No momento, você está visualizando Salvemos as almas que sofrem no purgatório. Por que a oração pelos mortos é tão importante?

O cuidado com a salvação de nossos entes queridos não termina no momento da morte. Há séculos, a Igreja recorda aos fiéis que as almas daqueles que partiram, mas que ainda precisam de purificação, podem receber nossa ajuda. A oração, o Sacrifício da Santa Missa, as indulgências e as obras de misericórdia também têm importância depois da morte. Por isso, o cuidado com as almas do purgatório não deveria limitar-se a alguns dias de novembro, mas tornar-se parte permanente de nossa vida espiritual.

“Levai todas as almas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem da vossa misericórdia” — estas são palavras de uma oração proveniente das aparições de Nossa Senhora em Fátima, em 1917, nas quais foi transmitida aos três pastorinhos: Lúcia, Jacinta e Francisco. Essa oração foi citada no livreto Salvemos as almas que sofrem no purgatório porque dirige nossa atenção àqueles de quem é fácil esquecer em meio à correria cotidiana. Entre os mortos estão nossos pais, avós, parentes e amigos, mas também pessoas cujos nomes jamais conhecemos. A Igreja nos encoraja a não deixá-los sem oração.

A lembrança dos mortos é algo natural, mas a fé católica nos conduz para além das recordações e das visitas aos túmulos. Ela ensina que podemos realmente ajudar os mortos por meio da oração e das obras de misericórdia oferecidas por eles. Essa é uma das manifestações concretas do amor ao próximo, que não cessa com a morte.

O purgatório — verdade da fé católica

A doutrina do purgatório não é apenas uma representação piedosa nem uma tradição transmitida de geração em geração. Ela faz parte do ensinamento da Igreja Católica. O Catecismo da Igreja Católica explica que aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas ainda não estão completamente purificados, passam, depois da morte, por uma purificação para alcançar a santidade necessária a fim de entrar na alegria do céu (CIC 1030).

O céu é a plenitude da união com Deus. Uma pessoa pode morrer reconciliada com Deus e, ao mesmo tempo, ainda precisar ser purificada dos apegos desordenados e das consequências dos pecados cometidos.

A Sagrada Escritura mostra que a oração pelos mortos tem raízes profundas. No Segundo Livro dos Macabeus, lemos sobre uma oferenda feita pelos que tombaram, para que fossem libertados do pecado (2Mc 12,43–46). O autor inspirado louva esse ato, apontando para a fé na ressurreição e para o benefício proveniente da oração pelos mortos. Há séculos, essa passagem ocupa um lugar importante na argumentação católica a respeito do purgatório e do dever de recordar aqueles que partiram.

A Igreja confirmou esse ensinamento, entre outras ocasiões, no Concílio de Trento, que recordou a existência do purgatório e que as almas que nele se encontram são auxiliadas pelas orações dos fiéis, especialmente pelo Sacrifício da Santa Missa. O Catecismo volta a apresentar essa verdade, referindo-se à prática constante da oração pelos mortos (CIC 1032).

Não conhecemos o estado exato de cada alma nem quanto tempo dura sua purificação. Contudo, não precisamos conhecer esses detalhes para cumprir o dever do amor. Sabemos o que a Igreja ensina e sabemos que a oração pelos mortos é um bem que podemos oferecer-lhes.

Por que as almas do purgatório precisam de nossa ajuda?

As almas do purgatório já não podem merecer a salvação da mesma maneira que a pessoa que peregrina na Terra. Sua purificação é obra da justiça e da misericórdia de Deus. Nós, porém, podemos recomendá-las a Deus, pedindo-lhe que se digne aplicar a elas os frutos das orações e das boas obras oferecidas em sua intenção.

Essa verdade nos recorda o vínculo espiritual que une os fiéis na Terra, as almas submetidas à purificação e os santos que estão no céu. A Igreja o chama de comunhão dos santos. Não somos indivíduos isolados, cujo vínculo termina com a morte. Em Cristo, pertencemos a uma só Igreja, e o amor nos impele a rezar também por aqueles que partiram.

