O princípio de subsidiariedade foi consagrado pelo Papa Pio XI na Encíclica Quadragesimo Anno e incorporado à Doutrina Social católica
O princípio de subsidiariedade foi consagrado pelo Papa Pio XI na Encíclica Quadragesimo Anno e incorporado à Doutrina Social católica.

Quatro bandidos começaram assaltar uma padaria em Cascavel [i] .“Começaram”, disse eu. Estavam com duas motocicletas. Um portava uma espingarda calibre 12 e o outro fez gestos de que estaria com uma arma na cintura. Nesse exato momento, chegou de surpresa o dono da padaria – que tinha porte de arma –  puxou de um revolver e começou a atirar. Os bandidos saíram fugindo e um deles abandonou a motocicleta, com placa que já tinha queixa de furto na delegacia de Três Barras, do Paraná.

Os assaltantes que estavam na outra motocicleta seguiram em direção ao Jardim Colina Verde. Um boletim de ocorrência foi registrado. Essa foi a sexta vez que o estabelecimento foi assaltado.

Abaixo o desarmamento generalizado e irrefletido, tão belamente derrotado em um plebiscito anos atrás.

Diz um ditado aplicável ao caso da padaria de Cascavel, “Tudo é bom para a defesa, exceto a covardia”!

Também aplicável ao caso é um princípio da sociologia católica. Tem um nome complicado, mas sua aplicação é simples: princípio de subsidiariedade.  É o contrário do Estado-moloch, omnisciente, omnipresente e onipotente, que quer saber tudo, controlar tudo e, obviamente, taxar tudo. Princípio que o Papa Pio XI consagrou na Encíclica Quadragesimo Anno e que foi incorporado à Doutrina Social católica.

Há situações em que o homem sozinho não se basta a si próprio. Neste caso, ele deve ser auxiliado pela família. Ou seja, a família dá a ele um subsídio, aquilo que ele não pode conseguir por si próprio. Com a família, acontece o mesmo. Ela deve procurar bastar-se a si própria mas, a partir de certa medida, deve receber assistência de fora.

No socialismo, como se passam as coisas? O governo dirige tudo. Todos ficam dependentes do governo para tudo. Ora, pela doutrina católica, tanto quanto possível cada um fica livre, e tanto quanto necessário, cada um fica obediente. Qual essa medida do possível e do necessário? A experiência o indica. Por este sapientíssimo princípio, não há, nem falsa liberdade, nem socialismo.

Quanto ao crime, o Sr. Almir Pazzianotto Pinto[ii] afirma: “O problema avoluma-se dia após dia, diante do olhar apático do Legislativo, da acomodação do Executivo, da sonolência do Judiciário”. Como católico, acrescento eu com grande pezar: e do silêncio de quase todo o clero.

O artigo citado prossegue: “Caso singular é o do desarmamento. Aplicado com rigor contra pessoas de bem, privou de meios de defesa pais de família, trabalhadores, empresários, proprietários rurais, possuidores de revólver ou cartucheira, adquiridos no comércio de maneira regular. Não consegue impedir, todavia, que bandidos continuem armados. Em São Paulo, e pelo Brasil afora, marginais menores ou maiores empregam metralhadoras, fuzis semi-automáticos, pistolas .45 ou 9 mm, escopetas calibre 12, granadas para enfrentar as forças policiais em superioridade de condições”.

Não é só no combate ao crime que o princípio de subsidiariedade – bastar-se  si mesmo – é importante, mas também na educação. Um relevante exemplo atual de aplicação deste princípio vamos encontrar na existência e no notável crescimento do fenômeno home school (escola no lar) nos Estados Unidos, pois no que as famílias podem fazer por si mesmas em matéria de educação, o Estado não deve interferir. É a ideia que está subjacente a esse fenômeno: as próprias famílias promovem a educação de suas crianças, no próprio lar.[iii]

Há muitas famílias que desejam o mesmo para o Brasil. As dos Estados Unidos fazem as provas em sua própria casa com gabaritos estatais, e tiram sempre melhores notas que os que estudam em estabelecimentos do Estado. Era proibido e depois se liberou.

“Atuemos, Deus atuará” (Santa Joana d’Arc).


