Após as mais desencontradas notícias a respeito do Sinodo da Família de 2015, o evento terminou com um documento ambíguo, que permite uma interpretação que contraria a doutrina católica abrindo as portas para a Comunhão aos divorciados e civilmente “re-casados (na realidade, adúlteros). O discurso final do Papa Francisco aumentou ainda mais a confusão ao afirmar que o Sinodo evitou “cair na fácil repetição do que é indiscutível ou já se disse”.

Estranha afirmação: então não se deve repetir as verdades da Fé por ser “fácil” fazê-lo e por terem já sido ditas? E como interpretar tal alegação à luz da incisiva exortação de São Paulo a Timóteo: prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir” (2 Tim. 4:2)?

Tanto mais quanto estamos na situação em que o mesmo Apóstolo previa, ao exortar seu discípulo: “Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas.”  (Idem 4:3-4).

Sim, a nossa época, mais do que nenhuma, exige a “repetição fácil” das doutrinas já ensinadas pela Igreja sobre o estado de pecado em que vivem os divorciados “re-casados” (objetivo estado de adultério) e os sodomitas pertinazes. É nessa repetição da doutrina constante que consiste a tradição da Igreja; e é assim que os sucessores de Pedro e dos Apóstolos: cumprem o mandato divino: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.” (Marc. 16:15).

Cardeal Kasper: “uma profunda teologia feita de joelhos”

O Papa Francisco, em seu discurso, não somente deixou de estabelecer a verdade face à confusão do documento sinodal, mas teceu duras críticas àqueles, entre os Padres Sinodais, que possuem “corações fechados,” que “se escondem mesmo por detrás dos ensinamentos da Igreja” sentando-se “na cátedra de Moisés” para julgar com “com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas.” Não é difícil ver que essas críticas se dirigem aos que, no Sínodo, defenderam a doutrina tradicional da Igreja em relação aos adúlteros.

Saint_Peters_Cathedra_RomeCom efeito, o Papa tem manifestado inúmeras vezes sua admiração pelas teses dos inovadores, tanto em suas entrevistas como, mais especialmente, pelos repetidos elogios e apoio dado ao Cardeal Walter Kasper, líder inconteste dessa corrente, cuja doutrina Francisco chegou a qualificar como uma “profunda teologia … fazer teologia de joelhos.”[1]

Preocupante programa de reforma da Igreja

Se o que aconteceu no Sínodo é sumamente preocupante, talvez o sejam ainda mais o programa apresentado pelo Papa Francisco para uma total reforma da Igreja.

Discursando na cerimônia de comemoração do quinquagésimo aniversário da instituição do Sínodo dos Bispos em 7 de Outubro de 2015, Francisco propôs-se implementar o processo de transformação da Igreja Católica numa “Igreja Sinodal”.

Examinando com atenção o referido discurso, vê-se que essa “sinodalização” da Igreja conduz a um abandono da estrutura hierárquica e monárquica da Igreja[2] e à adoção de formas igualitárias, nas quais o poder efetivo residiria na “base”, nos simples fiéis.

“Uma Igreja da escuta”

Segundo Francisco,Uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta. Isto é, em lugar da “Ecclesia docens” (a Igreja que ensina), teríamos uma “Ecclesia audiens (uma Igreja que “escuta”).

Como seria essa “Igreja da escuta”? O Papa Francisco diz que seria uma Igreja onde todos escutariam a todos: “Povo fiel, Colégio Episcopal, Bispo de Roma: cada um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo, o «Espírito da verdade» (Jo 14, 17), para conhecer aquilo que Ele «diz às Igrejas»” (Ap 2, 7).

Assim, a “Igreja da escuta” seria uma Igreja dirigida diretamente pelo Espírito Santo, à maneira pretendida pelas Igrejas Pentecostais, por meio de uma contínua locução do Paráclito, que apontaria os rumos e ensinaria as doutrinas diretamente a todo o “povo de Deus.”

A “Igreja sinodal” uma “pirâmide invertida”

Ora, se o Espírito dirige diretamente a Igreja e todos ─ desde o Papa aos simples fiéis ─ “ouvem” o que Ele diz e o comunicam uns aos outros — num diálogo permanente –, as doutrinas que se deve professar e os rumos que deve seguir a Igreja, cai por terra a noção tradicional da Igreja como sociedade perfeita, estruturada de maneira hierárquica e monárquica por instituição divina. Ela passaria a ser uma sociedade igualitária, uma sociedade de iguais.

