De São Simplício praticamente nada sabemos antes dele subir ao trono pontifício. Segundo o “Liber Pontificalis”, ele era filho de um cidadão de Tivoli, mas nada sabemos da data de seu nascimento. Ele foi batizado com o nome de Castino, e trabalhou na Curia Romana, convivendo muito com o papa São Leão, pelo que adquiriu muita experiência no serviço da Igreja. Por isso, depois do falecimento do papa Hilário em 468, ele foi eleito para sucedê-lo, numa época muito tumultuada do mundo.

Durante seu pontificado, o Império do Ocidente chegou ao fim. Desde o assassinato de Valentiniano III, em 455, houve uma rápida sucessão de imperadores insignificantes, continuamente ameaçados pela guerra ou revolução.

Além da controvérsia com a seita Monofisita (o monofisismo tinha sido suscitado por Dióscoro, patriarca de Alexandria do Egito, e propagado pelo monge Êutiques. Sua tese central, que lhe deu o nome, era a de que em Jesus Cristo havia uma só natureza, a divina) Simplício defendeu vigorosamente a independência da Igreja e a autoridade da Sé Apostólica em questão de Fé contra o Cesaropapismo de Bizâncio. Isso porque, em 451, embora a doutrina ortodoxa fosse confirmada com clareza no Concílio de Calcedônia, que tomou como artigo de fé o documento de São Leão Magno, entretanto, apesar dos protestos dos legados papais, alguns bispos conseguiram pôr o famoso cânon 28, que reconhecia ao patriarca de Constantinopla os mesmo privilégios honoríficos de que gozava o Bispo de Roma. O Papa São Leão ignorou esse cânone, e confirmou somente os decretos dogmáticos desse concílio.

No entanto o Patriarca de Constantinopla quis pôr em vigor o tal cânone e, para isso, o imperador Leão II procurou obter do papa Simplício sua confirmação. O Papa entretanto rejeitou seu pedido, pois o cânone, além disso, limitava os direitos dos antigos patriarcados orientais.

Ocorreu também que, em 476, um general, Basílico, apossou-se do trono bizantino com o apoio do exército e dos monofisitas. Por um edito, estabeleceu que apenas os três primeiros sínodos ecumênicos deveriam ser aceitos. Rejeitou desse modo o Sínodo de Calcedônia, e a carta do papa São Leão.

Ora, todos os bispos da arquidiocese bizantina, por fraqueza, assinaram o edito. Porém, o bispo de Constantinopla, Acacio, vacilava, e esyava prestes a aderir ao edito, quando a firme posição da população, influenciada pelos monges que eram rigidamente católicos em suas opiniões, o moveu a se opor ao Imperador e a defender a fé ameaçada.

Os abades e os sacerdotes de Constantinopla se uniram ao papa Simplício, que fez todos os esforços para manter o dogma católico e as definições do Concílio de Calcedônia.

Em carta a Basílico de 10 de janeiro de 476, São Simplício afirma que: “Esta mesma norma da doutrina apostólica é firmemente mantida por (Pedro e) seus sucessores, a quem o Senhor confiou o cuidado de todo o redil de ovelhas, e a quem prometeu não deixá-lo até o fim dos tempos”.

Quando, em 477, Zeno expulsou o usurpador e reconquistou o trono, enviou ao papa uma confissão de fé genuinamente católica. Por sua vez Simplício, em 9 de outubro do mesmo ano, depois de lhe dar os parabéns por sua restauração ao poder, e o exortou a atribuir a vitória a Deus, que desejava desta forma restaurar a liberdade da Igreja.

Enfim esse Papa, que foi muito amado pelo povo católico e respeitado e temido pelos hereges, faleceu no dia 10 de março de 483.

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