Tarso GenroCesare Battisti (na foto com Tarso Genro, o ex-ministro da justiça de Lula) confessou seus crimes e admitiu a participação em quatro assassinatos. Enquanto esteve no Brasil, o terrorista foi protegido pelo PT, particularmente por Lula, que proibiu sua extradição. Muitos outros petistas defenderam o condenado e permitiram ao terrorista viver livremente no Brasil…

O terrorista vermelho Cesare Battisti, interrogado na prisão de Oristano pelo Procurador de Milão, Alberto Nobili, admitiu todas as acusações dirigidas a ele, especificamente os quatro assassinatos, incluindo dois dos quais ele foi executor — afirmou em entrevista coletiva o promotor Francesco Greco.

Quatro crimes cometidos fisicamente por Battisti: o do policial penitenciário Antonio Santoro, morto em Udine (6-6-1978), pelo fato de ter “perseguido prisioneiros políticos”; o do joalheiro Pierluigi Torregiani e do comerciante Lino Sabbadin, que fazia parte do Movimento Social Italiano, ambos mortos em 16-2-1979, o primeiro em Milão e o segundo em Mestre, pelo fato de “terem se armado contra os ladrões, eram milicianos do lado do Estado e deviam ser punidos”.

Por fim, a morte de Andrea Campagna, agente da Digos, que Battisti matou a tiros em Milão, no dia 19 de abril de 1978. O representante dos proletários armados pelo comunismo (PAC) também admitiu ter ferido mais três pessoas: Giorgio Rossanigo, um médico da prisão de Novara que era “muito rigoroso em relação aos prisioneiros políticos”; Diego Fava, médico da Alfa Romeo que “não liberou certificados para trabalhadores politizados”; e Antonio Nigro, guarda da prisão de Verona.

Respondendo ao Procurador que lhe havia perguntado quem o havia ajudado em suas fugas, Battisti disse que do exterior, “partidos, intelectuais e o mundo editorial” de quem recebeu “apoio ideológico e logístico. E fizeram isso por razões ideológicas e solidárias. Não sei se essas pessoas já se perguntaram se eu era responsável pelo que fui condenadoPara muitos não era o problema”, mas “também fui apoiado porque me declarei inocente, e em muitos países uma condenação à revelia é impensável e porque dei a ideia de um combatente da liberdade”.

Quando o promotor perguntou se ele teria mais alguma coisa a dizer, Battisti respondeu: “Peço desculpas aos familiares das pessoas que matei ou feri. A luta armada foi desastrosa e quebrou a revolução social, cultural e positiva que começou em 68. Para mim e para outros foi uma guerra justa, hoje me sinto desconfortável em reconstruir momentos que só podem provocar minha revisão. Falar sobre luta armada hoje é algo sem sentido para mim” (“Corriere della Sera”, 25-3-2019).

Essa auto-absolvição nada tem a ver com o arrependimento. Pressupõe, de fato, um juízo sobre os próprios atos à luz do bem e do mal e um consequente sentimento de dor e contrição, enquanto o critério de julgamento de Battisti permanece gramsciano, da filosofia da práxis. Seus atos estão errados porque a luta armada foi incapaz de implementar a Revolução Comunista na Itália. O que é mais grave na entrevista, no entanto, é a admissão da existência de uma rede de cobertura ideológica, composta de homens que ainda ocupam cargos-chave e que nunca serão publicamente condenados.

Entre os personagens que afirmaram a inocência de Cesare Battisti estão Gabriel Garcia Marquez e Bernard Henry-Levy e muitos intelectuais de diferentes países, que excluíram a priori que Battisti poderia ser um assassino, ao mesmo tempo acusando o Estado italiano de violência e repressão. Suas opiniões foram divulgadas pela grande mídia que, obrigados a admitir as provas, no entanto, eles evitaram acusar os 1500 signatários do pedido de libertação de Battisti, após a prisão dele na França, em 2004.

A maioria dos terroristas, condenados ou sob investigação pelo judiciário italiano nos chamados “anos de chumbo”, encontrou aceitação nos Alpes graças à doutrina Mitterrand (1982), com a qual o então presidente francês lhes concedera status de refugiados políticos. Tal reconhecimento os afastou da investigação e bloqueou qualquer pedido de extradição.