Se todos são iguais, segundo a lógica democrática, o poder está na maioria, vem da base, do povo. E essa parece ser a concepção do Papa Francisco, o qual  não hesita em dizer  que “nesta Igreja, como numa pirâmide invertida, o vértice encontra-se abaixo da base,” lembrando os erros condenados do Febronionismo e do Sinodo Jansenista de Pistóia.[3]

A Igreja sinodal nasce da “base”

Falando sobre os organismos dos sínodos diocesanos ─ que ele afirma ser o “primeiro nível de exercício da sinodalidade” o Papa Francisco mostra o poder criativo da “base” da piramide: “Só na medida em que estes organismos permanecerem ligados a «base» e partirem do povo, dos problemas do dia-a-dia, é que pode começar a tomar forma uma Igreja sinodal.”

Saint_Peter_Receives_KeysA “escuta” ao Espírito Santo, embora igualitária teria, entretanto, três níveis: em primeiro lugar, a escuta do povo de Deus; depois, a dos bispos; por fim, a do Papa. Esta última “escuta” seria mais intensa uma vez que, segundo o discurso de Francisco, a “escuta do Bispo de Roma, chamado a pronunciar-se como ‘Pastor e Doutor de todos os cristãos.’”, ao qual cabe “Pastor e Doutor de todos os cristãos.”

Não fica claro, entretanto, se essa função docente do Papa ele a receberia diretamente de Nosso Senhor ou se ela emanaria do processo coletivo de “escuta.” Se na piramide invertida o poder encontra-se na base, a segunda hipótese parece ser a mais provável.

Por outro lado, o termo “escuta” do Espírito Santo é muito ambíguo, pois sugere que Ele continua a “falar” como no tempo dos Apóstolos, ou seja que a Revelação oficial não estaria terminada e que os dogmas evoluiriam continuamente. Ambas as proposições constituem erros condenados por São Pio X na heresia Modernista.[4]

A Cabeça da Igreja não é Pedro mas o Colégio Apostólico?

Surpreende a afirmação do Papa Francisco de que “Jesus constituiu a Igreja, colocando no seu vértice o Colégio Apostólico, no qual o apóstolo Pedro é a “rocha.” e que o Papel de São Pedro é apenas o de “confirmar os irmãos,” como uma espécie de primus inter pares (primeira entre iguais).

As palavras de Nosso Senhor, transmitidas por São Mateus (16:18), não deixam, no entanto, dúvidas quanto a ser São Pedro individualmente, e não o Colégio Apostólico, a cabeça ou o vértice  da Igreja: “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.”

Toda a tradição da Igreja interpretou essas palavras no sentido de que Jesus confiou diretamente a São Pedro o cargo de Pastor Supremo da sua Igreja.[5]

Logo em seguida afirma o Papa:

Mas nesta Igreja, como numa pirâmide invertida, o vértice encontra-se abaixo da base. Por isso, aqueles que exercem a autoridade chamam-se «ministros», porque, segundo o significado original da palavra, são os menores no meio de todos.

Equilíbrio entre desapego interior e apreço pela pompa exterior do cargo

Francisco não distingue com clareza o aspecto interior, relativo à vida espritual do detentor autoridade na Igreja, do aspecto exterior, jurídico-institucional, que se refere ao exercício do múnus recebido de Cristo.

Dessa forma, a exortação de Nosso Senhor a Seus discípulos para que eles, ao contrário das autoridades pagãs, sejam mansos e humildes, como Ele mesmo (Mt 20:25-27), é aplicada num sentido jurídico-institucional, sugerindo que as autoridades eclesiásticas devem despojar-se de seu poder institucional, assim como das honras próprias ao cargo, para  estabelecer um sistema igualitário na Igreja.

Não é essa a tradição da Igreja, nem foi como os inúmeros Papas santos conceberam o exercício da autoridade. Assim, São Pio X, que foi um exemplo acabado de humildade, mantinha o equilíbrio entre o desapego interior e o apreço pela pompa exterior que cercava o exercício de sua augusta função.