Nem sempre nos lembramos dessa responsabilidade. Muitas vezes, rezamos pelos entes queridos logo após a morte, encomendamos uma Santa Missa no aniversário de falecimento e acendemos uma vela junto ao túmulo. São gestos bons e necessários, mas vale a pena conservar a memória dos mortos também quando passam os meses e os anos. É especialmente necessária a oração por aqueles por quem ninguém mais reza, cujos túmulos foram esquecidos e cujos nomes já não aparecem nas conversas familiares.

Não sabemos quem mais precisa de nossa ajuda. Podemos, porém, confiar a Deus todos os mortos, pedindo misericórdia por aqueles que passam pela purificação. Desse modo, nossa lembrança torna-se algo maior do que uma recordação: torna-se oração e um ato concreto de amor.

A Santa Missa — ajuda especial para os mortos

Entre as maneiras de rezar pelas almas do purgatório, o Sacrifício da Santa Missa ocupa um lugar especial. Ela não é apenas uma recordação comunitária dos mortos nem um gesto simbólico. Na Eucaristia, torna-se presente o Sacrifício de Jesus Cristo, por meio do qual se realizou nossa redenção. Há séculos, a Igreja oferece a Santa Missa também pelos mortos, pedindo a Deus que lhes conceda os frutos do Sacrifício salvífico de Cristo.

Por isso, vale a pena encomendar Santas Missas pelos pais, avós, cônjuges, filhos e amigos falecidos, assim como por todos aqueles que Deus colocou em nosso caminho. Também podemos recomendar ao sacerdote os mortos dos quais já não há quem se lembre. Convém ainda participar da Santa Missa pelos mortos com uma intenção profunda, confiando-os conscientemente à misericórdia de Deus.

A oração pelos mortos nos ensina a olhar para a vida sob a perspectiva da eternidade. Ela mostra que o cuidado com o bem do próximo não termina naquilo que podemos fazer por ele durante a vida terrena.

O Rosário, as indulgências e a oração cotidiana

A ajuda às almas do purgatório não precisa limitar-se a solenidades especiais. Podemos incluir essa intenção em nossa oração cotidiana: oferecer uma dezena do Rosário pelos mortos, recitar uma oração pelas almas do purgatório, rezar pelos falecidos depois da Santa Missa ou confiá-los à intercessão da Santíssima Virgem Maria. É importante que sua memória não seja apenas uma comoção ocasional, mas uma prática consciente da fé.

As indulgências também ocupam um lugar especial no ensinamento da Igreja. O Catecismo explica que a indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados cuja culpa já foi perdoada. Recorrendo ao tesouro que lhe foi confiado, a Igreja concede esse dom aos fiéis sob determinadas condições. A indulgência também pode ser oferecida pelos mortos (CIC 1471). Isso não significa que a pessoa disponha por si mesma da misericórdia de Deus nem que a indulgência opere automaticamente, independentemente da disposição do fiel. Trata-se de um dom que deve ser utilizado de acordo com o ensinamento da Igreja.

Novembro é um mês e uma ocasião especiais para a oração pelos mortos. De acordo com as normas vigentes, os fiéis podem obter uma indulgência plenária em favor das almas do purgatório visitando um cemitério e rezando pelos mortos entre os dias 1º e 8 de novembro. A indulgência ligada à Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, celebrada em 2 de novembro, está associada à visita piedosa a uma igreja ou capela e à recitação, nesse local, das orações do Pai-Nosso e do Credo. Em ambos os casos, devem ser cumpridas as condições habituais exigidas para a obtenção de uma indulgência plenária: receber o sacramento da Confissão, receber a Sagrada Comunhão, rezar pelas intenções do Santo Padre e manter o desapego interior de todo pecado, inclusive venial. Uma confissão pode abranger várias indulgências, enquanto a Sagrada Comunhão e a oração pelas intenções do papa são exigidas para cada indulgência plenária.

Convém lembrar que essas práticas não são apenas um costume de novembro. Elas fazem parte da vida da Igreja, que reza pelos mortos durante todo o ano. Novembro nos recorda isso de modo especial, mas não deveria ser o único período em que confiamos as almas à misericórdia de Deus.