A única condição era que os beneficiários não fossem procurados por atos dirigidos contra o Estado francês e renunciassem, pelo menos em palavras, a todas as formas de violência política. O inspirador da doutrina Mitterrand foi um conhecido sacerdote francês, Henri Antoine Grouès, conhecido como Abbé Pierre (1912-2007), ativista político próximo da extrema esquerda. Esse sacerdote esquerdista foi fundador do movimento Companheiros de Emaús, em 1949, organização fundada no mito de acolher os marginalizados. Entre estes estavam os terroristas vermelhos, dos quais o Abbé Pierre era um protetor (v. Silvano De Prospo e Rosario Priore, Chi maneuvera le Brigate Rosse, Ponte alle Grazie, 2010).

O Padre Pierre criticou amiúde João Paulo II e Bento XVI, pronunciando-se a favor da possibilidade de ordenar sacerdotisas e também homens casados, apoiou o direito dos homossexuais de ter relações estáveis ​​e criar filhos. Antes de morrer, ele confessou ter mantido relações sexuais com mulheres.

No livro autobiográfico, Mon Dieu … pourquoi? (Meu Deus … por quê?), ao falar de “poder do desejo”, ele afirma: “Eu lhe dei passagem. Mas eu nunca tive uma relação regular, pois não deixei que o desejo sexual se enraizasse” (“La Repubblica”, 27-10-2005). Na Itália, o Abbé Pierre foi várias vezes na região de Arezzo, onde quatro comunidades de Emaús prosperaram, e, muitas vezes, encontrava os bispos da diocese que o protegia, incluindo o cardeal Gualtiero Bassetti, que foi bispo de Arezzo de 1998 a 2009, e hoje preside a Conferência Episcopal Italiana.

Em entrevista recente, o Cardeal Bassetti distanciou-se do vindouro Congresso de Verona sobre a família, afirmando que a única família humana é a composta de migrantes, que “são os últimos, os pequenos e os pobres deste mundo”, como disse Paulo VI, “os pobres pertencem à Igreja por ‘direito evangélico’”. “Com a mesma firmeza, gostaria de reiterar um conceito que talvez seja inconveniente para o pensamento correto: para um católico é absolutamente imoral ver o migrante como um inimigo a ser combatido ou odiado”.

Padre Pierre morreu em 22 de janeiro de 2007, aos 93 anos. “Muito obrigado, Pe. Pierre, de nos ter dado exemplo”, disse o cardeal Philippe Barbarin, sentenciado em 19 de fevereiro de 2019, em primeira instância, a seis meses de prisão sob liberdade condicional por encobrir abuso sexual de um padre francês. “Você desaparece — disse ele então — e nós, como os companheiros de Emaús, partimos hoje novamente em bom ritmo para testemunhar este amor e servir aos outros, até o nosso último suspiro”“Muito obrigado ao Pe. Pierre por nos ter dado exemplo”, comentou o jornal dos bispos italianos, ao anunciar a‘partida’do Pe. Pierre “para as grandes férias”, foi como o jornal denominou a vida que ele levaria depois da morte (“Avvenire”, 21-1- 2017).

Na Itália, a mensagem do Pe. Pierre foi recolhida por Michele De Paolis, um padre salesiano que, entre outras coisas também declarou: “Hoje a atitude da Igreja em relação aos homossexuais é severa, desumana e cria tanto sofrimento ao afirmar que a homossexualidade é um pecado”. […] Algumas pessoas dizem: –— “Tudo bem ser homossexual, mas ele não precisa ter relacionamentos, os homossexuais não podem amar uns aos outros!” – Para o Pe. Michele isso “é a máxima hipocrisia. Seria como dizer a uma planta em crescimento: ‘Você não deve florescer, você não deve dar frutos!’Isso sim, é contra a natureza! (Https://blog.libero.it/gruppoalidaquila/10246589.html).

Em 6 de maio de 2014, Pe. Michele De Paolis concelebrou a missa com o Papa Francisco em Santa Marta, tendo ficado impressionado com a reação do Santo Padre, que depois de um breve diálogo fez uma reverência e beijou a sua mão. O Papa prometeu uma audiência com o grupo Emaús, mas o Pe. Michele partiu antes para as suas “grandes férias” em 30 de outubro de 2014. Em seu testamento ele pediu para ser cremado e suas cinzas, como ele desejou, são mantidas em uma urna dentro da capela da Comunidade de Emaús (http://www.foggiatoday.it/cronaca/cremazione-don- michele-de-paolis-community-emmaus.html).

O Papa Francisco, naturalmente, ignora o fio vermelho que liga o Pe. De Paolis e o Abbé Pierre com Cesare Battisti…

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(*) Fonte: “Corrispondenza romana”, 27-3-2019. Matéria traduzida do original italiano por Paulo Henrique Chaves.

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