Corão no Paquistão, PNHD-3 no Brasil?

    PNDH-3 e Corão

    Um amigo brasileiro residente em Roma enviou-me matéria — era o que dizia o subject do e-mail — sobre a aplicação do PNDH-3 no … Paquistão!

    Percebi o gracejo lendo o título da matéria jornalística: “A ‘lei sobre a blasfêmia’ também no Google e Yahoo” e saí sorrindo para tomar café.

    Mexer no cafezinho convida à reflexão. Foi nessa hora que percebi a perspicácia de meu amigo. Voltei para o e-mail. A notícia de Islamabad anunciava que o governo está provocando um ciclone de censura que “mudará o mundo da internet no Paquistão, impondo fortes limitações”.

    17 sites da Internet foram já interditados nas últimas horas por causa de “links e conteúdos anti-islâmicos e blasfemos”. “Estão sendo examinados sites de grande difusão como Google e Yahoo, Youtube, Amazon, MSN, Hotmail e Bing (da Microsoft).

    A operação foi anunciada pelo porta-voz da Autoridade paquistanesa das Telecomunicações, Khurram Mehran, instruído pelo Ministério da Informação e da Tecnologia”.

    Bom, pensei, PNDH-3 e Corão decididamente não são a mesma coisa. Lula não é Maomé, e no Planalto não se reza cinco vezes por dia voltado para Meca, como também na Meca ninguém reza para o Planalto.

    CorãoMas trocando “fisco per fiasco” como dizem os italianos — e meu amigo mora na maquiavélica Itália — resulta que o objetivo anunciado pelo PNDH-3 de “coibir manifestações de intolerânciareligiosa”(Objetivo estratégico VI), pode vir a ter aplicações estranhamente análogas às impostas pelos regimes islâmicos, vários deles muito camaradas do Itamarati.

    Para os fundamentalistas islâmicos — e a norma paquistanesa parece feita para satisfazê-los — a “blasfêmia” contra o Corão é também uma “manifestação de intolerância religiosa”. Para os outros islâmicos e outras religiões, a intolerância está nos fundamentalistas e na atual norma.

    De todo esse imbróglio resulta que segundo a equipe de inspetores encarregada de monitorar a rede naquele país “se forem encontrados links ou conteúdos ofensivos, estes sites devem ser imediatamente bloqueados”.

    A medida, é claro, gerou desapontamento nos responsáveis de Google, Yahoo, Microsoft, que defendem a “livre expressão”.

    A censura já está funcionando, e os sites estão sendo fechados, sobre tudo os anti-radicais. Bela notícia para os amigos de Ahmadinejad! Bela decisão “soberana” e “democrática” para os companheiros da turma do líder iraniano!

    Na hora de aplicar o “Objetivo estratégico VI” do PNDH-3, o Brasil pode bem vir a se encontrar numa situação semelhante à dos usuários paquistaneses da Internet. Sobretudo tendo em vista o caráter profundamente anti-católico do PNDH-3.

    Para combater as “manifestações de intolerância religiosa”, uma censura invasiva, meticulosa e onímoda tornar-se-á inevitável para preservar Nessa hora os partidários da “livre expressão” terão que calar a boca sob pena de atentarem contra o ‘livro sagrado’ do PNDH-3.

    Fonte: FIDES, 2010-06-26