Roberto De Mattei

Os debates antes e durante o corrente Sínodo Ordinário dos Bispos mostram o estado alarmante em que a Igreja Católica se encontra.  Esse é o juízo de Roberto de Mattei [foto] expresso no seminário “Matrimônio e família. Entre o dogma e a práxis da Igreja”, organizado pela Fondazione Lepanto e pela Associazione Famiglia Domani.

De Mattei é professor de História Contemporânea na Universidade Europeia de Roma e autor de numerosos livros sobre a história da Igreja.

O orador lamentou que até mesmo altos Prelados estão colocando em dúvida pontos essenciais da moral matrimonial e sexual da Igreja.  E que verdades definidas há muito tempo, como a indissolubilidade do matrimônio, estão sendo agora postas em discussão.

O historiador romano criticou o cardeal alemão Walter Kasper, cujo “Discurso ao Consistório” abriu um debate polêmico que desenvolve entrementes uma dinâmica destrutiva.

Eis as principais teses do cardeal Kasper: 1. Vivemos num mundo secularizado. 2. A Igreja deve levar em consideração que muitos homens não orientam suas vidas de acordo com a doutrina da Igreja sobre o casamento. 3. A Igreja deveria se adaptar a essa nova situação.

Com isso não se trata somente da doutrina da Igreja a respeito de matrimônio e da sexualidade, mas também da relação entre a Igreja e o mundo, entre o ensinamento eclesiástico e a práxis quotidiana.

O prosseguimento desse debate ameaça a Igreja também depois do Sínodo, pois é muito forte o interesse de alguns círculos eclesiásticos em eliminar a doutrina católica sobre o matrimônio e a sexualidade.

O historiador De Mattei abordou dois acontecimentos que apontam paralelamente para a atual situação da Igreja: a aceitação do divórcio pela Igreja Ortodoxa e o cisma anglicano provocado pelo rei Henrique VIII.

Em ambas as situações as respectivas confissões (ortodoxa e anglicana) acabaram por se adaptar a uma situação que anteriormente fazia parte do mainstream, da tendência geral do mundo secular.

A Igreja Católica, segundo De Mattei, não pode de modo algum sacrificar sua doutrina ao espírito do tempo: não é a Igreja que deve mudar em função do mundo, mas é o mundo que deve procurar seguir as normas da Igreja. Não é a verdade que deve modificar-se, é a vida dos homens que deve adequar-se à verdade anunciada pela Igreja.

Tradução do original alemão por Renato Vasconcelos