A mídia divulga dois pronunciamentos do Papa Francisco em sua viagem ao Japão: o primeiro, dirigido a Xi Jinping desejando paz e prosperidade; o segundo, no Japão pregando contra a “paz armada”.

Francisco se equivoca no alvo e na ocasião

O Vaticano tem, universalmente reconhecida, uma diplomacia de primeira linha. Não erra alvos, não perde ocasiões, não dispersa munição.

Vejamos as duas mensagens:

         À Xi Jinping, sobrevoando a China: “Eu emito cumprimentos cordiais a sua excelência enquanto eu voo sobre China em minha viagem ao Japão. Asseguro-vos as minhas orações pela nação e pelo seu povo, invocando todas as suas abundantes bênçãos de paz e alegria”, escreveu o Papa a Xi Jinping, presidente da República Popular da China e secretário-geral do Partido Comunista Chinês”. (https://www.breitbart.com/asia/2019/11/23/pope-signals-closeness-china-distance-taiwan-hong-kong/)

No Japão, — Nação sob o fogo cruzado das ameaças da Coreia do Norte (que desenvolve armas atômicas) e da China que se gabou de ter armas poderosíssimas (nos 70 anos da Revolução Maoísta) – “durante visita a Nagasaki, o papa rejeitou a doutrina de que possuir armas nucleares para impedir ataques é o caminho para garantir a paz. Trata-se de uma “falsa segurança” que coloca em perigo as boas relações entre os povos, disse o papa no sudoeste do Japão (…). “A verdadeira paz só pode ser uma paz desarmada”, disse Francisco”. (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2019/11/24/a-unica-paz-verdadeira-e-a-desarmada-diz-papa-francisco-no-japao.htm )

Invertendo os destinatários, as mensagens se esclarecem

Tudo se esclarece se invertermos os destinatários:

Ao Japão o Papa envia “cumprimentos cordiais”, “asseguro-vos as minhas orações pela nação e pelo seu povo”, invocando “abundantes bênçãos de paz e alegria”.

À China, que construiu ilhas artificiais militarizadas (violando o Direito Internacional), e se gaba de um poderio militar top de linha, o Papa diria: é uma “falsa segurança” “possuir armas nucleares para impedir ataques e garantir a paz”.

“No mundo de hoje, onde milhões de crianças e famílias vivem em condições desumanas, o dinheiro gasto e as fortunas envolvidas na fabricação, modernização, manutenção e venda de armas ainda mais destrutivas é uma indignação contínua que grita em direção aos céus”.

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                                A existência da classe militar é um bem

Ainda é tempo para remediar o equívoco: diplomacia e sutileza não faltam ao Vaticano. É uma questão apenas de querer.

Estamos próximos do Santo Natal: que o Menino Jesus, o Príncipe da Paz, nos inspire a atitude de filhos (respeitosos e resistentes) diante da Cátedra de Pedro ainda mesmo quando essa “erre nos alvos”. Quo Vadis? (João 16-5).

O Prof. Plinio em seu livro Revolução e Contra-Revolução comenta: odiar a guerra injusta, lamentando a corrida armamentista, “não tendo, porém, a ilusão de que a paz reinará sempre, considera uma necessidade deste mundo de exílio a existência da classe militar, para a qual pede toda a simpatia, todo o reconhecimento, toda a admiração a que fazem jus aqueles cuja missão é lutar e morrer para o bem de todos. https://www.pliniocorreadeoliveira.info/RCR_0211_CR_sociedade_temporal.htm

 

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