Nuestra Señora de los Dolores - Servitas (Sevilla) (2)

Há erros funestíssimos entre os católicos brasileiros, e que com extraordinária oportunidade devem ser desmascarados na Semana Santa. Pouco nos importa que outros não cumpram o seu dever. Cumpramos o nosso. E depois de termos feito todo o possível, resignemo-nos diante da avalanche que vem. Porque, ainda que pereçam o Brasil e o mundo inteiro, ainda que a própria Igreja seja devastada pelos lobos da heresia, ela é imortal. Singrará as águas revoltas do dilúvio. É de dentro de seu seio sagrado que sairão depois da tempestade, como Noé da arca, os homens que hão de fundar a civilização de amanhã.

Mas é aí que não querem chegar certos católicos. Eles só compreendem Cristo sobre um trono de glória, só Lhe são fiéis nos dias parecidos com o Domingo de Ramos, quando a multidão O aclama. Para eles, Cristo deve ser um rei terreno, deve dominar o mundo constantemente. E se a impiedade dos homens O reduz de rei a crucificado, de soberano a vítima, não mais se importam com Ele.

Cristo quis passar por todos os opróbrios, todos os vexames, todas as humilhações, mostrando que a História da Igreja também teria seus calvários, suas humilhações, suas derrotas, e que muito mais meritória era e é a fidelidade no Gólgota do que no Tabor.

Foi para ensinar homens assim, que Nosso Senhor se submeteu a todas as humilhações no Calvário. Há pessoas de uma mentalidade detestável, que julgam absolutamente natural o Redentor sofrer, a Igreja ser vexada, humilhada, perseguida. “É a Paixão de Cristo que se repete”, dizem eles. E enquanto essa Paixão se repete, levam sua vida farta e cômoda nas orgias, nas imundícies, na exacerbação de todos os sentidos e na prática de todos os pecados. Para tais indivíduos é que foi feito o látego com que foram expulsos os vendilhões do Templo.

Não é verdade que devamos cruzar os braços ante as investidas dos inimigos da Igreja. Não é verdade que devamos dormir enquanto se renova a Paixão. O próprio Cristo recomendou que seus Apóstolos orassem e vigiassem. E se devemos aceitar os sofrimentos da Igreja com a resignação com que Nossa Senhora aceitou os padecimentos de seu Filho, não é menos exato que será um motivo de eterna condenação para nós, se nos portarmos ante as dores do Salvador com a sonolência, a indiferença e a covardia de discípulos infiéis.

A verdade é esta: devemos estar sempre com a Igreja, “porque só ela tem palavras de vida eterna”. Se ela é atacada, lutemos por ela. Mas lutemos como mártires, até a efusão de nosso sangue, até o nosso último recurso de energia e de inteligência. Se, apesar disso tudo, ela continuar a ser oprimida, soframos com ela, como São João Evangelista ao pé da Cruz. E estejamos certos de que, neste mundo ou no outro, Jesus misericordioso não nos privará do esplêndido prêmio de assistirmos à sua glória divina e suprema.


Publicado no Jornal Legionário, nº 236, 21/03/1937.

COMPARTILHAR
Artigo anteriorA Paixão de Cristo revive na Paixão da Igreja
Próximo artigoComentários sobre a Ressurreição
Plinio Corrêa de Oliveira
Homem de fé, de pensamento, de luta e de ação, Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995) foi o fundador da TFP brasileira. Nele se inspiraram diversas organizações em dezenas de países, nos cinco continentes, principalmente as Associações em Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), que formam hoje a mais vasta rede de associações de inspiração católica dedicadas a combater o processo revolucionário que investe contra a Civilização Cristã. Ao longo de quase todo o século XX, Plinio Corrêa de Oliveira defendeu o Papado, a Igreja e o Ocidente Cristão contra os totalitarismos nazista e comunista, contra a influência deletéria do "american way of life", contra o processo de "autodemolição" da Igreja e tantas outras tentativas de destruição da Civilização Cristã. Considerado um dos maiores pensadores católicos da atualidade, foi descrito pelo renomado professor italiano Roberto de Mattei como o "Cruzado do Século XX".

1 COMENTÁRIO

  1. NÃO É A IGREJA QUE TEM PALAVRAS DE VIDA ETERNA. MAS SIM CRISTO: QUANDO AS PESSOAS SE RETIRARAM POR CAUSA DAS PALAVRAS DURAS DE CRISTO, E SE VIROU PARA OS APOSTOLOS E DISSE: QUEREIS VÓS TAMBÉM RETIRAR – VOS? AO QUE PEDRO E OS APÓSTOLOS DISSERAM: PARA ONDE IREMOS NÓS, POIS SÒMENTE TÚ TENS PALAVRAS DE VIDA ETERNA. NÃO VAMOS POIS CONFUNDIR, À IGREJA COMPETE PREGAR ESSA PALAVRA DE VIDA ETERNA AOS PERDIDOS DE ISRAEL E DO MUNDO, ATÉ OS CONFINS DA TERRA. A IGREJA NÃO É CRISTO, A IGREJA É O CORPO DE CRISTO CONFORME NOS ENSINA O APÓSTOLO PAULO.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor deixe seu comentário!
Por favor insira seu nome