[i] .  http://cgn.uol.com.br/noticia/73505/dono-de-padaria-espanta-ladroes-com-tiros.

[ii] O Estado de S. Paulo, 21 de março de 2014.

[iii] Ler a respeito de Patricia Lines, do U. S. Department of Education, Home Instruction, The Size and Growth of the Movement.

5 COMENTÁRIOS

  1. A idéia pode parecer muito boa, mas não vai funcionar no Brasil.aqui a mãe precisa trabalhar para melhorar a renda, o povo briga por aumento de creches para colocar seus filhos a partir de seis meses por conta do estado…..

  2. O Instituto Plínio Correa presta um grande serviço a todos nós, cristãos, tão desorientados e órfãos que estamos, pois quem deveria defender os princípios da Igreja, nada faz a respeito. A educação de nossos filhos está à mercê das ideologias nas escolas e a solução seria “home school” aqui no Brasil. Nada justifica deixar nossas crianças em um sistema educacional falido e sem perspectivas de melhoras. Outro assunto que é “tabu” para os governantes é o nosso direito à defesa. O desarmamento do cidadão torna o bandido forte e destemido e , nós, ficamos acovardados diante da ineficiência do Estado.
    Graças a Deus temos esse blog que discute e conscientiza. Agradeço e peço a Deus que vcs tenham sempre força para “COMBATER O BOM COMBATE”, assim como o grande discípulo, PAULO.

  3. Admiro esta experiência americana o “home School” muito necessária ao Brasil, as escolas públicas e privadas se tornaram
    berçários de militantes da esquerda, então é importante existir
    um antídoto para este veneno!
    Eu diria que seria uma experiência, revolucionária em
    matéria de educação, os pais, matriculariam seus filhos numa escola, receberiam uma cartilha para orientar suas aulas ministradas em casa, haveria uma coordenadora que ajudaria nessa tarefa, instruções pela internet completariam o circuito, as provas seriam realizadas na escola, sob a supervisão do Estado, o custo operacional deste tipo de educação seria muito baixo, a escola teria pouca despesa com manutenção e mão de obra.
    Quanto aos resultados esperados, só pondo em prática a experiência, mas a chance de dar certo é grande!
    Num curto espaço de tempo o Brasil passou por três reformas
    de ensino, três leis de diretrizes e bases da educação, cada uma delas demandando intensos estudos, acaloradas discussões e complicadas decisões. No primeiro caso, criou-se o ensino primário, o ginasial e o científico! Numa segunda reforma, depois de muito estudo, mudou tudo sem ter alterado nada, o que era primário e ginásio, passou a se chamar “primeiro grau” e o científico passou a se chamar “segundo grau” finalmente chegamos a última das mudanças, a que está em vigor hoje, o que se chamava primeiro grau passou a se chamar “ensino fundamental” e o segundo grau passou a se chamar “ensino médio”
    Houve muito pouco avanço, principalmente pelo fato de
    que, para aprovação da atual lei, foram gastos “seis anos” de debates no congresso!
    Pela forma como o problema é tratado, com tanta timidez nas mudanças, não vejo como a educação oferecer aquilo que todos dela esperam, “o milagre da multiplicação dos peixes”. No lugar de fazer reformas (antipáticas e desgastantes do ponto de vista eleitoral) os políticos encastelados no poder, procuram inaugurar Universidades (simpáticas, aplaudidas pelo eleitorado) para que os “bacharéis”
    promovam o “milagre do crescimento sustentável”
    A esperança é que na próxima reforma do ensino,(se houver),
    incorpore essas mudanças revolucionárias, facilitadas pela internet e já em andamento nos outros países!

  4. Excelente matéria !! não é uma simples leitura dela o que devemos fazer e sim uma reflexão profunda sobre todo o que vem acontecendo, os desmandos as conivências com o crime de um modo geral e balburdia generalizada a que estão submetendo ao país e seus cidadãos já extrapolou limites aceitáveis, então tem que buscar as origens na corrupção deslavada e sem vergonha que praticam diariamente e combater para valer com punições severas inculcando o respeito que suas Instituições merecem recuperando a seriedade nos seus atos a serviço da Nação.

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