“Comecemos por fixar algumas das características da doutrina Católica e da civilização cristã tal como esta última se realizou durante a Idade Média. Notemos antes de tudo que a concepção católica de Deus e da criação é essencial e profundamente hierárquica:

     “1 — Deus é um ser pessoal e transcendente, o Ser por excelência, que possui em si toda a vida e todas as perfeições. Os outros seres foram criados por Deus do nada, e voltariam ao nada se a todo o momento Deus não lhes conservasse a existência. Suas qualidades não são senão um reflexo das perfeições de Deus. Seu único fim é servir e dar glória a Deus. Entre Deus e as Criaturas há, pois, a mais profunda desigualdade que se possa imaginar.

                                    Desigualdade nas Criaturas

“2 — As criaturas por sua vez, são desiguais entre si. Os Anjos são puros espíritos. Abaixo deles estão os homens, ao mesmo tempo espirituais e materiais. Vêm depois, em ordem decrescente, os animais, os vegetais e os minerais. Em cada uma destas categorias, há ainda numerosas hierarquias. Para só falar dos seres inteligentes, os Anjos estão divididos em nove coros superpostos e desiguais entre si. Os homens reunidos no seio da Igreja, foram criados por Deus para graus diferentes de santidade, e, segundo sua correspondência a este plano divino, ocupam posições desiguais aos olhos de Deus, nas fileiras da Igreja gloriosa, padecente ou militante. Estas desigualdades se traduzem num culto. O homem presta culto de latria a Deus, de dulia aos Anjos e aos Santos.

                              Nosso Senhor e Nossa Senhora

“3 — Dentro ainda destas desigualdades, não pode deixar do ser mencionada a pessoa divina e humana de Nosso Senhor Jesus Cristo, que enquanto Verbo Incriado “Deus de Deo, lumen de luminen”, é infinitamente superior a todas as criaturas e em sua humanidade é inferior por natureza aos Anjos, mas merece ser adorado pelos Anjos não só em sua divindade mas também em sua humanidade. E Nossa Senhora que, enquanto Mãe do Homem Deus, embora infinitamente inferior a Deus e inferior por natureza aos Anjos, é incomensuravelmente superior a estes aos olhos de Deus, como Mãe e como Santa, merecendo ser servida como rainha pelos Anjos!

                              Desigualdade na Igreja Militante

”    4 — Por sua vez, na estrutura da Igreja Militante quantas desigualdades! A Igreja se divide em duas classes radicalmente diversas: a Hierárquica a quem cabe ensinar, governar e santificar, e o povo ao qual cabe ser governado, ser ensinado e ser santificado. Por mais nítida que seja esta desigualdade, ainda deixa lugar para outro elemento de diversificação e de escalonamento. Entre a Hierarquia e os fiéis, “intercala-se o estado de vida religiosa que originando-se da própria Igreja, tem sua razão de ser e seu valor em sua íntima coesão com o fim da Igreja, que consiste em levar todos os homens à santidade” (Pio XII, alocução de 8-XII-1950, aos membros do I Congresso Internacional de Religiosos).

              Desigualdade oriunda na jurisdição e honra 

“5 — Como se não bastassem estas desigualdades na estrutura da Igreja, quantas diferenças de nível no âmago da própria Hierarquia, quer do ponto de vista da jurisdição, quer da honra: desde o simples minorista ao Diácono, e deste ao Presbítero, ao Cônego, ao Monsenhor, ao Bispo, ao Arcebispo, ao Patriarca, ao Cardeal e passemos sem maiores referências pelas diferenças entre os Cônegos honorários e catedráticos, as diversas modalidades de Monsenhorato, os Bispos titulares, auxiliares, coadjutores, diocesanos, os Arcebispos-Bispos e os Metropolitanos, os Cardeais Bispos até o Papa, que reúne em si a plenitude do governo, do magistério, do sacerdócio e da honra, quantos graus, quantos matizes, que inexaurível riqueza de desigualdades!

                                     Conceito de humildade

“6 — Chegamos aqui à pedra de toque desta parte de nossa exposição. Há uma virtude pela qual o homem ama a superioridade infinita de Deus, e a superioridade finita das criaturas que Deus constituiu acima dele como talento, formosura, poder, riqueza ou virtude: é a humildade. Esta virtude nos leva a sentir gáudio pelo que os outros têm a mais do que nós. Num mundo onde haja humildade, nada de mais amável e compreensível do que a hierarquia. Desde que a humildade cesse de existir, nada mais inevitável do que o ódio à hierarquia, a sede de nivelamento e conseqüentemente, a Revolução. Humildade e hierarquia; orgulho e Revolução são, pois, termos conexos. Daí o fato de que a primeira Revolução tenha sido o “Non serviam” do primeiro, do grande, do eterno orgulhoso”.                                    https://www.pliniocorreadeoliveira.info/1951_002_CAT_O_s%C3%A9culo_da_guerra.htm

* * *

Os seis pontos acima são  — per diametrum — o contrário da Teologia da Libertação, o contrário da doutrina do Sínodo da Amazônia o qual pressupõe nos índios uma religião que dispensa a Redenção, o Batismo, a Graça.

Deixe uma resposta