Jesus Cristo é mais procurado nas redes sociais chinesas que Mao ou o PC

    Quadro comparativo das procuras em 3 de abril 2014. CLIQUE PARA AMPLIAR
    Quadro comparativo das procuras em 3 de abril 2014. CLIQUE PARA AMPLIAR

    Na rede social Weibo, o “Twitter chinês”, o nome de Jesus e de Deus é mais procurado que o do presidente Xi Jinping, secretário-geral do Partido Comunista chinês, o de Mao Tsé-Tung e até o do próprio Partido Comunista que domina o país. 

    Bethany Allen, do Foreign Policy Magazine, saiu em busca dos nomes mais procurados na maior rede social chinesa no dia 3 de abril. 

    A procura da palavra “Bíblia” resultou em mais de 17 milhões de resultados. Porém, a “bíblia do comunismo chinês”, quer dizer, o “Livro Vermelho” de Mão Tsé-Tung, rendeu menos de 60 mil. 

    O nome do novo ditador-presidente “Xi Jinping” apareceu quatro milhões de vezes, cifra decepcionante diante dos quase 18 milhões de resultados para “Jesus”, fundador da religião mais perseguida na China.

    O mais incrível é que o Partido Comunista chinês vasculha todas as mensagens com um exército de cem mil censores e faz desaparecer as que falam de pessoas ou nomes “politicamente incorretos” como Bíblia e Jesus Cristo. 

    O todo-poderoso Partido Comunista que oprime o país rendeu 5,3 milhões de resultados, enquanto a “igreja cristã” apontou 41,8 milhões de links. 

    Jesus Cristo na arte chinesa
    Jesus Cristo na arte chinesa

    Mas se alguém digitar “igreja subterrânea”, como é conhecida a Igreja Católica fiel à Santa Sé e oposta ao socialismo, a tela apresenta um “brancão” com a mensagem de que os resultados não podem ser exibidos devido a leis e regulamentos do marco legal chinês.

    O desinteresse pela ideologia comunista e a avidez pelo cristianismo explica estes resultados até há pouco inimagináveis.

    Os resultados recolhidos pela colunista do Foreign Policy Magazine não têm obviamente caráter científico. E devem mudar muito segundo as épocas do ano.

    Acresce que após a publicação dessa reportagem, o exército de censores do governo pode ter redobrado as interceptações, tornando-as mais específicas.

    Porém, na China ficou incontestável que os cidadãos querem ouvir mais sobre Cristo e sua pregação do que sobre Mao e suas teorias igualitárias e ditatoriais.