Quatro ingleses que evidentemente já passaram os sessenta anos. A velhice apresenta-se neles, ao menos de certo ponto de vista, como um apogeu. São homens em cujo espírito estão profundamente arraigados determinados modos de pensar, de sentir e de ser. Ao mesmo tempo, estão de posse de uma experiência da vida, cheia de lúcida e despretensiosa segurança. Possuem aquela forma especial de maturidade e bom senso, que só se adquire quando se levou uma longa existência, honrada e temperante. Em seus corpos, já cansados, mas que conservam muito da equilibrada robustez de outrora, brilha uma chama de vida que dá seus mais altos clarões antes de se extinguir nesta terra. Quem são estes homens? Pequenos burgueses solidamente estabelecidos? Dignos advogados, médicos ou engenheiros de província? Não. Simples operários aposentados. Tal é o nível de consciência de seu próprio valor, de lucidez de espírito, de força de personalidade, a que a tradição cristã do Ocidente elevou a parcela do operariado que continuou a lhe aceitar a benéfica influência.

Pois é bem de ver que operários tais não se formaram ao influxo de sindicatos ébrios de anarquia e revolução, mas em uma tradição doméstica e civil remotamente herdada dos dias fecundos e gloriosos em que a Inglaterra ainda não apostatara…

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Ao lado dos herdeiros conscientes ou inconscientes da Tradição, o filho do espírito da Revolução. É um jovem inglês recentemente eleito pelos “Teddy Boys” londrinos como modelo de elegância.

Vendo-o, pensa-se instintivamente no sábio discurso de Natal de 1957 (“Catolicismo”, nos. 87 e 88), em que o Santo Padre descreve os traços psicológicos dos admiradores exclusivistas das perfeições materiais da técnica: fragilidade de alma, instabilidade, superficialidade, tirania dos caprichos.

No porte, na expressão da fisionomia, há algo de desafio, de amargura, de impulsividade irritadiça e quase diríamos infernizada.

Ao mesmo tempo, uma preocupação muito maior de parecer, do que de ser. Uma sujeição completa aos preconceitos apaixonados de um pequeno clã.

Se se vão procurar aí os valores que honram o homem, como a capacidade de refletir maduramente pesando o pró e o contra, de dominar com o freio de uma vontade forte os impulsos e as paixões, de desconfiar das primeiras impressões e de as analisar com cautela, de fazer esforços constantes para alcançar objetivos árduos, nada se percebe.

Desta forma, o burguês requintado, formado pelo espírito da Revolução, é mais pobre em bens da alma do que o simples operário, filho da Tradição.

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Assim decaiu Roma, decaiu Bizâncio, e está decaindo nossa civilização. Depauperamento dos valores morais, numa crise cuja essência é estritamente religiosa.

E nada adiantará para salvar o Ocidente cristão, porção da humanidade dileta entre todas por Deus, se não se compreender que cumpre antes de tudo salvar os valores morais por uma volta autentica ao espírito e à vida da Igreja.

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