A humildade não se opõe à magnanimidade

Não existe contradição entre a verdadeira humildade e a magnanimidade, própria ao hierarca católico. Sobre a verdadeira humildade, assim explica o Pe. Pierre Adnès, no Dictionnaire de Spiritualité:

A humildade, diz o teólogo francês, “não torna o homem cego diante das qualidades, forças e poderes que estão nele. Ele sabe reconhecê-las, apreciá-las em seu justo valor e servir-se delas. Deste ponto de vista, pelo menos, a humildade não se opões à magnanimidade.” O humilde, continua ele, faz frutificar os dons recebidos mas relacionando-os sempre a Deus, fonte de todos os dons; quanto a si mesmo, “ele se considera como um servidor inútil.” [6]

“Implicações ecumênicas” da “Igreja Sinodal”

            “O compromisso de edificar uma Igreja sinodal” diz Francisco, “está cheio de implicações ecumênicas”.

Uma dessas implicações está em considerar o Papa apenas como um primus inter pares, à maneira da concepção dos cismáticos orientais. Assim diz Francisco que na “Igreja sinodal”,  o Papa é  um “baptizado entre baptizados” e, “dentro do Colégio Episcopal, como bispo entre os bispos,” com a missão “guiar a Igreja de Roma que preside no amor a todas as Igrejas.” Por isso, acentua Francisco, é preciso “pensar ‘numa conversão do papado’.”[7] Ele cita seu predecessor João Paulo II, o qual afirmou que era preciso encontrar um novo meio de exercer o Primado, “se abra a uma situação nova”.[8]

Lembremos, para concluir, a Profissão de Fé que o Segundo Concílio de Lião (1274) impôs a Michael Palaeologus:

Esta mesma Igreja Romana tem o sumo e pleno primado e princiapdo sobre toda a Igreja Católica que verdadeira e humildemente reconhece ter recebido com a pleniturde da potestade, das mãos do mesmo Senhor na pessoa do bem-aventurado Pedro, príncipe ou cabeça dos Apóstolos, cujo sucessor é o Romano Pontífice.[9]

Rezemos a Nossa Senhora, que em Fátima previu o castigo, caso o mundo não se convertesse, mas previu também o triunfo de seu Imaculado Coração, para que apresse essa vitória.


[1] Ainda recentemente, em sua visita à Igreja Luterana de Roma, respondendo a uma mulher protestante que queria receber a Comunhão na Igreja Católica, Francisco afirmou: “À pergunta sobre partilhar a Ceia do Senhor não é fácil para mim responder-lhe, sobretudo diante de um teólogo como o cardeal Kasper! Tenho medo!” http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2015/11/15/0888/01982.html.

[2] Sobre o caráter monáquico da Igreja, ver, por exemplo, São Pio X, Carta Ex quo, Denzinger n. 2147a; Charles Journet, The Church of the Word Incarnate, Sheed & Ward, 1955, 422-423; Billot, Tractatus de Ecclesia Christi, 1927, v. I, 524ss.

[3] Cf. Denzinger 1500-1512.

[4] São Pio X, Decreto Lamentabili, n. 21, Denzinger, 2021; Idem, Motu Proprio Sacrorum Antistitum, “Juramento contra os erros do Modernismo”, Denzinger n. 245.

[5] Cf. Denzinger, Índice sistemático, III a.

[6] Pierre Adnès, Humilité, Dictionnaire de Spiritualité, s.v.

[7] Evangelio gaudium, 32.

[8] Ut unum sint, 25 de Maio de 1995, 95.

[9] Denzinger n. 466.

7 COMENTÁRIOS

  1. “Carta aberta de um Arcebispo sobre a crise na Igreja.
    “É difícil acreditar que o Papa Bento XVI renunciou livremente ao seu ministério como sucessor de Pedro.”
    “Eu sou forçado a recorrer a este meio de expressão público porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.”
    “… Fica cada vez mais evidente que o Vaticano, através da sua Secretaria de Estado tomou a estrada do “politicamente correto”.

    Por Rorate-Caeli | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Rorate Caeli obteve uma cópia exclusiva da versão inglesa de uma rara carta aberta de um Arcebispo sobre a crise da Igreja.

