São Gregório VII aos bispos da França: não à subserviência à tirania civil

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A intervenção ditatorial e socialista de governadores de esquerda (ou do falso Centrão) e prefeitos que se arrogam o direito de decretar o lockdown das igrejas, a proibição do culto, e consequente cerceamento à administração dos Sacramentos, nos faz lembrar atitudes de outros ditadores, seja no Império Romano pré Constantino, seja na Inglaterra pós católica e, sobretudo, nos regimes nazistas e comunistas.

“Segundo diz a história, não foi só a incompetência dos amigos de Napoleão, que causou sua queda. Foi também e principalmente a estultice com que o Corso se atirou contra a Igreja. Juliano o Apóstata, os Césares do Império Romano Alemão, Pombal, Bismarck, e muitos outros, também caíram assim. Quando se ataca a Igreja, só há dois caminhos: o de Canossa, ou o do fracasso. A Igreja não faz atentados nem revoluções, mas “é uma bigorna que tem desgastado muitos martelos”.” https://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG%20381030_VargaseBonaparte.htm#.YFytkq9KiMo

Foto: Henrique IV, em Canossa, pede perdão ao Papa São Gregório VII

Verdade é que Hitler, Stalin e Mao foram mais longe nos seus processos, métodos e metas para destruir a Santa Igreja. Entretanto, não faltam entre nós, em pleno 2021, os adeptos da prisão de sacerdotes que defendem a soberania da Igreja face aos lockdowns dos novos Césares. E, também, não faltam Bispos que aderem ao lockdown colocando-se frontalmente contra o Mandato divino: “Ide, evangelizai todos os povos, batizando-os em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo.” (Mc 16-15)

Porventura houve na História, em seus 2 mil anos, uma ocasião em que a Santa Igreja se eximisse de cuidar dos enfermos? Não foi Ela, historicamente, que cuidou da saúde pública na Idade Média? Não é Ela a primeira a fundar hospitais e criar Congregações Religiosas especialmente voltada aos doentes?

Mas, viu-se nessa Pandemia, a Igreja ser alijada pelo Poder Temporal de suas funções na cura dos doentes, na distribuição dos Sacramentos, no conforto aos moribundos. Onde encontraremos símiles na História, senão em regimes ditatoriais?

Carta de São Gregório VII aos bispos do reino da França, 1074

“Há muito que o reino da França, outrora tão poderoso e tão glorioso começou a decair de seu esplendor. Agora parece ter perdido toda a sua glória e toda a sua beleza. É o vosso rei Filipe Augusto ou melhor, vosso tirano, que por persuasão diabólica é a origem e a causa de todas essas calamidades”.

“Ele manchou toda a sua juventude com crimes e infâmias, tão fraco quão miserável, ele traz inutilmente as rédeas do reino a que se encarregou e não só abandonou a todos os crimes o povo que lhe está submetido, relaxando os laços da obediência, mas ainda o excita pelo exemplo de seus gostos e de suas ações a tudo o que não é permitido fazer e nem sequer dizer”.

“Não lhe basta (ao rei), ter merecido a cólera de Deus pela pilhagem das igrejas, pelos adultérios, por detestáveis rapinas, por perjúrios e fraudes de todo gênero, que lhe temos exprobado por diversas vezes. Ele acaba, como se fosse um salteador, de subtrair somas enormes a mercadores que se dirigiam a não sei que feira na França”.

“Mesmo nas fábulas, nada de semelhante havia-se contado de um rei”.

Aquele que deveria ser o defensor das leis e da justiça tem sido quem mais as despreza. De tal forma tem procedido que seus atentados não se contém mais nos limites do reino que lhe foi confiado, mas para sua confusão, a notícia dele corre por toda a parte.

“Como tudo isto não poderia escapar ao julgamento de Deus, Juiz Supremo, conjuramo-vos a ter cuidado de que não caia sobre vós, bispos, aquela maldição do Profeta: maldito aquele que não ensangüenta sua espada.

Quer dizer, como bem o compreendeis, aquele que não emprega a palavra da pregação para repreender os homens carnais. Porque sois vós, nossos irmãos, que sois os culpados. Não tendo tido, como conviria a bispos, a firmeza de vos opordes a essas violências, tornaste-vos cúmplices delas por vossa conivência, por isso tememos bastante de que não recebais a recompensa dos pastores, mas a punição dos mercenários, vós que tendo visto o lobo despedaçar sob os vossos olhos o rebanho do Senhor, fugis e ide esconder-vos, como cães que não têm a coragem de ladrar.

“Com efeito, se credes contrário à fidelidade que prometestes ao rei o impedi-lo de cometer essas faltas, estais muito enganados. Poderíamos facilmente mostrar-vos que aquele que retira do naufrágio um homem, mesmo contra a sua vontade, lhe é mais fiel do que quem o deixa perecer”.

“Seria também uma vã desculpa dizer que temeis a cólera do príncipe, porque se Vós unísseis todos de concerto para a defesa da justiça teríeis então bastante autoridade para corrigir o rei de seus pecados ou pelo menos desobrigaríeis as vossas consciências. Mas quando mesmo para vós houvesse tudo a temer, o próprio perigo de morte não deveria impedir-vos de cumprir com liberdade o vosso dever de bispo. Por isso pedimo-vos e admoestamo-vos, pela autoridade apostólica, que vos congregueis num mesmo lugar para prover a respeito de vossa pátria, de vossa reputação e de vossa salvação eterna. Depois de vos terdes posto de acordo, ide ao encontro ao rei para adverti-lo da desordem e do perigo em que está o reino, para dizer-lhe em face quanto as suas ações são criminosas, para esforçar-vos para dobrá-lo mediante de vossas exortações a fim de que ele repare o dano aos mercadores. De outra forma bem sabeis que isso dará origem a grandes inimizades. Exortai-o a corrigir-se, a deixar os hábitos maus da juventude, a restabelecer a justiça, a restaurar a glória de seu reino, a reformar-se a si mesmo, enfim, primeiro, para depois reformar o resto.

Mas se o rei permanecer endurecido, sem querer vos escutar; se não for tocado nem do temor de Deus, nem de sua própria glória, nem da salvação de seu povo, declarai então de nossa parte que não poderá evitar por muito a espada da censura apostólica.

Imitai também a Igreja Romana, vossa Mãe. Separai-vos inteiramente do serviço e da comunhão desse príncipe. Interditai por toda a França a celebração pública do Ofício Divino. E se essa censura não o obrigar a voltar atrás, queremos que ninguém ignore que, com a ajuda de Deus, envidaremos todos os esforços para libertar o reino de França da sua opressão”.

PCO: Quer dizer, a Cruzada.

“E se virmos que agis debilmente nesse assunto tão importante, não duvidaremos mais que o tornais incorrigível pela confiança que tem em vós e privar-vos-emos de toda a função episcopal, como cúmplices de seus crimes”.

“Porque Deus nos é testemunha, assim como a nossa própria consciência, de que ninguém nos fez tomar essa resolução, nem por pedidos nem por presentes. Somos levados a isso apenas pela viva dor de ver perecer por culpa de um infeliz, um reino tão nobre e um povo tão numeroso”.

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Estamos pondo em foco o direito soberano e divino da Santa Igreja em realizar a sua missão. Recordamos as palavras acima de São Gregório VII aos bispos da França: “Depois de vos terdes posto de acordo, ide ao encontro ao rei para adverti-lo da desordem e do perigo em que está o reino, para dizer-lhe em face quanto as suas ações são criminosas, para esforçar-vos para dobrá-lo mediante de vossas exortações a fim de que ele repare o dano aos mercadores.”

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