Passados 60 anos de sua publicação, essa obra magistral continua atualíssima e sempre norteando atividades de movimentos e pessoas em vários países

Revolução e Contra Revolução

A revista Catolicismo teve a honra de ser a primeira publicação a levar ao conhecimento público a obra Revolução e Contra-Revolução,de Plinio Corrêa de Oliveira. Foi estampada integralmente no centésimo número de Catolicismo, correspondente à sua edição de abril de 1959. Portanto, há exatos 60 anos [foto abaixo].

Transcorridas seis décadas dessa publicação, ela permanece mais atual do que nunca. Prova disso são as atuais tiragens em diversas línguas, das quais a mais recente é a 4ª edição em francês, publicada em Paris no mês de janeiro último [capa no topo].

Realça ainda mais a atualidade e importância da obra o fato de o processo revolucionário, denunciado em 1959, encontrar-se hoje em seu clímax em todas as nações; pois, conforme o autor demonstra, essa crise do homem ocidental e cristão é universal, una, total, dominante e processiva.1

Primeira edição da obra "Revolução e Contra Revolução", publicada no "Catolicismo" de abril/1959.
Primeira edição da obra “RC-R”, abril/1959.

Guia para os contra-revolucionários

Em nossos dias, Revolução e Contra-Revolução (doravante o citaremos com as iniciais R-CR) continua sendoo livro de cabeceira de uma extensa família de almas, que considera Plinio Corrêa de Oliveira seu maître-à-penser. São pessoas ou movimentos, que se intitulam contra-revolucionários e atuam em numerosos países; defendem toda a fidelidade à doutrina tradicional da Igreja; fazem oposição à hidra revolucionária e adotam esse livro como um manual teórico-prático indispensável para a eficácia de suas ações. Atualmente, diversos analistas políticos, inclusive alguns de tendência esquerdista, têm reconhecido a influência do pensamento do autor da R-CR na “onda conservadora” crescente em vários países, inclusive no Brasil.

Inicialmente, foi o manual de fundamentação doutrinária, histórica e prática que norteava o chamado Grupo de Catolicismo. Com efeito, em seu Auto-retrato filosófico,2 o Prof. Plinio escreveu sobre a R-CR: “O principal objetivo da obra foi explicitar, aos olhos do público, o sentido doutrinário profundo do prestigioso mensário de cultura Catolicismo”. Depois tornou-se o livro-guia para os membros da TFP, como o autor afirmou no mesmo Auto-retrato filosófico“O mais destacado efeito de Revolução e Contra-Revolução foi ter inspirado, no Brasil, a constituição da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade; e fora do País, a fundação de organizações congêneres e autônomas, que hoje vicejam em quase todas as grandes nações do Ocidente e estendem seus ramos pelos outros continentes. Bureaux de representação das TFPs também existem em vários países, projetando desse modo os princípios doutrinários e os ideais de Revolução e Contra-Revolução por 26 países dos cinco continentes”.

Hoje o best-seller R-CR é manual de princípios que serve para nortear movimentos e suas atividades contra-revolucionárias em várias partes do mundo. Nesse sentido, o escritor norte-americano John Steinbacher registrou no prefácio de uma edição em inglês da R-CR: “Este livro é um catecismo da Contra-Revolução. A História registrou catecismos revolucionários no passado: Mein Kampf de Adolph Hitler, Das Kapital de Karl Marx e o Catecismo Revolucionário de Netchaev. Mas nunca houve um livro como este. […] Não cabe nenhuma dúvida de que a última metade deste livro é o documento mais importante que jamais se escreveu, depois da Bíblia, posto que mostra, com clareza e de modo inequivocamente exato, como a Civilização Cristã pode ser salva por esta geração”.3 Veja também, no quadro abaixo, o que escreveu, em 8-9-93, o renomado canonista Padre Anastácio Gutiérrez, C.M.F, fundador do Instituto Claretiano de Roma.

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Excertos do parecer do Pe. Anastácio Gutiérrez

Revolução e Contra-Revolução é uma obra magistral, cujos ensinamentos deveriam ser difundidos até fazê-los penetrar na consciência de todos os que se sintam verdadeiramente católicos, eu diria mais, de todos os homens de boa vontade […].

