Em seu blog pessoal, o ex-frade Leonardo Boff, incensado “teólogo da libertação da Mãe Terra” e redator entre outros da encíclica ‘Laudato si’’ do Papa Francisco, increpou o próximo Sínodo Pan-amazônico por desconhecer o ecossistema amazônico.

E se propôs desfazer mitos que deturpariam as noções e os objetivos dos padres sinodais que entretanto o Papa quer ver concretizados.

Quando comentei o artigo com meus amigos, esses não conseguiam acreditar. O Boff falando contra esses mitos?

A surpresa – como a minha também – foi maiúscula ouvindo os sofismas do guru da mística verde alucinada. Mas, logo apareceram incubados abismos ideológicos inimagináveis. Vejamos.

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1. Boff: índio não é um ser consubstanciado com a natureza

Segundo ele, o “primeiro mito” é acreditar no “indígena como selvagem genuinamente natural e por isso em perfeita sintonia com a natureza”.

Espantou-me o ulemá da ecologia dizer isso. Mas não a tese em si mesma.

Aprendi de Plínio Corrêa de Oliveira, professor de História Moderna e Contemporânea na PUC, grande conhecedor do Brasil, que o índio não é o “homem da selva puro de toda influência da civilização” como diz Boff, ou da religião cristã.

Segundo o Dr. Plínio o selvagem das selvas é um infeliz decadente moral e cultural que tocou o fundo do poço.

Reconstituição artística de cidades amuralhadas na região amazônica descobertas por arqueólogos e descritas por missionários. A decadência moral e cultural jogou as tribos a miseráveis malocas.

Mas, heroicos missionários e desbravadores, militares incluídos, foram resgatando-os do abismo de perdição e reconduzindo-os para a maravilha da igreja, da civilização e da brasilidade.

O guru “verde” diz algo parecido, mas logo depois envereda para o pior oposto possível.

Esse primeiro mito que inspiraria o Sínodo Pan-amazônico, segundo Boff, seria achar que enquanto ‘selvagem genuinamente natural em sintonia perfeita com a natureza’ o índio “regular-se-ia por critérios não-culturais, mas naturais”.

Segundo este mito “ele estaria numa espécie de sesta biológica face à natureza, numa perfeita adaptação passiva aos ritmos e à lógica da natureza”.

Portanto, andaria no meio da selva numa espécie de inconsciência deliciosa sem aplicar a inteligência e a vontade. Algo que faz sentido no mundo da hipnose e da droga, e notadamente de uma mística incompatível com a natureza humana.

Mas essa visão não corresponde à realidade. Boff explica: “esta ecologização dos indígenas é fruto do imaginário urbano, fatigado pelo excesso da tecnificação e da artificialização da vida”.

Quer dizer, essa visualização é falsa.

E se compreende, porque provém de filosofias e teologias panteístas condenadas repetidamente pela Igreja, mas que refloram periodicamente nas heresias da história na própria Europa.

O insuspeito Boff defende, porém, uma posição que Dr. Plínio adotou desde um ponto de vista totalmente oposto: “os indígenas amazônicos são humanos como quaisquer outros humanos”.

“A pesquisa, diz Boff, comprova o jogo de interação entre os indígenas e a natureza. As relações não são ‘naturais’, mas culturais, como nós, numa teia intrincada de reciprocidades”.

O indígena como todos os homens, foi criado por Deus para dominar a natureza e pô-la sabiamente a seu serviço, ensinou sempre a Igreja.

E nesse sentido Deus lhe ordenou submete-la. É um domínio de origem religiosa que gera culturas.

Mas, Boff adota contraditoriamente a tese panteísta do missionarismo tribal-comunista: o índio é um mero prolongamento pessoal e social da natureza.

2. Até Boff diz: “a Amazônia não é o pulmão do mundo”

O segundo mito que o ex-frade recusa está sendo repetido ao cansaço a propósito das queimadas que acontecem todos os anos: “a Amazônia é o pulmão do mundo”.

O teólogo libertador da Mãe Terra pede a seus colegas que parem com essa mentira, lhes lembrando: “o oxigênio liberado de dia pela fotossíntese das folhas é consumido pelas próprias plantas de noite e pelos demais organismos vivos. Por isso a Amazônia não é o pulmão do mundo”.

