A visita do líder chinês Xi Jinping rapidamente vai ficando no passado. Depois da extravagância em homenagem ao líder do Partido Comunista Chinês, os norte-americanos ficaram com poucos resultados concretos da cúpula que, supostamente, teria realizado muito. O relato do The New York Times caracterizou o evento como “carregado de cerimônia e escasso em resultados”.
De fato, o evento teve muito mais a ver com coreografia do que com questões concretas. Nesse caso, a encenação valeu muito mais para os chineses do que qualquer acordo. O objetivo chinês era transmitir uma atmosfera de confiança entre as duas nações. Para reforçar essa impressão, um elaborado jantar de Estado proporcionou uma plataforma repleta de representantes do Vale do Silício e favorável ao establishment financeiro, a fim de transmitir a mensagem de que todos compartilhavam o mesmo otimismo desgastado, tantas vezes manifestado em cúpulas anteriores.
A necessidade de um choque de realidade
Essas impressões chocam-se frontalmente com a realidade da China. Todos sabiam disso e, assim, a cúpula, com toda a sua exuberante extravagância, terminou com uma nota amarga de falsidade.
O elaborado evento não alterou o fato de que a China continua sendo uma nação adversária que trabalha ativamente para solapar os interesses norte-americanos. A China ainda oprime seu povo, como evidencia o caso do empresário católico Jimmy Lai, mantido na prisão.
A atual política em relação à China trata um inimigo como amigo. Ela segue abertamente uma linha que prepara os Estados Unidos para combater a China no Pacífico, ao mesmo tempo que continua a fazer negócios com o país, acumulando enormes déficits comerciais. Os Estados Unidos estão envolvidos em conflitos nos quais a China ajuda o inimigo. Essas políticas norte-americanas contraditórias não fazem sentido. Não se pode confiar na China.
Razões para a desconfiança
É possível escolher, quase ao acaso, seis razões pelas quais não se pode confiar na China entre as reportagens da imprensa sobre as políticas chinesas publicadas por volta da época da cúpula.
Em primeiro lugar, o escandaloso roubo de propriedade intelectual praticado pela China prossegue sem trégua, em prejuízo de empresas norte-americanas e europeias. O Gatestone Institute publicou um artigo intitulado “A China não é nossa amiga”. O texto apresenta exemplos recentes de como a China compra empresas ocidentais, despoja-as de sua propriedade intelectual, tecnologia e conhecimento técnico em benefício de “empresas-espelho” na China e, depois, fecha as companhias ocidentais.
Uma segunda razão é que a China fornece, cada vez mais, componentes para drones e armas aos hutis, que os utilizam para interromper o abastecimento mundial de petróleo. Essa ajuda compromete a segurança mundial, eleva os preços do petróleo e prejudica gravemente a rota vital do Mar Vermelho para o tráfego marítimo.
“O Irã tem uma arma secreta em sua guerra contra os Estados Unidos: a ajuda da China.” Esse é o título de um artigo de 23 de setembro publicado no The Wall Street Journal. Entidades chinesas enviaram milhares de componentes essenciais utilizados em mísseis e drones. Segundo relatos, o Irã utilizou imagens de satélite fornecidas por entidades chinesas para direcionar ataques contra bases norte-americanas, entre eles um que matou três soldados dos Estados Unidos.
Uma terceira razão é a compra, pela China, de 80% do petróleo exportado pelo Irã. Os recursos das aquisições chinesas sustentam o regime e o ajudam a permanecer no poder.
Armas secretas e compromissos não cumpridos
Uma quarta razão para uma séria desconfiança é que o governo de Xi está ampliando seu arsenal nuclear em sete instalações secretas. Um artigo do The Telegram informa que imagens de satélite revelam obras de grande porte em instalações nucleares, o que, segundo especialistas, está levando a uma expansão sem precedentes de seus programas de armamentos. Esse fortalecimento ocorre apesar das repetidas declarações de Xi Jinping de que as armas nucleares deveriam ser proibidas e destruídas.
A quinta razão é que a China prontamente promete comprar mais produtos norte-americanos, mas muitas vezes não cumpre o prometido. Pouco antes da cúpula, um artigo do New York Times informou que a China ainda não havia comprado os 22,7 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos que prometera adquirir na cúpula anterior. Também estava “um pouco atrasada no cronograma” quanto à compra de US$ 17 bilhões em outros produtos agrícolas norte-americanos.
Enquanto isso — e esta é a sexta e última razão —, a China Vermelha está inundando os Estados Unidos e o Ocidente com sua produção excedente.
Alguns dizem que tudo o que os Estados Unidos têm a apresentar como resultado de seus esforços para agradar Xi são os dois pandas-gigantes que o ditador enviou por empréstimo ao Zoológico de Atlanta durante dez anos…
Chega de ilusões
As razões para a desconfiança mencionadas acima somam-se a muitas outras preocupações, que vão desde a acirrada competição pelo domínio da IA até as ameaças a Taiwan, aliada dos Estados Unidos. A China está claramente agindo como um adversário sorridente à espera de oportunidades para atacar. Os Estados Unidos, infelizmente, comportam-se como um jogador otimista que espera que o pior não aconteça.
No entanto, o pior pode acontecer. Os Estados Unidos precisam desenvolver políticas que reflitam a realidade, e não ilusões. Até que isso aconteça, a China continuará avançando em seus esforços para destruir os Estados Unidos, e Jimmy Lai continuará definhando na prisão.
Fonte: The American TFP — https://www.tfp.org/the-summit-is-over-six-reasons-why-we-cant-trust-red-china




