Carlos Vitor Valiense

Com o surgimento da televisão, o mundo pode entrar na era da comunicação rápida. O que só podia ser ouvido através do rádio, agora é visualizado na TV – objeto diferente do primeiro, os radiouvintes contemplam agora o que há de mais moderno, visualizando imagens que até então só podiam ser refletidas no imaginário. Já podem ver as cenas de atores e atrizes expondo a arte do teatro na sala das casas de famílias.

A sala foi sempre considerada um local formal das casas. Nas residências mais grã-finas existia sala de visitas, sala de jantar, sala de rádio. Já nos palácios havia salas e salões específicos para o nível social da visita que ali seria recepcionada.

Tornou-se hoje muito comum as famílias se reunirem à noite na sala após o jantar diante da TV, para assistir ao telejornal e, em seguida, a um filme ou novela. A televisão tornou-se o objeto central de qualquer casa, tomando o lugar antes reservado à mesa de jantar, em torno da qual a família fazia suas orações e refeições e se entretinha em conversas, referentes o mais das vezes à vida familiar e a outros assuntos que tivessem importância para o bom andamento das coisas. Mesmo que fosse um monólogo, existia ali o olho no olho.

Com o desuso da mesa de jantar, as pessoas chegam a almoçar e jantar em algumas casas aos pés do “novo oratório” – a estante da televisão. Pais e filhos saíram de uma visão olho-a-olho que a mesa lhes proporcionava, para adentrarem no monólogo do olhar, pois o único objetivo de todos é olhar o que passa na TV, não se importando com o que seja nem tampouco com aqueles que os circundam. Os problemas das famílias agora são assimilados aos personagens das novelas e as atitudes de seus membros também serão as dos atores. Assim, se o casal briga e se separa na novela, na família se fará o mesmo, pois os personagens da televisão ou a vida intima das celebridades exposta na mídia são agora o exemplo.

A televisão passou de mero instrumento informativo a instrumento eficaz de doutrinação de quem obtém o poder. Ou seja, a influência que ela exerce na sociedade é maior do que os conselhos que os pais dão aos filhos – quando existe este vínculo, o que infelizmente na maioria das vezes não acontece.

As famílias têm por seus maiores ídolos os grandes atores, cineastas, ou então as dirigentes de programas de culinária, ou ainda certos “encontros” que na verdade são verdadeiros desencontros com a moral. O número crescente de problemas pós-novelas é tremendo. O que sempre foi considerado animalesco é visto hoje como normal. A mídia esta tirando o senso do ridículo das pessoas. Nela o que mais se fala – através de jornais, minisséries e “encontros” – é de ideologia de gênero, liberdade sexual, drogas, violência, adultério, promiscuidade. Uma verdadeira doutrinação dentro de casa. O individuo é logrado e assaltado dentro de sua própria casa não por um assaltante qualquer, mas pela influência destruidora da mídia.

Escreveu Ítalo Maia: “Essas novelas não convencem ninguém por meio da razão ou argumentos. Eles estão pouco se importando para isso. O meio de manipulação é pelo psicológico, sentimento e comportamento. Eles planejam, com um tempo, fazer você achar aquilo normal para depois entrarem mais agressivamente com as pautas. Eles pretendem afastar você do intelecto e da realidade, enquanto fazem você ter sentimento que no futuro serão usados para apoiar a causa deles. Deixar de trabalhar seu intelecto e se desconectar da realidade para ficar assistindo dia e noite os programas dessas emissoras- lixo fará você atrofiar-se moralmente e torná-lo passivo, achando toda aquela imundície normal.”

No atual momento é possível observar na mídia a grande manipuladora social, tarefa na qual ela se desempenha de forma tosca e esquerdista. O objetivo central dessa manipulação é a destruição da família, deformando-a e atribuindo-lhe um novo conceito.  “A família é a fundamental célula da sociedade humana”, já dizia S.S. o Papa João Paulo II. Atacando-a, é possível ver a destruição massacrante de toda sociedade. O objetivo da destruição em massa é nítido. Aqueles que não a enxergam, de duas uma: ou estão destruindo, ou realmente estão sendo induzidos e este precipício sem volta.

 

 

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