Esta santa, cuja festa comemoramos hoje, é uma das patronas da Irlanda, com São Patrício e São Columba. Fundou vários mosteiros e foi favorecida com o dom dos milagres.

Pai pagão, mãe escrava

Como são imperscrutáveis os desígnios de Deus! Santa Brígida, que se tornaria a padroeira da Irlanda, taumaturga, abadessa de milhares de monjas e um modelo de santidade, nasceu na escravidão, e fora do sagrado vínculo matrimonial!

Naquela época de muitas guerras, os vencidos, mesmo os de alta posição, se tornavam escravos dos vencedores com toda sua família. A futura santa nasceu pelo ano 451 em Gaughart, no condado de Louth, na que hoje é a Irlanda. Seu pai, um grande senhor, comprara uma escrava de muito bom parecer, também pagã, da qual enamorou-se, cometendo com ela o adultério. A escrava deu à luz a uma menina, que seria grande aos olhos de Deus. Como pagão, ele deu à filha o nome da deusa do fogo, uma das mais poderosas do seu culto.

Alguns dos biógrafos da Santa afirmam que, tanto ela quanto a mãe, foram convertidas por São Patrício.

Quando Brígida entrou na adolescência, como era muito formosa, o pai quis casá-la com um dos muitos pretendentes. Entretanto ela queria consagrar-se inteiramente a Deus. Segundo seus biógrafos, dando-se conta de que era sua beleza que atraía os jovens, rogou a Deus que a tornasse feia, de modo a afastá-los. Uma súbita moléstia na face provocou-lhe a cegueira de um olho, deixando-a tão disforme, que ninguém mais quis saber dela. O pai consentiu então que a filha se consagrasse a Deus.

Naquele tempo não havia ainda mosteiros na Irlanda, e as virgens consagradas viviam em suas próprias casas. Brígida recebeu o véu das mãos de São Maccaille, e fez sua profissão religiosa sob São Mel de Ardagh, que conferiu-lhe poderes de abadessa para reunir virgens sob sua direção, como ocorria no continente.

Ocorreu então, segundo o Martirológio Romano e seus primeiros biógrafos que, no dia em que recebeu o véu de virgem consagrada Brígida, tocando o altar de sua casa, que era de madeira seca, este floresceu. Outros de seus historiadores dizem que então voltou-lhe a vista e a formosura da face. Pois, segundo eles, não podia Nosso Senhor, no dia de suas núpcias, deixar de dar tal presente à sua eleita.

Brígida retirou-se então com outras sete virgens para uma região isolada onde erigiu um convento sob um grande carvalho.

Por volta do ano 470, a santa fundou também o mosteiro duplo de Cill Dhara, atual Kildare, com freiras e monges em prédios separados, estes últimos sob a direção de São Conleth. Junto ao mosteiro ergueu-se aos poucos uma vila, que veio a ser a sede metropolitana da província.

Segundo seus biógrafos, Santa Brígida escolheu São Conleth “para governar seu mosteiro duplo junto consigo mesma”. “Desse modo, por séculos, Kildare foi regido por uma dupla linha de abades-bispos e abadessas, sendo que a Abadessa de Kildare era considerada Superiora Geral de todos os conventos da Irlanda”.

O mosteiro tornou-se com o tempo um dos mais prestigiosos da Irlanda, famoso em toda a Europa cristã. Por indicação de Brígida, São Conleth foi eleito para a sé episcopal de Kildare.

Nesse mosteiro de Kildare Santa Brígida fundou uma escola de artes presidida pelo Santo, em que se executavam trabalhos em metal e iluminuras. Kildare foi assim o berço do “Livro dos Evangelhos” ou o “Livro de Kildare”, que se tornou tão famoso, que foi comentado por Giraldus Cambrensis, eclesiástico e historiador do País de Gales, um século depois. Infelizmente esta preciosidade desapareceu durante a Pseudo-Reforma Protestante.

Muitos milagres são atribuídos à santa, alguns um tanto embelezados pelo entusiasmo de seus seguidores. Afirmam estes que ela fazia muitos prodígios utilizando o Sinal da Cruz, expulsando demônios, fazendo ver os cegos, e curando leprosos.

Sendo São Patrício e Santa Brígida os padroeiros da Irlanda com São Columba, e ambos tendo sido escravos, certamente muita coisa haveria em comum entre eles.

Diz um dos biógrafos da santa: “Sua amizade com São Patrício é atestada pelo seguinte parágrafo do ‘Livro de Armagh’, um precioso manuscrito do século oitavo, cuja autenticidade está fora de dúvida: ‘… entre São Patrício e Santa Brígida, as colunas dos irlandeses, houve tão grande amizade e caridade, que eles não tinham senão um coração e uma mente. Através dele e dela Cristo operou muitos milagres’”.

Segundo a opinião mais provável, Santa Brígida faleceu em seu mosteiro de Kildare no dia 1º. de fevereiro do ano de 523, e foi enterrada na igreja de sua abadia. Consta que, para honrar sua memória, as religiosas do mosteiro instituíram um fogo sagrado perpétuo, que passou a ser chamado de “Fogo de Santa Brígida”.

 

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