    A carta, escrita por Sua Excelência Dom Jan Pawel Lenga, bispo emérito da Diocese de Karaganda, Cazaquistão, esperamos que sirva como um mais que providencial alerta para os católicos que enterraram a cabeça na areia por tanto tempo.
    Oremos para que mais outros irmãos seus no episcopado tenha a fé e a coragem de se levantar e fazer ouvir suas vozes antes que não haja mais nada o que defender.
    * * *
    Reflexões sobre alguns problemas da crise atual da Igreja Católica
    Eu tive a experiência de viver com os sacerdotes que estiveram nas prisões e campos Stalinistas e que, no entanto, permaneceram fiéis à Igreja. Durante o tempo de perseguição, eles cumpriram com amor o seu dever sacerdotal de pregar a doutrina Católica levando assim uma vida digna na imitação de Cristo, seu Mestre celestial.

    Eu completei meus estudos sacerdotais em um Seminário clandestino na União Soviética. Fui ordenado sacerdote secretamente durante a noite por um bispo piedoso que sofreu pessoalmente por causa da fé. No primeiro ano de meu sacerdócio, passei pela experiência de ser expulso do Tadzhikistão pela KGB.

    Subsequentemente, durante meus trinta anos de estadia no Cazaquistão, servi 10 anos como sacerdote, cuidando do povo fiel em 81 localidades. Então, eu servi 20 anos como bispo, inicialmente como bispo de cinco estados da Ásia Central numa área total de cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados.

    Em meu ministério como bispo, tive contato com o Papa São João Paulo II, com muitos bispos, sacerdotes e fiéis de diferentes países e nas mais diferentes circunstâncias. Eu fui membro de algumas assembleias do Sínodo dos Bispos no Vaticano, que abrangeu temas como: “Ásia” e “A Eucaristia”.

    Esta experiência, bem como os outras, deram-me a base para expressar minha opinião sobre a crise atual da Igreja Católica. Estas são as minhas convicções e elas são ditadas pelo meu amor à Igreja e pelo desejo de sua autêntica renovação em Cristo. Sou forçado a recorrer a este meio público de expressão porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.

    Estou ciente de possíveis reações à minha carta aberta. Mas, ao mesmo tempo, a voz da minha consciência não me permite permanecer em silêncio enquanto a obra de Deus está sendo vilipendiada. Jesus Cristo fundou a Igreja Católica e nos mostrou em palavras e atos como se deve cumprir a vontade de Deus. Os apóstolos, a quem Ele conferiu autoridade na Igreja, cumpriram com zelo o dever que lhes foi confiado, sofrendo por amor à verdade, a qual tinha que ser pregada, já que eles “obedeciam a Deus ao invés dos homens.”

    Infelizmente, em nossos dias, está ficando cada vez mais evidente que o Vaticano, por meio da Secretaria de Estado, tomou a estrada do politicamente correto. Alguns Núncios tornaram-se propagadores do liberalismo e do modernismo. Eles se tornaram especialistas no princípio “Sub secreto Pontifício”, através do qual manipulam e calam as bocas dos bispos. E assim o que diz-lhes o Núncio fica parecendo como o que seria quase certamente o desejo do Papa. Com tais estratagemas, separam os bispos uns dos outros de modo que os bispos de um país não falam mais a uma só voz no espírito de Cristo e Sua Igreja na defesa da fé e da moral. Isso significa que, a fim de não cair em desgraça com o Núncio, alguns bispos aceitam suas recomendações, que às vezes são baseadas em nada mais do que em suas próprias palavras. Em vez de zelosamente propagar a fé, pregando com coragem a doutrina de Cristo, sendo firmes na defesa da verdade e da moral, as reuniões das Conferências Episcopais, frequentemente, lidam com questões que são estranhas à natureza do ofício dos sucessores dos apóstolos.

    Pode-se observar em todos os níveis da Igreja uma diminuição evidente do espírito do “sacrum”. O “espírito do mundo” alimenta os pastores. Os pecadores é que dão à Igreja as instruções de como ela tem que servi-los. Constrangidos, os Pastores se calam sobre os problemas atuais e abandonam o rebanho, enquanto cuidam de alimentar apenas a si mesmos. O mundo é tentado pelo demônio e se opõe à doutrina de Cristo. Não obstante, os pastores são obrigados a ensinar toda a verdade sobre Deus e os homens “em bons tempos e maus tempos”.

