A bênção dos trigais, de Jules Breton: Dignidade, bem-estar e fé do povo católico

Resumo: Bênção dos trigais, pintura de Jules Breton, é interpretada como representação da dignidade do trabalho rural, do bem-estar e da fé católica. O artigo observa a procissão entre os campos e relaciona a cena a uma ordem social em que produção, família, religiosidade e gratidão formam uma unidade cultural vivida pelo povo.

A benção dos trigais no Artois, por Jules Breton.

Plinio Corrêa de Oliveira

Segue a procissão, através dos campos fecundados pelo trabalho rude e honesto do lavrador. O Santíssimo Sacramento sae do sacrário, transpõe os humbrais do templo e Nosso Senhor percorre os trigais, cobrindo de bênçãos a terra, seus frutos, o trabalho humano, e sobretudo o trabalhador.

A cena é rica em harmonias profundas. Graça e natureza. Igreja e sociedade temporal, autoridades e povo, civis, militares e eclesiásticos, ricos e pobres, tudo aí se encontra e se une, numa dignidade, numa simplicidade, num senso de hierarquia dos valores, que é a melhor e mais genuína beleza deste quadro tecnicamente excelente: a benção dos trigais no Artois, por Jules Breton.

Tanta variedade, dignidade e bem-estar da pessoa humana, mesmo quando modesta, tanta fé profunda, sem o fanatismo dos movimentos de massa suscitados pela técnica de propaganda moderna, fazem pensar na definição de povo, dada pelo Santo Padre Pio XII, na sua monumental alocução do Natal de 1944: (mais…)

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O que os Papas disseram sobre o socialismo (III)

Resumo: Socialização total é discutida por meio de textos de Pio XII sobre os riscos da concentração econômica e política. O artigo ressalta que a absorção das funções sociais pelo Estado ameaça a iniciativa individual, a família e a responsabilidade pessoal, transformando a pessoa em dependente de uma estrutura coletiva que pretende organizar toda a vida.

Gustavo A. Solimeo

Pio XII (1939-1958):

A socialização total tornaria pavorosa realidade a imagem terrificante do Leviatã

“Ademais, a proteção do indivíduo e da família, frente à corrente que ameaça arrastar a uma socialização total, em cujo fim se tornaria pavorosa realidade a imagem terrificante do Leviatã. A Igreja travará esta luta até o extremo, pois aqui se trata de valores supremos: a dignidade do homem e a salvação da alma”.[20]

Perigos da mentalidade socialista

Não se pode cair no erro de “retirar … o gerenciamento dos meios de produção da responsabilidade pessoal dos proprietários privados [indivíduos ou companhias] para transferi-lo à responsabilidade coletiva de grupos anônimos, [uma situação] que se acomodaria muito bem com a mentalidade socialista”[21].

João XXIII (1958-1963):


“Nenhum católico pode aprovar sequer o socialismo moderado” (mais…)

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