Casamento causa escândalo entre fiéis

O casamento é um contrato sagrado, mesmo do ponto de vista natural. Tão sagrado que, entre batizados, Nosso Senhor Jesus Cristo o elevou à categoria de sacramento. Do casamento nascem os filhos e se origina a família, célula-mãe da sociedade, fundamento de toda ordem civil bem constituída.

Por isso tudo causou grande estupefação e profundo desagrado a decisão do Supremo Tribunal Federal qualificando de “entidade familiar” também a união espúria de dois homossexuais. Horrorizados com tal decisão, muitos criticaram o atropelo da Constituição e a falta de competência do STF para legislar em substituição ao Congresso Nacional.

Caberia ainda acrescentar um fator de ordem mais elevada, o fator moral, dado que a união homossexual é contrária à natureza e à reta ordenação do relacionamento humano. E há ainda a forte condenação religiosa a esse tipo de união, que encontramos repetidas vezes nas Sagradas Escrituras.

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Devido à grande dignidade do casamento, convém que a união do casal se revista de um cerimonial adequado. Ao longo dos tempos esse cerimonial foi se definindo no Ocidente. Sem ser obrigatório, comporta, entre outros elementos, o característico vestido de noiva, o traje de gala do noivo, a marcha nupcial, as flores, os padrinhos dos noivos, os convidados e o banquete, tudo adaptado às posses dos nubentes.

É, pois, condenável que a cerimônia do casamento se desenrole à maneira de um ato palhacesco, como ocorreu em 12 de março na igreja-matriz de São Pedro, no município de Garibaldi (RS), quando os noivos se apresentaram fantasiados de Shrek e Fiona.

Shrek e Fiona são personagens de uma série de livros e filmes que caricaturizam os belos contos de fada de outrora. O nome shrek se origina da língua iídiche, atualmente falada por diversas comunidades judaicas, e que significa “pânico” ou “terror”.

Segundo esse conto, Shrek é um ogro com cerca de dois metros de altura, de cor verde e de aspecto assustador, que vive num pântano no meio de uma floresta encantada. Ele acaba se apaixonando pela princesa Fiona, a qual se transforma numa ogra e ambos se casam.

O casamento realizado em Garibaldi foi autorizado e abençoado pelo frei Antoninho Pasqualon. Os convidados foram incentivados a se fantasiarem com base nos personagens desse horrendo conto, e assim muitos apareceram na igreja.

Sentindo-se agredidos em seu bom senso e em sua religiosidade, católicos da diocese de Caxias do Sul — à qual pertence Garibaldi — dirigiram-se ao bispo diocesano, D. Paulo Moretto, e ao bispo-auxiliar, D. Alessandro Ruffinoni, apresentando-lhes suas fundadas queixas.

Ante a representação feita pelos fiéis, a diocese de Caxias do Sul emitiu nota dizendo: “Recebemos de muitos a manifestação de sua perplexidade, desaprovação e preocupação com o que aconteceu na igreja-matriz São Pedro de Garibaldi […] Por isso nós também desaprovamos, lastimamos o que aconteceu e compreendemos o mal-estar e preocupações causadas” (“Zero Hora”, Porto Alegre, 29-3-11).

Tal cerimônia se insere na onda de perseguições, claras ou veladas, que vem sendo conduzida contra a santidade do matrimônio — motivo de pranto da Virgem Santíssima.