    Todavia, durante o reinado dos últimos Papas, podemos observar a Igreja na maior desordem no que diz respeito à pureza da doutrina e a sacralidade da liturgia, onde não se dá a Jesus Cristo a honra que lhe é devida. Em não poucas Conferências Episcopais, os melhores bispos se tornaram “persona non grata”. Onde estão os apologetas dos nossos dias, que teriam a coragem de anunciar aos homens de maneira clara e compreensível a ameaça do risco de se perder a fé e a salvação?

    Em nossos dias, a voz da maioria dos bispos se assemelha ao silêncio dos cordeiros diante de lobos furiosos, os fiéis são abandonados como ovelhas sem defesa. Cristo foi reconhecido pelos homens como alguém que falava e agia em uníssono, que tinha poder e é este poder que Ele concedeu a Seus apóstolos. No mundo de hoje, os bispos precisam se libertar de todos os laços mundanos e – depois de terem feito penitência – converterem-se novamente a Cristo, para que fortalecidos pelo Espírito Santo possam anunciar Cristo como o único Salvador. Em última análise, deve-se prestar contas a Deus por tudo o que foi feito e por tudo o que não foi feito.

    Na minha opinião, a voz fraca de muitos bispos é uma conseqüência do fato de que, no processo de nomeação de novos bispos, os candidatos não são suficientemente examinados quanto à sua indiscutível firmeza e destemor na defesa da fé, e também no que diz respeito à sua fidelidade às tradições seculares da Igreja ou sua piedade pessoal. Na questão da nomeação de novos bispos e até cardeais, está se tornando cada vez mais evidente que, muitas vezes, a preferência é dada para aqueles que compartilham de uma ideologia em particular ou para alguns grupos que são estranhos à Igreja mas que tenham recomendado a nomeação de um determinado candidato em particular. Além disso, parece que estão levando em consideração certo favoritismo por parte da mídia que frequentemente ataca e zomba de santos candidatos pintando uma imagem negativa deles, enquanto os candidatos que possuem em menor grau o espírito de Cristo são elogiados como abertos e modernos . Por outro lado, os candidatos que se destacam por seu zelo apostólico, que têm coragem de anunciar a doutrina de Cristo e demonstrar amor por tudo o que é santo e sagrado, são deliberadamente eliminados.

    Um núncio certa vez me disse: “É uma pena que o Papa [João Paulo II] não participe pessoalmente na nomeação dos bispos. O Papa tentou mudar algo na Cúria Romana, no entanto, ele não foi bem sucedido. Ele foi ficando mais velho e as coisas retomaram seu antigo curso normal”.

    No início do pontificado do Papa Bento XVI, eu escrevi uma carta a ele na qual supliquei-lhe para que nomeasse santos bispos. Eu relatei a ele a história de um leigo alemão que em face da degradação da Igreja em seu país, após o Concílio Vaticano II, permaneceu fiel a Cristo e reuniu jovens para adoração e oração. Este homem estava à beira da morte e quando ele ficou sabendo da eleição do novo Papa, ele disse: “Quando o Papa Bento XVI usar Seu pontificado exclusivamente para nomear bispos dignos, bons e fiéis, ele terá cumprido a sua tarefa”.

    Infelizmente, é óbvio que o Papa Bento XVI, muitas vezes, não foi bem sucedido nesta questão. É difícil acreditar que o Papa Bento XVI tenha renunciado livremente seu ministério como sucessor de Pedro. O Papa Bento XVI era o cabeça visível da Igreja; sua corte, no entanto, raramente traduziu seus ensinos da teoria para a prática, ignorando-os ou silenciosamente desobedecendo-os e, em muitos casos, obstruindo todas suas iniciativas para uma autêntica reforma da Igreja, da liturgia, da maneira de se administrar a Santa Comunhão. Diante de um grande segredo que existe no Vaticano, para muitos bispos era realisticamente impossível ajudar o Papa em seu dever como chefe e governador de toda a Igreja.

