https://www.artehistoria.com/es/obra/san-antelmo – Autor-Zurbaran

    A vida de Santo Antelmo foi escrita pelo seu capelão Guilherme, monge
da cartuxa de Portes, em Vita Sancti Antelmi, Bellicensis episcopi
ordinis Cartusiensis, ou seja, Vida de Santo Antelmo, bispo de Belley,
cartuxo. É nessa obra que se baseiam os hagiógrafos posteriores.

Santo Antelmo nasceu no ano de 1107. Era filho de Arduino, senhor do
castelo de Chignin, no Condado da Savoia, a 12 km de Chambéry. Segundo
a tradição, ele nasceu na fortaleza de Biquerne, na qual João Ruffin
de la Biquerne e os monges cartuchos haviam de edificar, depois de sua
canonização, uma capela em sua honra.

        Desde muito cedo o menino procurava mais a solidão que a vida agitada
dos grandes senhores da Corte. Sua maior alegria era a de ajudar a
Missa na catedral de São João, em Belley.
        Ele fez seus estudos em sua cidade natal. Na adolescência, embora
fosse muito generoso e tivesse sólidos princípios, deixou-se levar
pelos atrativos das coisas do mundo. Ainda novo, tendo recebido um
benefício eclesiástico em Belley, para lá se mudou. Muito esmoler,
empregava as rendas do benefício em auxiliar os pobres. Mas não
passara por sua cabeça tornar-se religioso.
        Contudo, a voz da graça o chamava para uma vida mais perfeita. Ao
visitar Bozon, seu parente, que era monge e procurador da Cartuxa de
Portes, vendo os exemplos dos monges, sentiu-se interiormente
inclinado a entrar nessa Cartuxa.
        Distribuiu seus bens pelos pobres, recebendo o hábito de São Bruno no
ano de 1137, aos 25 anos de idade. Aos 28 anos foi ordenado sacerdote.
        Ocorreu então que, sua fama de administrador talentoso o levou à
Grande Cartuxa. Nela, após completar o noviciado, foi nomeado
procurador e administrador dos bens. A Grande Cartuxa havia sido
severamente danificada por uma avalanche em 1132, e passava então por
um período muito difícil. Antelmo cuidou com todas suas energias da
reconstrução material e moral da comunidade, da qual em 1139, com a
renúncia de Ugo I, se tornou o sétimo prior.
        Ele aumentou o território do mosteiro, mandou construir novos
edifícios, aumentar o muro da clausura, e construiu aqueduto para
conter as águas da neve derretida. Desenvolveu também as plantações e
os currais.
Depois disso, procurou fazer seus monges a voltar a respeitar a
primitiva simplicidade da Regra o que, com o acidente, estava decaída.
Ao mesmo tempo procurou estreitar os laços entre as várias casas da
Ordem. O que resultou que, no Capítulo Geral de 1142, ficou
estabelecido que o prior da Grande Cartuxa era também o general da
Ordem, a que todos deviam obedecer, pois até então vários priores
estavam sujeitos apenas ao bispo de sua diocese.
Mais tarde o santo abade encarregou o monge João de Espanha de redigir
a regra que deveria regular as casas das monjas cartuxas.
A fama de Antelmo, como primeiro general dos Cartuxos, cresceu
enormemente, e atraiu muitos nobres que desejavam seguir seu exemplo,
para sua Cartuxa.

        Ocorreu então que, em 1149, tendo um cartuxo de Portes sido eleito
bispo de Grenoble, começaram a surgir conflitos entre os monges, e
alguns deixaram o mosteiro para se apresentar suas queixas perante os
tribunais. Quando o papa Eugênio resolveu a disputa, Santo Antelmo
impôs uma penitência aos cartuxos culpados, mas o papa os reintegrou à
Ordem sem quaisquer formalidades, o que levou o abade a renunciar.
        Contudo, em 1152 o fundador da Cartuxa de Portes conseguiu que o
santo fosse designado para sucedê-lo. Embora mantendo o cargo por
pouco tempo, com sua grande caridade foi chamado de “pai dos pobres”.
Por isso algumas de suas imagens o retratam acolhendo pessoas de todas
as idades para ajuda-las espiritual e materialmente.
        Quando houve o Grande Cisma do Ocidente, Antelmo ficou do lado do
papa Alexandre, legitimamente eleito, e lhe angariou o apoio da
França, Espanha e Inglaterra.
        Em 1163 o papa nomeou o santo bispo de Belley. Embora relutasse em
aceitar, fe-lo por espírito de obediência, e começou a colocar em
ordem sua diocese, principalmente a obrigar os sacerdotes que se
dedicassem à sua missão, pois muitos não observavam o celibato
eclesiástico. Suspendeu de ordens àqueles que não quiseram obedecer.
        Finalmente, o Santo bispo foi vítima de sua caridade. Quando
distribuía alimentos aos necessitados em um período de escassez,
voltou para casa com muita febre, e acabou falecendo na sua diocese de
Belley. Era o dia 26 de junho de 1178, ele tinha 71 anos. Ele
foi escolhido como padroeiro de Belley.
Durante a satânica Revolução Francesa, seu túmulo foi profanado, mas
as relíquias de Antelmo não foram dispersas. E, em 30 de junho de
1829, o bispo de Belley colocou-as em um belo relicário, que no final
do século foi substituído por outro de bronze oferecido pela Grande
Cartuxa.
Antelmo foi canonizado em 1368 por Urbano V.

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