Atrever-me-ia a dizer que é uma obra profética no melhor sentido da palavra; mais ainda, que seu conteúdo deveria ensinar-se nos centros superiores da Igreja, para que ao menos as classes de elite tomem consciência clara de uma realidade esmagadora da qual, acredito, não se tem clara consciência. Isso, entre outras coisas, contribuiria para revelar e desmascarar os idiotas-úteis companheiros de viagem, entre os quais se encontram muitos eclesiásticos que fazem, de um modo suicida, o jogo do inimigo; esse setor de idiotas aliados da Revolução desapareceria em boa medida […].

A obra é um produto autêntico da sapientia christiana. Emociona também ver em um leigo uma devoção tão sincera à Mãe de Deus e… nossa — sinal claro de predestinação.

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Parte I: A Revolução4

Em síntese, o autor da R-CR define por Revolução o processo já cinco vezes secular que — tendo como mola propulsora as paixões desregradas do homem, especialmente o orgulho e a sensualidade5— motivou o movimento humanista e renascentista, assim como as Revoluções Protestante (1517), Francesa (1789) e Comunista (1917). Dessa forma, tal processo vem destruindo o magnífico edifício da Cristandade desde o declínio da Idade Média6 — época em que o ideal católico de sociedade mais se aproximou de sua realização — e vem precipitando a Igreja e o mundo no caos, tendo como objetivo implantar uma sociedade completamente igualitária e anárquica.

Parte II: A Contra-Revolução

O autor entende por Contra-Revolução a reação organizada que se opõe à Revolução e visa restaurar a Civilização Cristã: “Se a Revolução é a desordem, a Contra-Revolução é a restauração da ordem. E por ordem entendemos a paz de Cristo no reino de Cristo. Ou seja, a civilização cristã, austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e antiliberal”.7

Para a realização de tal objetivo, “a Contra-Revolução é a luta para extinguir a Revolução e construir a Cristandade nova, toda resplendente de Fé, de humilde espírito hierárquico e de ilibada pureza”.8Esse objetivo será alcançado “sobretudo por uma ação profunda nos corações. Ora, esta ação é obra própria da Igreja, que ensina a doutrina católica e a faz amar e praticar. A Igreja é, pois, a própria alma da Contra-Revolução”.Segundo a R-CR, o que é um contra-revolucionário? [vide resposta no quadro abaixo].

Parte III: Revolução e Contra-Revolução 20 anos depois

         Na edição de 1959, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira descreveu o processo revolucionário representado pelas três Revoluções (Protestante, Francesa e Comunista). A pedido dos editores da 3ª edição da R-CR em língua italiana, acrescentou em 1976 uma terceira partena qual revela uma nova etapa desse processo: a IV Revolução, ou Revolução Cultural. Ela teve seu marco na revolta estudantil de maio de 68 na Sorbonne, e visa estabelecer uma sociedade autogestionária, libertária e tribal. O autor delineia ainda o surgimento de uma V Revolução, na qual se percebe a entrada da propaganda incentivando o tribalismo e o satanismo.

Anos depois, em 1992,10 em decorrência da modificação no panorama internacional — por exemplo, o desmoronamento do Muro de Berlim (1989) e da Cortina de Ferro (1991) — ele fez um desenvolvimento das teses defendidas nas partes I e II. À vista desses acontecimentos, desmascarou a nova tática comunista de metamorfosear-se para melhor iludir o Ocidente e continuar espalhando seus erros. Denunciou que a política denominada Perestroika e Glasnost procurava fazer crer que o comunismo estava morto, e assim desmobilizar o anticomunismo.

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O que é um contra-revolucionário?

Plinio Corrêa de Oliveira

Pode-se responder à pergunta em epígrafe de duas maneiras:

1. Em estado atual

Em estado atual, contra-revolucionário é quem:

• Conhece a Revolução, a ordem e a Contra-Revolução em seu espírito, suas doutrinas, seus métodos respectivos.

• Ama a Contra-Revolução e a ordem cristã, odeia a Revolução e a “anti-ordem”.

• Faz desse amor e desse ódio o eixo em torno do qual gravitam todos os seus ideais, preferências e atividades.

Claro está que essa atitude de alma não exige instrução superior. Assim como Santa Joana d’Arc não era teóloga, mas surpreendeu seus juízes pela profundidade teológica de seus pensamentos, assim os melhores soldados da Contra-Revolução, animados por uma admirável compreensão do seu espírito e dos seus objetivos, têm sido muitas vezes simples camponeses; da Navarra, por exemplo, da Vendéa ou do Tirol.