    Não seria supérfluo lembrar aos meus irmãos no episcopado de uma afirmação feita por uma loja maçônica italiana a partir por volta do ano de 1820: “Nosso trabalho é um trabalho de uma centena de anos. Deixemos de lado as pessoas mais velhas e vamos nos concentrar na juventude. Os seminaristas se tornarão sacerdotes com as nossas ideias liberais. Não devemos nos lisonjear com falsas esperanças. Nós não vamos conseguir fazer um Papa franco-maçom. No entanto, bispos liberais, que irão trabalhar na comitiva papal, irão propor a ele, na tarefa de governar a Igreja, pensamentos e idéias que são vantajosas para nós e para o Papa irá implementá-las na prática. Esta intenção do Franco-maçons está sendo implementada cada vez mais e de forma aberta, não só graças aos inimigos declarados da Igreja, mas com a conivência de algumas falsas testemunhas que ocupam altos cargos na Igreja hierárquica. Não é sem razão que o beato Paulo VI disse: “por alguma fresta da Igreja, o espírito de Satanás penetrou no interior da Igreja.” Acho que este tipo de fenda se tornou nos nossos dias bastante ampla e o diabo usa todas as forças a fim de subverter a Igreja de Cristo. Para evitar isso, é necessário retornar à proclamação precisa e clara do Evangelho em todos os níveis do ministério eclesiástico, pois a Igreja possui todo o poder e graça que Cristo deu a ela: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eu estarei sempre com vocês até o fim do mundo “(Mt 28: 18-20),” a verdade vos libertará “(Jo 8, 32) e” deixe sua palavra ser Sim, sim; Não, não, pois tudo que passar disso vem do maligno”(Mt 5, 37). A Igreja não pode adaptar-se ao espírito do mundo, mas deve transformar o mundo com o espírito de Cristo.

    É óbvio que, no Vaticano, há uma tendência de se entregar mais e mais ao barulho da mídia. Não é raro que, em nome de uma incompreensível calma e tranquilidade, os melhores filhos e servos são sacrificados para apaziguar os meios de comunicação de massa. Os inimigos da Igreja, no entanto, não entregam ou denunciam seus servos mais fiéis, mesmo quando suas ações são evidentemente más.

    Quando nós quisermos permanecer fiéis a Cristo em palavras e atos, Ele mesmo vai encontrar os meios de transformar os corações e as almas dos homens e do mundo, e ambos serão transformados no momento propício.

    Em tempos de crise da Igreja, Deus muitas vezes utiliza para sua verdadeira renovação, os sacrifícios, as lágrimas e as orações daqueles filhos e servos da Igreja que, aos olhos do mundo e da burocracia eclesiástica, são considerados insignificantes ou são perseguidos e marginalizados por causa da sua fidelidade a Cristo. Eu acredito que nesse nosso tempo difícil, esta lei de Cristo está se realizando e que a Igreja se renovará graças à renovação interior e fidelidade de cada um de nós.

    01 de janeiro de 2015, Solenidade da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus.
    Feliz 2016 ao IPCO!
    *Do site Fratresinunum

  2. NULIDADES MATRIMONIALES, CANON 1095 CIC

    Escuche a un sr decir a un amigo con gran alborozo ” Ya puedo casarme de nuevo pues pronto me concederan la anulacion matrimonial por el canon 1095 como dijo Monseñor XXX de la curia, que feliz estoy “.

    Pense: Este sr. no sabe que nadie le puede conceder la anulacion matrimonial si su matrimonio esta validamente celebrado y consumado…..Pero sobre todo pense seguramente es una persona afectada por una causal del canon 1095, no deberia estar tan feliz, pues si el tribunal eclesiastico comprueba que su matrimonio nunca existio (declaracion de nulidad) es porque el o su esposa o ambos tienen un grave problema siquico “.
    En lugar de pensar en segundo matrimonio deberia acudir donde un psicologo o psiquiatra catolico.
    Esto mismo declararan aquellos sacerdotes a quienes de resulta del Sinodo se les faculte mas rapidamente diagnosticar esa nulidad, esa grave enfermedad mental o incapacidad ….y este sr “tan feliz “.
    Pero estaran capacitados esos sacerdotes para diagnosticar su salud mental?
    Pues de no configurarse desde el inicio de su matrimonio esta nulidad y permanecer o agravarse esa dolencia siquica lo que deben hacer estos sacerdotes es ayudarle a vivir fiel y en creciente plenitud su matrimonio, de lo contrario por mas declaraciones de nuldad que resuelvan ese sr si se casa de nuevo sera un bigamo.