Fátima e o chamado à oração pelas almas

No livreto Salvemos as almas que sofrem no purgatório, reservou-se um espaço específico para Fátima e para os relatos relacionados às almas do purgatório. As memórias da irmã Lúcia descrevem, entre outras coisas, uma conversa sobre o destino da falecida Amélia. Relatos como esses levam à reflexão sobre a eternidade e sobre a necessidade de rezar por aqueles que partiram.

Fátima recorda, ao mesmo tempo, a seriedade do destino eterno do ser humano e a necessidade de rezar pela salvação das almas. Esse chamado não deveria permanecer apenas como objeto de reflexão. Deveria conduzir-nos a atos concretos: oração, penitência, participação nos sacramentos e cuidado com o próximo.

São Padre Pio e a memória das almas do purgatório

O livreto também reúne histórias relacionadas a São Padre Pio, a quem são atribuídas numerosas experiências envolvendo as almas do purgatório. Os mortos lhe pediam orações e que oferecesse a Santa Missa por eles. Essas histórias mostram com que seriedade ele tratava as questões da eternidade e quanta importância atribuía à oração pelos mortos.

Os relatos sobre as experiências dos santos podem estimular a piedade. Acolhamos com fé a doutrina da Igreja e o ensinamento de seus santos e cumpramos fielmente aquilo a que somos chamados.

Um livreto que ajuda a recordar os mortos

O livreto Salvemos as almas que sofrem no purgatório: orações, histórias e ensinamentos da Igreja foi preparado como um auxílio prático para as pessoas que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre o purgatório e rezar pelos mortos. Ele contém uma exposição da doutrina católica sobre o purgatório, orações, propostas de práticas devocionais, reflexões sobre Fátima e histórias relacionadas a São Padre Pio.

Um elemento particularmente prático é o espaço destinado ao registro dos nomes dos mortos e das datas de seu falecimento. Desse modo, é possível criar uma lista própria das pessoas por quem desejamos rezar e retomá-la na oração cotidiana, durante o Rosário, nos aniversários de falecimento ou ao encomendar uma Santa Missa. É uma maneira simples de fazer com que a lembrança dos entes queridos não se limite a alguns dias do ano.

Esse tipo de auxílio pode ser especialmente valioso nas famílias que desejam transmitir às crianças a compreensão católica da morte, da eternidade e da comunhão dos santos. A oração pelos mortos ensina o respeito por aqueles que vieram antes de nós, a gratidão pelo bem recebido e a responsabilidade pelo bem espiritual do próximo. Recorda também que nossa caminhada terrena se dirige ao encontro com Deus e que a santidade não é um acréscimo à vida cristã, mas a vocação de toda pessoa batizada.

Não nos esqueçamos daqueles que partiram

A oração pelas almas do purgatório nos recorda uma realidade da qual é fácil esquecer na vida cotidiana. A morte não é o fim de tudo, e nossos atos têm importância sob a perspectiva da eternidade. A Igreja nos encoraja a confiar os mortos à misericórdia de Deus, a oferecer por eles a Eucaristia, orações e indulgências e a recordá-los em nossa vida espiritual cotidiana.

Não sabemos exatamente a quem nossa oração proporcionará uma ajuda especial. Podemos confiar a Deus todos os mortos, sobretudo aqueles por quem ninguém mais reza, confiando em sua justiça e misericórdia.

Que o livreto Salvemos as almas que sofrem no purgatório seja um incentivo para renovar essa bela prática, enraizada na tradição da Igreja. Escolhamos uma maneira concreta de rezar, lembremo-nos de encomendar Santas Missas pelos mortos e façamos uso do dom das indulgências de acordo com o ensinamento da Igreja. Que nosso amor alcance também aqueles que partiram deste mundo e precisam de nossa oração.

Na oração de Fátima citada no livreto, pedimos: “Levai todas as almas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem da vossa misericórdia”. Que essas palavras não sejam apenas uma oração recitada ocasionalmente, mas também um lembrete de que, ainda hoje, podemos fazer algo de bom pelas almas dos mortos.


Fonte: Polska Katolicka — https://polskakatolicka.org/pl/artykuly/ratujmy-dusze-w-czysccu-cierpiace-dlaczego-modlitwa-za-zmarlych-jest-tak-wazna

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