Mas agora, como diminui um pouco a paixão desenfreada das bebidas, diminuem as outras nefandas ignomínias; e alguns são-nos tão obedientes que não se atrevem a beber sem nossa licença.”

O benemérito esforço do missionário para trazer os índios a Nosso Senhor Jesus Cristo foi constante:

“Residimos aqui ao presente oito da Companhia, aplicando-nos a doutrinar estas almas e pedindo à misericórdia de Deus Nosso Senhor que finalmente nos conceda acesso a outras mais gerações, para serem subjugadas pela sua palavra. Julgamos que todas elas se hão de converter à fé, se lha pregarem” (“O Estado de S. Paulo”, 20-1-04).

Transparece nessas linhas a fé de um verdadeiro missionário.

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Hoje em dia está em curso uma pressão ignóbil para que não se procure converter e civilizar as tribos que praticam o infanticídio e outras aberrações, sob pretexto de que se trata de uma “cultura” própria. Nesse sentido atua não só o governo federal, através da FUNAI, como também a CNBB, através do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Noticia a “Folha de S. Paulo” (7-8-11): “Sob pressão do governo, a Câmara esvaziou um projeto de lei que previa levar ao banco dos réus agentes de saúde e da Funai considerados omissos em casos de infanticídio em aldeias. A prática de enterrar crianças vivas, ou abandoná-las na floresta, persistiria até hoje em cerca de 20 etnias brasileiras. Os bebês são escolhidos para morrer por diversos motivos, desde nascer com deficiência física a ser gêmeo ou filho de mãe solteira.

“ONGs e deputados evangélicos acusam o governo de cruzar os braços diante da morte de crianças.

“O CIMI, da CNBB, também pressionou contra o projeto original. Segundo o secretário-adjunto do órgão, Saulo Feitosa, a prática seria ‘residual’: ‘Ninguém defende o infanticídio, mas não podemos aceitar que vendam uma imagem de que todos os índios são selvagens e sacrificam suas crianças’.”

Tal afirmação visa jogar areia nos olhos dos leitores, pois ninguém afirma que todos os índios sacrificam crianças. O problema é outro: como agir para impedir que crianças sejam sacrificadas por algumas tribos.

Para Janete Pietá, relatora do projeto e deputada do PT, “a tradição de sacrificar crianças é mantida por poucas comunidades. O Brasil tem mais de 200 povos indígenas. Se isso ainda ocorrer em 20, são apenas 10%”.

O fato de o crime ser praticado por poucas comunidades não o torna menos hediondo!

Para o dirigente da Associação Brasileira de Antropologia, João Pacheco de Oliveira: “tirar índios de suas aldeias para criá-los sob a ética cristã é uma interferência violenta”.

Portanto, é proibido cristianizar.

Cabe aqui reproduzir a constatação dolorida e indignada de Plinio Corrêa de Oliveira: “O maior problema suscitado por esses delírios não está nos próprios missionários, nem nos índios, cumpre repetir. Está em saber como, na Santa Igreja Católica, pôde esgueirar-se impunemente essa filosofia, intoxicando seminários, deformando missionários, desnaturando missões. E tudo com tão forte apoio eclesiástico de retaguarda” (Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI, Editora Vera Cruz Ltda, S. Paulo, 7ª edição, 1977).