Ckf1BPKWEAAcWugUm homem belga, de 39 anos, quer fazer eutanásia conforme as leis de seu país, onde esta prática é permitida. Por causa da sua homossexualidade, ele disse que se “tornou um prisioneiro do próprio corpo”. [1]

Identificado apenas como Sebastian, o homem apela para o “direito de morrer com dignidade”. Para isto será necessário concordarem apenas três médicos; basta o paciente demonstrar “sofrimento físico ou mental constante e insuportável”.

Em entrevista à BBC, o homem declarou: “Eu sempre pensei sobre a morte. É um sofrimento permanente, como ser um prisioneiro em meu próprio corpo. Uma constante sensação de vergonha”.

Perguntado se ele poderia mudar de ideia de suicídio, ele respondeu: “Se alguém pudesse me dar algum tipo de cura milagrosa, por que não? Mas, por agora, eu realmente não acredito mais.”

Também na Bélgica, em 2013, Nathan, nascido Nancy Verhelst, morreu por eutanásia depois que a sua operação de mudança de sexo a deixou com “sofrimento psicológico insuportável.”  [2]

Verhelst teve terapia hormonal em 2009, fez mastectomia e cirurgia para a construção de um órgão sexual masculino em 2012. Contudo, “nenhuma dessas operações trabalhou como desejado”, declarou.

“Eu estava pronta para celebrar meu novo nascimento”, disse ela ao jornal. “Mas quando eu me olhei no espelho, eu fiquei com nojo de mim mesma. Em meus novos seios não se encontraram as minhas expectativas e os meus novos órgãos sexuais tinham sintomas de rejeição. Eu não quero ser … um monstro. “

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Desde o início do cristianismo a Igreja Católica condenou a eutanásia. Um dos primeiros escritores cristãos, Lactâncio, (240-320 dC) assim se expressou sobre os doentes terminais: “São inúteis para os homens, mas são úteis para Deus, que lhes conserva a vida, lhes dá o espírito e lhes con­cede a luz“.

A eutanásia, sejam quais forem as formas e os motivos, constitui um assassinato. É gravemente contrária à dignidade da pessoa e ao respeito que se tem por Deus, nosso Criador. Conforme o Catecismo da Igreja Católica, “cada um é responsável pela vida diante de Deus, que lha deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para honra e salvação de nossas almas. Somos os administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela.” (C.I.C 2280)

Pio XII, em discurso de12 de setembro de 1947, declarou:  “Não basta que o coração seja bom, sensível e ge­neroso; também deve ser sábio e forte… Uma destas falsas piedades é a que pretende justificar a eutanásia e tirar o homem do sofrimento purificador e meritório, não por meio de um consolo louvável e caritativo, mas com a morte, como se faz com um animal irracional e sem imortalidade”.

A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé condenou com firmeza a eutanásia em declaração de 5 de maio de 1980. Segue o texto:

“Por eutanásia, entendemos uma ação ou omissão que, por sua natureza ou nas intenções, provoca a morte a fim de eliminar toda a dor. A eutanásia situa-se, portanto, ao nível das intenções e ao nível dos métodos empregados

Ora, é necessário declarar uma vez mais, com toda a firmeza, que nada ou ninguém pode autorizar a que se dê a morte a um ser humano inocente seja ele feto ou embrião, criança ou adulto, velho, doente incurável ou agonizante. E também a ninguém é permitido requerer este gesto homicida para si ou para um outro confiado à sua responsabilidade, nem sequer consenti-lo explícita ou implicitamente. Não há autoridade alguma que o possa legitimamente impor ou permitir. Trata-se, com efeito, de uma violação da lei divina, de uma ofensa à dignidade da pessoa humana, de um crime contra a vida e de um atentado contra a humanidade.

Pode acontecer que dores prolongadas e insuportáveis, razões de ordem afetiva ou vários outros motivos, levem alguém a julgar que pode legitimamente pedir a morte para si ou dá-la a outros. Embora em tais casos a responsabilidade possa ficar atenuada ou até não existir, o erro de juízo da consciência — mesmo de boa fé — não modifica a natureza deste gesto homicida que, em si, permanece sempre inaceitável. As súplicas dos doentes muito graves que, por vezes, pedem a morte, não devem ser compreendidas como expressão duma verdadeira vontade de eutanásia; nestes casos são quase sempre pedidos angustiados de ajuda e de afeto. Para além dos cuidados médicos, aquilo de que o doente tem necessidade é de amor, de calor humano e sobrenatural, que podem e devem dar-lhe todos os que o rodeiam, pais e filhos, médicos e enfermeiros.” [3]

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Abyssus abyssum invocat (Um abismo atrai outro abismo), diz um velho adágio. Assim, de abismo em abismo se chega a um ponto que aparentemente não tem volta. E a pessoa quer sempre mais fruir a vida. Mas, como o demônio nunca dá o que promete, essa procura desenfreada pelos prazeres pode levar a pessoa ao desespero e ao suicídio.

Entretanto, quem tem fé sabe que o fim desta vida terrena é apenas o início de outra que não terá fim. O Catecismo da Igreja Católica ensina que “o suicídio é gravemente contrário a Justiça, à esperança e à caridade. É proibido pelo quinto mandamento” (C.I.C 2325). Assim, objetivamente falando,  se a pessoa comete o suicídio com toda a consciência do seu ato, e não tiver tempo para se  arrepender, não se salva, pois morre em estado de pecado grave.

Referências:

[1] http://www.telegraph.co.uk/news/2016/06/11/gay-man-in-belgium-asking-to-be-euthanised-because-he-cannot-cop/

[2] http://www.huffingtonpost.co.uk/2013/10/02/nathan-verhelst-belgian-man-euthanasia-failed-sex-change-operation_n_4028182.html

[3]http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19800505_euthanasia_po.html

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