Ele então desestima o mito de que a floresta absorve CO2 “principal causador do efeito estufa”, falso primário refutado pelos científicos objetivos.

3. A floresta amazônica jamais poderá ser o celeiro do mundo

O terceiro mito, prossegue o teólogo subversivo, é o da “Amazônia como o celeiro do mundo. (…) Não é. (…) é luxuriante, mas num solo pobre em húmus. (…)

“O humus não atinge, comumente, mais que 30-40 centímetros de espessura”, prossegue. “Com as chuvas torrenciais é carregado embora. Em pouco tempo aflora a areia. a Amazônia jamais poderá ser o celeiro do mundo”.

Índios paresi querem tecnologias do agronegócio para sobreviver.

Eventual desertificação da Amazônia pelo desmatamento só seria possível se não fosse a mão sábia dos proprietários rurais que recuperaram até solos mais ingratos. Mas isto Boff não diz porque é uma verdade odiada pelo comunismo tribalista.

Os produtores rurais vão substituindo a floresta velha por novos bosques, plantando pastos, criando gado e favorecem o aumento do humus, a absorção primaria do CO2 e liberando oxigênio; canalizam e irrigam segundo a necessidade.

Dessa maneira estimulam a vida e melhoram a terra. Assim a Europa foi sendo civilizada pelas abadias medievais, para citar apenas um exemplo dos omitidos pelo ‘teólogo’ niilista.

Boff, porém, adota a tese anticivilizadora: “com a introdução dos grandes projetos de hidrelétricas e do agronegócio e hoje sob o anti-ecologismo do governo Bolsonaro, continua a brutalização e devastação da Amazônia”.

Em poucas palavras, o ex-frade outrora ultra vermelho e hoje super verde, desqualifica os exageros, pânicos e mentiradas de seus desatualizados colegas do Sínodo Pan-amazônico como sendo uns ‘moderados’.

O que visa ele?

Uma ideia muito simples: o homem, inclusive o índio, é incompatível com a ecologia.

Nem o aborígene atinge o ideal sonhado pelos filósofos verdes. Não há ser humano que preste, segundo ele.

O fundo anti-humano do ecologismo radical evoca o atribuído por santos ao Anticristo. Luca Signorelli (1445 – 1523), basílica de Orvieto, Itália.

O site espanhol “La voz libre”, reproduz aquilo que pensa em última análise o teólogo de referência na redação e interpretação do Instrumentum Laboris, documento básico do Sínodo Pan-amazônico.

Seu pensamento ficou registrado em livro que escreveu em 1995 Cry of the Earth, Cry of the Poor. (Grito da Terra, grito dos pobres).

Ali, Boff chega à conclusão de que o ser humano não tem conserto. Portanto, é um empecilho para a evolução!

Segundo suas palavras, o homem é “um verdadeiro Satanás da Terra”. Portanto, a tintura mãe do mal.

A conclusão está de acordo com a lógica anarco-tribal porque o homem é filho de Deus criado a Sua imagem e semelhança, portanto do Deus que ele renegou.

Para a visão de Boff, a ecologia integral que deve pregar o Sínodo ensina que todos os seres, humanos e não humanos, são entes iguais.  Portanto, o homem é igual à serpente, o padre ao pajé, e Deus ao diabo.

O universo seria uma massa material em perpetua evolução que só pode ser regida por um governo global inspirado numa nova religião ecumênica, igualitária, gnóstica e universal.

É uma visão muito parecida àquela que o bem-aventurado pregador espanhol Francisco Palau via ir tomando conta do mundo por obra de forças ocultas no século XIX: o reinado do Anticristo!

Mas isso já não tem nada a ver com a ecologia, é uma manipulação da ciência para pô-la a serviço de uma seita religiosa radical.

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1 COMENTÁRIO

  1. Por mais que quisessem os ideólogos e militantes da ecologia panteísta,irão se frustrar, pois não encontrarão apoio e, muito menos, a infraestrutura para implantar suas utopias… com sínodo ou sem sínodo.

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