No momento, você está visualizando 06/10 Santa Fé de Agen e seus companheiros mártires
Crédito: Editorial

Diante do prefeito Daciano, Santa Fé fez o sinal da cruz e pediu a Nosso Senhor a força necessária para responder de modo digno. A jovem cristã, natural de Agen, na Aquitânia, havia sido presa durante a perseguição movida contra os fiéis sob os imperadores Diocleciano e Maximiano. Nem as promessas feitas em consideração à sua juventude e beleza, nem a ameaça dos tormentos conseguiram afastá-la da religião que professava desde a infância.

Quando Daciano lhe perguntou o nome, ela respondeu chamar-se Fé e declarou que procurava corresponder, por sua vida, ao significado desse nome. Interrogada a respeito de sua religião, afirmou que desde menina servia a Cristo e que a Ele havia consagrado toda a sua alma.

Promessas, ameaças e uma resposta sem ambiguidade

O prefeito tentou inicialmente apresentar-se com brandura. Convidou a jovem a preservar a própria vida, renunciar à fé cristã e oferecer sacrifício a Diana. Em troca, prometeu-lhe preciosos dons.

Santa Fé não aceitou a proposta. Declarou que não poderia prestar culto às divindades pagãs. Daciano abandonou então o tom persuasivo e exigiu que ela escolhesse imediatamente entre o sacrifício e os tormentos.

A ameaça não produziu o efeito esperado. Recordando a coragem dos mártires e a recompensa prometida aos que perseverassem até o fim, Santa Fé manifestou-se pronta para sofrer por Cristo e morrer por Ele. Sua constância não consistiu numa recusa impensada da vida, mas na determinação de não conservar os bens terrenos mediante a negação de Nosso Senhor.

O suplício e a conversão dos espectadores

Daciano mandou que fosse preparado um leito de bronze. Presa a ele com correntes de ferro, a jovem foi submetida ao fogo aceso por baixo, intensificado com óleo e outros materiais inflamáveis.

A cena despertou compaixão e horror entre os presentes. Alguns protestaram contra a crueldade de atormentar uma virgem inocente apenas porque adorava a Deus. A indignação, porém, teve consequências imediatas: Daciano mandou prender muitos daqueles espectadores.

Intimados também a oferecer sacrifícios, eles se recusaram. Foram então condenados à decapitação juntamente com Santa Fé. Desse modo, o exemplo da jovem mártir não permaneceu isolado. Sua firmeza fortaleceu outras pessoas no momento em que também elas precisaram escolher entre a apostasia e a fidelidade.

Uma fidelidade que deu coragem aos demais

O martírio de Santa Fé mostra a força do bom exemplo. As palavras podem ensinar uma virtude, mas a conduta de quem a pratica em circunstâncias extremas torna visível o seu verdadeiro alcance. Os companheiros da santa viram que a fé podia ser conservada mesmo diante do sofrimento e, movidos por esse testemunho, alcançaram a mesma coroa do martírio.

A vida de Santa Fé convida a examinar se as graças recebidas produzem frutos concretos. Sua coragem esteve unida à oração: antes de responder ao perseguidor, ela pediu o auxílio de Cristo. Não confiou apenas nas próprias forças, mas permaneceu fiel Àquele a quem havia consagrado toda a alma desde a infância.

A Igreja recorda nela uma jovem que correspondeu plenamente ao próprio nome. Entre promessas sedutoras e ameaças cruéis, Santa Fé não negociou aquilo que pertencia a Deus. Sua constância tornou-se ainda mais fecunda porque ajudou outros cristãos a perseverarem.

Deixe um comentário