O escritor, ex-senador e economista colombiano Pablo Victoria lançou um livro intitulado “España contraataca: De la deuda española de Estados Unidos con Bernardo Galvez”. Em entrevista ao site espanhol ABC a propósito desse livro, o autor narra como os fatos mais importantes da História são esquecidos e por que isto acontece.[i]

A propaganda revolucionária contra a tradição

A Espanha – afirmou – perdeu a batalha da propaganda. Os espanhóis nunca fizeram propaganda de suas ações, de seus méritos ou de suas conquistas. Isto é devido a um complexo que ela tem desenvolvido ao longo dos anos, especialmente após o desastre de 98, com a perda de Cuba, de Porto Rico e das Filipinas. A França, na famosa Exposição de Paris, levou cerca de cinco volumes elogiando a ação do Marquês de Lafayette, que praticamente não teve qualquer ação no combate [de Independência dos Estados Unidos].”

Indagado sobre as razões desse silêncio a respeito de pessoas proeminentes na História, Pablo afirmou: “A razão fundamental é o anteriormente mencionado sobre a propaganda. Além disso, a existência desse espírito esquerdizante e degradante da parte da política hispano-americana que se dedica a falar mal da conquista e da obra civilizadora da Espanha no ultramar. O que eles fizeram é ensinar às crianças nas escolas que a Espanha realizou um genocídio monstruoso na América e mataram muitos índios. Esta afirmação é completamente falsa, não existe nenhum vestígio de verdade nesta teoria.

Sobre o conhecimento que a sociedade espanhola tem de sua história e de suas raízes culturais, observou o entrevistado: “A história civilizadora da Espanha é quase totalmente desconhecida dos próprios espanhóis. Deve-se realizar um trabalho investigativo para reorientar a juventude, a fim de que a população se sinta orgulhosa não somente de ser espanhola, mas também desse magnífico império que se estendia no mundo inteiro. (…) É imprescindível conhecer este passado”.

Diferentemente da Inglaterra – continua –, o que se cultivou na América foi o ódio contra a Espanha. Ele foi patrocinado pelos grandes revolucionários como Bolívar e San Martin, que foram apoiados pela Inglaterra (que se vingou)”.

A solução: admiração pelo protótipo

Essas observações do Sr. Pablo Victória trouxeram-me à memória o romance A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queiros, publicado em 1900, que li quando era ainda muito jovem. Nela o autor faz uma analogia entre a história do personagem Gonçalo Mendes Ramires e Portugal.

Gonçalo descendia de uma família nobre com passado cheio de heroísmos, mas bastante decadente. Encontrando-se financeiramente falido, ele busca meios fáceis para conseguir dinheiro. Engaja-se então na política, deixando de lado a ética e a moral, como soe infelizmente acontecer com a maioria dos políticos. Ao mesmo tempo, começa a escrever sobre os feitos heroicos de seus antepassados medievais, especialmente de Tructesindo Mendes Ramires, que viveu no século XII e se notabilizara pelas virtudes características de um cavaleiro medieval: a Fé e a honra.

À medida que ia escrevendo sobre o seu longínquo antepassado, Gonçalo se envergonhava de si mesmo. O nome Tructesindo soava-lhe como um golpe de espada em sua alma mole e desfigurada. Até o bendito dia em que, como num flash, ele se deu conta de que aquelas virtudes que com admiração e contrição ele descrevia, haviam penetrado em seu espirito, regenerando-o e restabelecendo nele a honra e a dignidade.

Assim, aquele jovem frívolo, completamente decadente e sem valores morais, se transforma num homem com os princípios do velho Tructesindo.

Esse é o papel da tradição na formação das pessoas, dos países e dos povos. Tudo aquilo que alguém admira, passa de algum modo a constituir seu patrimônio moral.

Tradição e progresso

Sobre a importância da tradição, assim ensinou Pio XII (foto abaixo):

“A tradição é coisa muito diversa de um simples apego a um passado já desaparecido, é justamente o contrário de uma reação que desconfie de todo são progresso. O próprio vocábulo, etimologicamente é sinônimo de caminho e marcha para a frente – sinonímia e não identidade. Com efeito, enquanto o progresso indica somente o fato de caminhar para a frente, passo após passo, procurando com o olhar um incerto porvir, a tradição indica também um caminho para a frente, mas um caminho contínuo, que se desenvolve ao mesmo tempo tranquilo e vivaz, de acordo com as leis da vida, escapando à angustiosa alternativa: “Si jeunesse savait, si vieilleisse pouvait!”, semelhante aquele Senhor de Turenne, do qual foi dito: “teve em sua mocidade toda a prudência de uma idade avançada, e em uma idade avançada todo o vigor da juventude” (Fléchier, Oração Fúnebre, 1676)”.

Em seguida, o Pontífice acentua a profunda harmonia entre o verdadeiro progresso e a verdadeira tradição: “Por força da tradição, a juventude, iluminada e guiada pela experiência dos anciãos, avança com passo mais seguro, e a velhice transmite e consigna confiante o arado a mãos mais vigorosas, que continuam o sulco já iniciado. Como indica seu nome, a tradição é um dom que passa de geração em geração; é a tocha que o corredor a cada revezamento põe na mão e confia a outro corredor, sem que a corrida pare ou arrefeça de velocidade”.[ii]

Um país que progrida velozmente e sem tradição, é como um homem que anda rapidamente sem caminho e sem rumo! Quanto mais rápida a marcha, mais louca, mais extenuante. Por fim, o homem se depaupera, extenua-se e cambaleia: então está no ponto de ser subjugado por qualquer salteador que o encontre.” – afirma o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.[iii]

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[i] http://www.abc.es/historia/abci-completamente-falso-espana-llevara-cabo-genocidio-indios-america-201708071014_noticia.html#ns_campaign=rrss-inducido&ns_mchannel=abc-es&ns_source=fb&ns_linkname=noticia.entrevista&ns_fee=0

[ii]Discurso do Santo Padre Pio XII à Nobreza e ao Patriciado Romano, em 1944, publicado pelo “L’Osservatore Romano” em 20 de janeiro de 1944.

[iii]https://ipco.org.br/ipco/progresso-sem-tradicao-fator-da-guerra-revolucionaria/#.WZCIClGQz9A

 

 

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