Nos dois últimos séculos a ciência tem sido enormemente enaltecida, suas descobertas e invenções muito apreciadas, com alguns resultados surpreendentes.

Deixemos de lado certos espíritos tacanhos ou ateizantes, que se obstinam em opor a ciência à religião, e também certos ecologistas de plantão, que gostariam de acabar com o progresso e voltar às selvas no estilo indígena primitivo. Livres desses objetantes importunos, nós podemos afirmar que o progresso científico, na medida em que caminha na linha da moral e do bom senso, traz benefícios inegáveis ao convívio humano.

Mas esses benefícios poderiam ser ainda muito maiores se a ciência não se limitasse ao caráter utilitário das invenções e procurasse, na medida do razoável, apresentá-las de modo artístico e belo. De fato, a parte mais nobre do homem é a alma, e atender à aspiração de beleza do espírito humano não pode estar desligado dos confortos e vantagens proporcionados ao corpo.

Para não ficar apenas em teoria, examinemos dois exemplos.

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La joueuse de tympanon (a tocadora de tímpano, ou a timpanista)

La joueuse de tympanon (a tocadora de tímpano, ou a timpanista) é uma androide (figura com semelhança humana), que toca oito árias num tímpano, percutindo as 46 cordas com dois pequenos martelos. Trata-se de um presente oferecido em 1784 à rainha Maria Antonieta por Jacques de Vaucanson, especialista em pesquisas sobre a restituição dos movimentos humanos. O mecanismo é complicado, composto de molas, engrenagens, alavancas, etc., da mais alta sofisticação para a época, mas permanece oculto sob a saia da androide. Funciona mediante corda (como um relógio) e não só movimenta os braços da figura para que execute a partitura, como também move seu pescoço e seu rosto, produzindo a sensação de uma timpanista que toca com alma uma música nobre e deliciosa. A obra é conjunta do marceneiro David Roentgen e do relojoeiro Pierre Kintzing.

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O rei Luis XV tinha verdadeira paixão pelas artes mecânicas e pela astronomia. Em 1754, ele mandou colocar em realce em seus aposentos la pendule astronomique de Passemant

O rei Luis XV tinha verdadeira paixão pelas artes mecânicas e pela astronomia. Em 1754, ele mandou colocar em realce em seus aposentos la pendule astronomique de Passemant, cuja confecção durou 12 anos. É um belíssimo relógio de sala, fabricado pelo engenheiro Claude-Siméon Passemant, que indica a data, a hora, as fases da lua e, na esfera de cristal que o coroa, o movimento dos planetas.

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Artefatos de ciência? Certamente. Mas também de arte. A verdade e a beleza se osculam nessas obras.

Hoje em dia, com facilidade constroem-se aparelhos que tocam música, marcam as fases da lua etc. Porém… a beleza se foi! O mecanismo ficou e até foi aperfeiçoado, mas à alma é negado seu quinhão. Isto é progresso autêntico?

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Agradeçamos a Deus a democratização da Internet, e peçamos a Ele que ela de fato se expanda democraticamente a todas as nações.

    Estou ao mesmo tempo em que escrevo estas poucas linhas, apreciando belíssimas peças musicais sintonizando a Cultura Fm.

    A internet está recuperando e oferecendo a todos na velocidade da luz toda a beleza da verdadeira arte quase sempre presa em inacessíveis museus palácios e bibliotecas, tais como estes dois magníficos exemplos da tocadora de tímpanos e do Pendulo de Passemant

    O que no passado era um namoro agora pode e já é um casamento perfeito.

    Oremus

     

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