Nos últimos dias, ganhou destaque no noticiário a aprovação, no Vêneto, de uma lei destinada a regulamentar, em âmbito regional, o suicídio assistido. O Vêneto é a quarta região a aprovar uma legislação desse tipo, mas é a primeira entre as governadas pela centro-direita. O fato assume, portanto, um significado político e cultural que ultrapassa as fronteiras regionais: mostra como o princípio da autodeterminação absoluta está agora penetrando em campos políticos que, ao menos nominalmente, deveriam pautar-se pela defesa da vida, da família e da ordem natural.
O suicídio assistido consiste na busca deliberada da morte por parte de quem, considerando não ter mais razões para viver, pede às estruturas públicas que o ajudem a pôr fim à própria existência. A questão, portanto, não diz respeito apenas a uma decisão privada. No momento em que a lei intervém, o suicídio deixa de ser considerado uma tragédia a ser impedida e torna-se uma possibilidade reconhecida e organizada pela Região ou pelo Estado. Essa escolha é apresentada pelos meios de comunicação como o exercício de um direito e como um ato nobre de autodeterminação, que a lei não deveria proibir nem o juízo moral censurar. Fala-se em “liberdade”, “dignidade”, “escolha consciente” e “direito”, enquanto se evita cuidadosamente recordar que todo pedido de suicídio contém, antes mesmo de uma vontade de morrer, um grito desesperado de dor.
Se a morte voluntária é descrita como uma escolha corajosa e digna, a mensagem que chega ao público é devastadora. O idoso que se sente um peso, o doente que teme ser abandonado e a pessoa com deficiência que percebe sobre si o custo econômico e psicológico da assistência podem convencer-se de que morrer seja um gesto de generosidade para com os familiares ou a solução mais digna para a própria condição.
Manifesta-se aqui uma profunda contradição. Quando uma pessoa desesperada tenta tirar a própria vida, a sociedade mobiliza médicos, psicólogos e forças de segurança para salvá-la. Quando, porém, a mesma vontade é expressa em determinadas condições clínicas e traduzida em um procedimento legal, ela é celebrada como manifestação de liberdade. Em um caso, afirma-se que a vida deve ser defendida do desespero do momento; no outro, aceita-se esse mesmo desespero como fundamento de um direito.
Nos mesmos dias em que foi aprovada a lei regional sobre o suicídio assistido, as primeiras páginas dos jornais trouxeram notícias de crimes hediondos, cometidos sobretudo no interior do núcleo familiar: pais que exterminam os próprios entes queridos, mães que matam os filhos, homens que assassinam as esposas ou companheiras e depois tiram a própria vida. Existe certamente uma diferença moral e jurídica entre quem mata os próprios familiares e quem pede ajuda para morrer. Contudo, nas origens de ambos os fenômenos, pode-se reconhecer o mesmo sentimento de desespero.
O desespero é a ausência de toda esperança. Ele constitui uma das consequências mais profundas do materialismo que domina a sociedade contemporânea. O materialismo não consiste apenas no apego ao dinheiro ou aos bens materiais. Ele é, mais radicalmente, uma concepção da realidade que reduz o homem à sua dimensão biológica, econômica e psicológica. Nessa perspectiva, o valor da vida depende do prazer que ela proporciona, da autonomia que permite, da saúde de que se desfruta e do sucesso alcançado. Quando essas condições deixam de existir, desaparece também a própria razão de viver. Nos casos mais terríveis, quem perdeu toda esperança não se limita a tirar a própria vida, mas pretende arrastar consigo aqueles que considera parte de seu destino. A família, que deveria ser o lugar da proteção e do amor, torna-se então o palco de uma extrema vontade de domínio: «Se a minha vida já não tem sentido, a de vocês também não deverá continuar». Essa é a inversão demoníaca do amor, que já não busca o bem do outro, mas quer possuí-lo até aniquilá-lo.
A sociedade contemporânea promete a felicidade por meio do bem-estar, do prazer, do sucesso e da ausência de qualquer limite. Mas é justamente essa falsa promessa que prepara o desespero. Quem foi educado a acreditar que a felicidade coincide com a satisfação dos próprios desejos não está preparado para enfrentar a doença, a perda, o abandono e a derrota. Se o homem considera a realidade material como o único horizonte de sua existência, já não é capaz de dar sentido à própria vida. Uma civilização que prometeu ao homem a autonomia e a satisfação de todos os desejos, mas lhe tirou Deus e a esperança da vida eterna, deixa-o indefeso diante da dor e da morte. O desespero é, portanto, muito mais do que um estado psicológico individual: é a doença espiritual e social do nosso tempo. Esse mal profundo não se cura com instrumentos jurídicos ou políticos. É preciso, antes de tudo, restituir ao homem a verdadeira esperança, que é a sobrenatural e que jamais enganou ninguém. Mas, para restituir a esperança, é preciso primeiro restituir ao homem a fé, que é o fundamento e o pressuposto da esperança.
E que fé, senão a fé em Deus, Criador e Senhor da história; em Jesus Cristo, Redentor e Salvador da humanidade; em sua Cruz, que venceu o pecado; em sua Ressurreição, que derrotou a morte?
Quem abraça a imensa e reconfortante visão da fé compreende que não é produto do acaso, nem um ser destinado ao nada, mas uma criatura amada por Deus e chamada à vida eterna. A esperança, que nasce da fé, é a certeza de que a vida não termina dentro dos estreitos limites da existência terrena e de que o homem é chamado a possuir os bens eternos, mesmo quando tudo parece desabar ao seu redor.
A esperança cristã não atenua o caráter dramático das provações. Ela ensina, porém, que nenhum sofrimento aceito e oferecido é inútil, que nenhuma lágrima escapa ao olhar de Deus e que, mesmo das trevas mais profundas, a Providência pode extrair um bem maior. Quando tudo parece perdido no plano humano, o horizonte da eternidade permanece aberto. É esse horizonte que impede o desespero de ter a última palavra.
Fonte: Roberto de Mattei — https://www.robertodemattei.it/la-disperazione-del-nostro-tempo