     2. Em estado potencial

Em estado potencial, contra-revolucionários são os que têm uma ou outra das opiniões e dos modos de sentir dos revolucionários, por inadvertência ou qualquer outra razão ocasional, e sem que o próprio fundo de sua personalidade esteja afetado pelo espírito da Revolução. Alertadas, esclarecidas, orientadas, essas pessoas adotam facilmente uma posição contra-revolucionária. (R-CR, Parte II, Cap. IV, 1-2).

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Concílio Vaticano II e Ostpolitik vaticana

         A respeito do Concílio Vaticano II e da Ostpolitik — a política vaticana de aproximação com os tirânicos regimes comunistas — Plinio Corrêa de Oliveira discorreu e afirmou nesta nova parte do livro:

Aspecto do Concílio Vaticano II

“A evidência dos fatos aponta o Concílio Vaticano II como uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja.11 A partir dele penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a ‘fumaça de Satanás’,12que se vai dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição”.13

A invariável confiança da alma católica

         Além dos referidos acréscimos, o autor inseriu um posfácio, do qual transcrevemos os parágrafos finais:

“Em meio a esse caos, só algo não variará. É, em meu coração e em meus lábios, como nos de todos os que veem e pensam comigo, a oração transcrita ao final da Parte III: ‘Levanto meus olhos para ti, que habitas nos Céus. Assim como os olhos dos servos estão fixos nas mãos dos seus senhores e os olhos da escrava nas mãos de sua senhora, assim nossos olhos estão fixos na Senhora, Mãe nossa, até que Ela tenha misericórdia de nós’ (Cfr. Ps 123, 1-2).

É a afirmação da invariável confiança da alma católica, genuflexa, mas firme, em meio à convulsão geral. Firme com toda a firmeza dos que, em meio da borrasca, e com uma força de alma maior do que esta, continuarem a afirmar do mais fundo do coração: ‘Credo in Unam, Sanctam, Catholicam et Apostolicam Ecclesiam, ou seja, Creio na Igreja Católica, Apostólica, Romana, contra a qual, segundo a promessa feita a Pedro, as portas do inferno não prevalecerão”.14

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Notas:

  1. Cfr. Revolução e Contra-Revolução, Artpress, S. Paulo, 4ª edição em português, 1998, Parte I, Cap. III, 1-5.
  2. Auto-retrato filosófico foi redigido por Plinio Corrêa de Oliveira em 1976, atualizado em 1989 e publicado na edição de outubro/1996 de Catolicismo.
  3. Revolution and Counter-Revolution (1972), Educator Publications, Fullerton, CA, Foreword by John Steinbacher, pp. 7-10.
  4. “Damos a este vocábulo o sentido de um movimento que visa destruir um poder ou uma ordem legítima e pôr em seu lugar um estado de coisas (intencionalmente não queremos dizer ordem de coisas) ou um poder ilegítimo” (Id., Ib. Parte I, Cap. VII, 1, A).
  5. “Duas noções concebidas como valores metafísicos exprimem bem o espírito da Revolução: igualdade absoluta, liberdade completa. E duas são as paixões que mais a servem: o orgulho e a sensualidade” (Id., Ib. Parte I, Cap. VII, 2, E. 3).
  6. “Com efeito, a ordem de coisas que vem sendo destruída é a Cristandade medieval. Ora, essa Cristandade não foi uma ordem qualquer, possível como seriam possíveis muitas outras ordens. Foi a realização, nas circunstâncias inerentes aos tempos e aos lugares, da única ordem verdadeira entre os homens, ou seja, a civilização cristã” (Id., Ib. Parte I, Cap. VII, 1, E).
  7. Id., Ib. Parte II, Cap. II, 1.
  8. Id., Ib. Parte II, Cap. XII, 5.
  9. Id., Ib. Parte II, Cap. XII, 5.
  10. A Parte III da R-CR, redigida em 1976 e acrescida de comentários feitos pelo autor em 1992, foi publicada na edição Nº 500 de Catolicismo (Agosto/1992).
  11. Cfr. Sermão de Paulo VI de 29-6-1972.
  12. Cfr. Alocução de 7-10-1968.
  13. Cfr. Alocução de Paulo VI de 29-6-1972.
  14. Revolução e Contra-Revolução, Artpress, S. Paulo, 4ª edição em português, 1998, p. 199. Esta obra pode ser adquirida na “Livraria Petrus”: http://www.livrariapetrus.com.br/. E encontra-se disponível no site: http://www.pliniocorreadeoliveira.info.

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