  3. A retrospectiva do reinado do Papa Francisco evidencia uma sucessão interminável de escândalos cujo efeito consistiu em perverter, ainda mais, os católicos já transviados pela hecatombe conciliar. Para mim ele é o principal sinal da proximidade dos castigos finais previstos nas mensagens de Fátima e Akita, pois Deus não poderá permitir longa duração ao atual estado de coisas na Igreja.

  4. Heresia é o nome correto daquilo que praticam os homens que ocupam postos hierárquicos no seio da Igreja: a afirmação reiterada de absurdos que seriam impensáveis anteriormente ao cvii já é, de per si, suficiente para qualificar a adesão intelectual, volitiva e interior.

    Vamos encarar a realidade das coisas: Francisco é herege, Kasper o é, assim como muitos outros…

    Infelizmente, acostumamos-nos ao pérfido a tal ponto que pouco nos incomoda o fedor…

    Comparemos os discursos dessas pessoas que fizeram o ”sínodo” de 2015 com as palavras claras, límpidas, precisas e austeras de um Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, S. Pio X, Pio X e Pio XII: quanta, mas quanta distância entre uns e outros… quanto liberalismo ( doutrina herética e satânica que foi devidamente condenada pelo Syllabus ) hoje em dia na boca daqueles que se dizem representantes da vontade de ”deus” ( do ”deus” maçom, será?!).

  5. No trecho que diz:

    o termo “escuta” do Espírito Santo é muito ambíguo, pois sugere que Ele continua a “falar” como no tempo dos Apóstolos, ou seja que a Revelação oficial não estaria terminada e que os dogmas evoluiriam continuamente.

    Quem garante que a origem da informação é o Espírito Santo? Não poderia ser outra fonte qualquer? Inclusive vinda de alguma fôrça maligna, pois está escrito: “os falsos profetas enganarão até os escolhidos”

  6. É evidente que existe a procura de cumprir o velho sonho protestante de derrubar a cadeira papal a cátedra de Pedro com esse eufemismo de igreja sinodal que sería uma igreja de bispos que teríam toda a autoridade e a “participação” do povão só dería para legitimar socialmente -como o socialismo pratica- aquilo decidido por una nomenklatura eclesiástica

    É uma mistura de protestantismo e comunismo onde o único que falta é a submisão da igreja ao poder politico para ser uma igreja dos blocos comunistas

    A isto chaman reforma da curia reforma da igreja?

    Parece mais uma religião política uma religião que “muda” isto que se amolda ás mudanças políticas e ideológicas seculares e subordinada a elas

  7. O diálogo oferece uma oportunidade de vir juntos¨que serviria como base para a solução de problemas. E se o Papa desse lugar a ecclesia docens , a igreja que ensina.
    Onde estariam as criticas ? elas nao existiriam. com suas palavras nao existe contradição entre a verdadeira humildade e a magnanimidade. A humildade ¨nao torna o homem cego, diante das qualidades forças e poderes que estao nele.Lembremos, para concluir, a Profissão de Fé que o Segundo Concílio de Lião (1274) impôs a Michael Palaeologus:

    Esta mesma Igreja Romana tem o sumo e pleno primado e princiapdo sobre toda a Igreja Católica que verdadeira e humildemente reconhece ter recebido com a pleniturde da potestade, das mãos do mesmo Senhor na pessoa do bem-aventurado Pedro, príncipe ou cabeça dos Apóstolos, cujo sucessor é o Romano Pontífice.Ao encerrar o Sínodo, o Papa disse que o Sínodo mostrou que os verdadeiros defensores da doutrina são aqueles que defendem a pessoa humana, não as ideias.O primeiro dever da Igreja – disse o Papa – não é o de condenar, mas sim o de promover, dar a conhecer a misericórdia. Há alguém que se sente incomodado com este sublinhar sempre o tema da misericórdia? porque o conceito de misericórdia quer substancialmente dizer tirar o poder às hierarquias eclesiásticas; a hierarquia tem poder enquanto diz “isto é pecado”, “isto não é pecado”, “aqui te absolvo”, “aqui não te absolvo”… a misericórdia é, pelo contrário, uma virtude que pode ser dada e sentida pelos leigos; perde, portanto, significado e poder, precisamente aquele elemento eclesiástico que se gostaria, pelo contrário, de manter”.
    O nosso bem maior sempre começa de dentro para fora.

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