O presidente do Partido Comunista do Chile, Lautaro Carmona, durante uma recente visita à infeliz ilha de Cuba, fez os mais absurdos elogios ao ex-ditador das Antilhas: “Nós, comunistas chilenos, temos a honra de participar deste colóquio centenário do camarada Fidel […] um traço essencial de sua ética, seu humanismo, sua humanidade, que não conhecia limites”.* Para o líder comunista chileno, entretanto, nem tudo são flores. O avanço da direita é considerado, nessas mesmas declarações, como “o perigo mais significativo que a humanidade enfrenta. A expressão recalcitrante da extrema-direita fascista está se consolidando em nossos países”.
As apreensões do comunista chileno sobre a expansão de governos de direita no continente fazem mais sentido do que sua ladainha em favor do falecido ditador das Antilhas.
De fato, em nenhum período histórico recente se observou uma sequência tão grande de resultados eleitorais favoráveis a candidatos de direita e fracassos tão retumbantes da esquerda.
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Guinada à direita na Argentina
Tudo começou com o fracasso do kirchnerismo na Argentina e a ascensão do candidato Javier Milei, o mais opositor ao projeto socialista peronista, com 55,65% dos votos. Milei foi eleito em 10 de dezembro de 2023 e, posteriormente, em outubro do mesmo ano, seu partido, “La Libertad Avanza (LLA)”, obteve aproximadamente 40,7% dos votos em âmbito nacional, confirmando assim a guinada à direita nas preferências da opinião pública argentina.
Enquanto isso, a ex-presidente Cristina Kirchner enfrenta um processo judicial particularmente desfavorável.
A partir da Argentina, a sucessão de resultados eleitorais que favorecem as posições mais à direita nos respectivos países justifica a visão alarmante com que esses resultados são encarados pelo comunismo internacional.
Fracasso do retorno da esquerda equatoriana Em 13 de abril de 2025, no Equador, Daniel Noboa foi reeleito presidente com 55,63% dos votos, derrotando a candidata Luisa González, que tinha o apoio dos partidários do ex-presidente Rafael Correa, que aspirava retornar ao Equador por meio de sua candidatura.
Seus planos, porém, fracassaram. O mentor da candidata González foi forçado a permanecer na Bélgica, fora do alcance da justiça equatoriana, enquanto uma condenação e outros processos judiciais pendentes pairam sobre ele.
Bolívia e Honduras derrotam a esquerda Apenas quatro meses depois, em 17 de agosto do mesmo ano, a Bolívia teve a oportunidade de se juntar a essa onda de vitórias anticomunistas.
No primeiro turno, Rodrigo Paz venceu com aproximadamente 32,1% dos votos, enquanto Jorge Quiroga obteve cerca de 27,3%. No total, os dois candidatos de centro-direita obtiveram a maioria absoluta dos votos.
O resultado do segundo turno, que concedeu a vitória ao candidato de centro-direita, Rodrigo Paz, marcou o fim de quase duas décadas de domínio do Movimento para o Socialismo (MAS-IPSP), liderado por Evo Morales.
Assim como os ex-presidentes da Argentina e do Equador, Evo Morales permanece foragido da justiça boliviana, refugiando-se em seu reduto político e evitando comparecer ao tribunal para se defender das graves acusações que lhe são imputadas.
Em novembro, Honduras aderiu a essa onda de rejeição à esquerda. No dia 30 de novembro, o candidato de direita, Nasry Asfura, venceu uma disputa acirrada e prolongada com 40,26% dos votos.
Chile e Costa Rica confirmam tendência à direita Menos de um mês depois, em 14 de dezembro, o Chile vivenciou uma das mudanças políticas mais significativas da região. José Antonio Kast, posicionado bem à direita do espectro político, obteve expressivos 58,2% dos votos, derrotando a candidata comunista Jeannette Jara.
O resultado reafirmou a tendência que varre a América Latina: o avanço inexorável das opções de direita e a rejeição eleitoral dos candidatos de esquerda.
Mas não parou por aí. Em 1º de fevereiro deste ano, a Costa Rica também aderiu a essa tendência. Laura Fernández, candidata de direita e sucessora do projeto político do presidente Rodrigo Chávez, obteve quase 50% dos votos e venceu no primeiro turno. Seu partido também alcançou um resultado histórico no Parlamento, aumentando sua representação de 8 para 30 das 57 cadeiras, garantindo uma ampla maioria legislativa.
O resultado na Costa Rica confirmou que a guinada política à direita não foi um fenômeno isolado, mas sim uma tendência que continua a se propagar por toda a região.
Colômbia e Peru também rumaram à direita Mas a reação em cadeia não se deteve aí. Recentemente, Colômbia e Peru também entraram no novo mapa político latino-americano. Na Colômbia, a derrota de Iván Cepeda significou o fim do governo de Gustavo Petro e a ascensão de Abelardo de la Espriella, um candidato considerado por comentaristas políticos muito à direita e com um discurso católico tradicional.
Entre suas promessas, de la Espriella espera consagrar novamente a Colômbia ao Sagrado Coração de Jesus.
No Peru, Keiko Fujimori derrotou o esquerdista Roberto Sánchez e trouxe o fujimorismo de volta ao Palácio Presidencial.
Assim, o que inicialmente poderia ter parecido uma série de episódios isolados adquiriu as características de uma clara tendência continental.
Argentina, Equador, Bolívia, Honduras, Chile, Costa Rica, Colômbia e Peru: oito países nos quais, com diferentes graus de intensidade e sob diferentes lideranças, o eleitorado se deslocou para a direita ou centro-direita.
A essa lista de nações que escolheram candidatos de direita, poderíamos acrescentar o presidente Bukele, que, desde sua eleição como presidente de El Salvador em 2019, tem adotado posições cada vez mais caracterizadas por sua ênfase em segurança, ordem e combate frontal ao crime, e que tem sido uma referência para os candidatos mencionados nessas questões.
Os novos governos corresponderão às esperanças anticomunistas?
Essa sequência de fracassos das opções de esquerda explica as já citadas declarações do comunista chileno Lautaro Carmona, que afirmou estarmos diante do “perigo mais significativo que a humanidade enfrenta.
A expressão recalcitrante da extrema-direita fascista está se consolidando em nossos países”.
Aqueles que veem esses resultados com bons olhos não podem deixar de se perguntar se eles serão duradouros ou se representam apenas um breve alívio. Parece cedo demais para responder a essa importante questão; contudo, algumas conjecturas podem ser feitas.
É evidente que a guinada à direita na América Latina não é resultado de uma conversão ideológica repentina. É, antes de tudo, resultado de um voto de protesto: um protesto contra a insegurança, contra o declínio econômico, contra a corrupção, contra a imigração descontrolada e contra governos de esquerda caracterizados por um populismo demagógico na esfera cultural e por uma tendência estatista fracassada na área econômica.
Portanto, cabe aos novos governos corresponder às expectativas que criaram e não abandonar os princípios que os levaram ao poder. Se atenderem a essas expectativas, garantirem o crescimento de suas respectivas economias e restaurarem o Estado de Direito, certamente conseguirão transferir o poder para novos candidatos de seu setor.
Rogamos à Divina Providência que conceda orientação especial a esses governantes e os conduza pelo caminho de uma verdadeira civilização cristã. d *
Cfr. “Carmona (PC) alaba a Fidel y dice que avance de la derecha es el principal ‘peligro’ para la ‘humanidad’”, “EL Mercurio”, 12 de agosto, 2026.
Fonte: Catolicismo — https://catolicismo.com.br/internacional/america-latina-rejeicao-continental-aos-candidatos-de-esquerda




