“Devolvam o meu Brasil”: desafio a esta geração (VI)

Maio de 68 – Maio de 2018!

Estamos comentando a natureza da reação conservadora que tomou as ruas das principais cidades brasileiras a partir de 2015. Nada mais oportuno do que, transcorrido meio século, lembrar o Maio de 68 e fazer um confronto de mentalidades, dir-se-ia de dois mundos: os anarquistas marcusianos franceses de 68 e o movimento conservador brasileiro que clama “quero meu Brasil de volta”.

A Sorbonne de 68 foi uma golfada de orgulho e sensualidade

“NI DIEU NI MAÎTRE” – nem Deus, nem senhor

Nossa comparação não é forçada. Comentaristas (de esquerda) de vários jornais têm procurado enaltecer o Maio de 68 como tendo sido uma lufada de ar novo na atmosfera confinada da burguesia francesa daqueles anos. Lufada de ar novo?:“Abaixo o Estado. Nem Deus nem senhor!”. A Sorbonne de 68 foi uma golfada de orgulho e sensualidade.

O Partido Socialista Francês afirma que o socialismo autogestionário é filho da Revolução Francesa de 1789, da revolução de 1848, da Comuna de Paris de 1871 e da explosão ideológica e temperamental da Sorbonne de 1968. Nas fotos, paredes da Sorbonne com homenagens a Lenin, Trotsky e “Che” Guevara, postadas pelos insurrectos, proclamam: “Abaixo o estado” – “Nem Deus nem senhor!”

 Um dado novo: declínio do poder persuasivo das esquerdas

Tempo houve em que a doutrinação explícita e categórica foi, para o comunismo internacional, o principal meio de recrutamento de adeptos. Em largos setores da opinião pública e em quase todo o Ocidente, por motivos que seria longo enumerar, as condições se tornaram hoje, em muito ponderável medida, infensas a tal doutrinação. Decresceu visivelmente o poder persuasivo da dialética e da propaganda comunista doutrinária integral e ostensiva. Assim se explica que, em nossos dias, a propaganda comunista procure cada vez mais fazer-se de modo camuflado, suave e lento. Tal camuflagem se faz ora difundindo os princípios marxistas, esparsos e velados, na literatura socialista, ora insinuando na própria cultura que chamaríamos “centrista”, princípios que, à maneira de germens, se multiplicam levando os centristas à inadvertida e gradual aceitação de toda a doutrina comunista.

 À diminuição do poder persuasivo direto do credo vermelho sobre as multidões, que o recurso a esses meios oblíquos, lentos e trabalhosos denota, junta-se um correlato declínio no poder de liderança revolucionária do comunismo.(1)

Esses comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira se aplicam perfeitamente ao declínio do poder e declínio da força de persuasão das esquerdas em nosso Brasil.

Os setores de esquerda da CNBB — que sempre foram a força do petismo no Brasil — preferiram optar pelo silêncio na última reunião de Bispos, realizada em 2018 em Aparecida.

A Revolução Cultural: fruto de Maio de 68

Quem não quer sair de casa com aquele aspecto de que acabou de cair numa poça de água suja de barro? Pode parecer absurdo, mas esta foi a ideia da marca norte-americana Nordstrom. O preço é outra surpresa: US$ 425.

É ponderável o número de comentaristas que tratam da “onda conservadora” que percorre o Ocidente. Os de esquerda, naturalmente, externam o seu mau humor: “só destruindo as engrenagens será possível ao Brasil avançar nas reformas políticas e sociais…”

Se é verdade que estamos assistindo ao declínio do poder de liderança e persuasão das esquerdas, também é verdade que a Revolução Cultural, filha da Sorbonne, encharcou o Ocidente com o permissivismo moral, a liberação sexual, o aborto, a agenda homossexual, a ideologia de gênero.

A Revolução Cultural modificou os costumes, o trato social, a noção de honra. Alterou a noção de família, tentando impor a união entre pessoas do mesmo sexo com os mesmos direitos conferidos por Deus à união entre um homem e uma mulher. A tradição brasileira alicerçada na bondade e na benquerença entre as classes sociais foi substituída pelas invasões, pelas depredações, pela luta de classes, tão bem caracterizada pela frase, típica da mentalidade PT: “nós contra eles”.

O desafio desta geração

Em 2018 – 50 anos após a revolução de Maio de 68 –, outra geração, totalmente diferente, toma hoje as ruas de nossas principais cidades, organiza-se pelas redes sociais, e tem uma grande missão: de regenerar o Brasil. Temos que regenerar as células da sociedade, o tecido social.

A Sorbonne foi um brado de inconformidade com os restos de Civilização Cristã que ainda viviam na França de 68.

A geração deste terceiro milênio está se levantando em defesa dos valores morais. Queremos o Brasil brasileiro, a Tradição cristã de nossos maiores, a regeneração da Família, o direito de Propriedade (assegurado por dois Mandamentos da Lei de Deus).

Para concluir, vale lembrar uma lei histórica segundo a qual o imobilismo não existe nas coisas terrenas. Em consequência, quando em um organismo se opera uma fratura ou dilaceração, a zona de soldadura ou recomposição apresenta dispositivos de proteção especiais.(2)

Nossa meta, portanto, para regenerar o Brasil, é trabalhar a fundo os caracteres, reformar o homem! Não basta voltarmos aos anos anteriores a Maio de 68!

Este princípio é tão importante que pretendemos voltar ao assunto.

 


Notas:  (1) Revolução e Contra-Revolução, Parte III, Cap. II

(2) Revolução e Contra-Revolução, Parte II, Cap. II