Sínodo da Família - Papa Francisco

Não deram resultados os esforços dos progressistas na tentativa de evitar uma cisão dos opostos: na segunda semana do Sínodo da Família no Vaticano (de 5 a 25 de outubro), a frincha entre os Padres Sinodais parece insuperável.

Os membros da ala liberal não podem mais tornar crível que seu interesse se cingia apenas à pastoral de problemas como o dos divorciados recasados ou de pessoas com tendências homossexuais. Praticamente ninguém mais crê que eles não queriam mudanças na doutrina da Igreja a respeito do matrimonio e da sexualidade.

Sobretudo o processo de redação e a composição do comitê responsável pelo relatório final fizeram soar o alarme para muitos cardeais: o comitê é composto em sua maioria de prelados não apenas tidos como liberais, mas que expressaram pública e indubitavelmente suas posições sobre a homossexualidade etc.

Isso é especialmente problemático no atual Sínodo, pois no seu término haverá apenas um documento escrito, o Relatório Final. Este será apresentado ao plenário no dia 24 de outubro – um dia antes do encerramento – para ser votado. O comitê de redação é inteiramente livre em seu trabalho e não haverá tempo para grandes modificações no texto.

A carta de diversos cardeais sob a direção de Dom George Pell, dirigida ao Papa Francisco, chamou a atenção para essa circunstância. A publicação dessa carta de caráter privado (o cardeal Müller falou de um novo caso de Vatileaks) produziu nos últimos dias uma verdadeira onda de acusações e desconfianças.

O diário “Avvenire”, sempre preocupado em adotar um tom moderado, escreveu no dia 13 de outubro:“Torna-se cada dia mais claro que existem duas tendências” [na aula sinodal].

Porém, jornais de orientação esquerdista chegaram mesmo a atacar os conservadores e acusá-los de estar fazendo um complô com segundas intenções contra o Papa Francisco. O “Corriere della Sera” fala até de uma “Internacional Tradicionalista” formada contra o Papa Francisco, com o objetivo de forçá-lo a renunciar!

O caos atual tem um ponto de partida claro: o discurso do cardeal Kasper perante o Consistório no inicio de 2014.

Com sua proposta de distribuir, mediante certas condições, a comunhão para divorciados recasados, ele abriu literalmente a caixa de Pandora. Desde então ameaçam penetrar na Igreja todas as máximas da revolução sexual estilo revolução de 1968. Prelados da ala liberal sentem-se livres para exprimir o que lhes vem na cabeça, sem se preocuparem quão gravemente contradizem o ensinamento da Igreja.

É difícil imaginar que essa caixa de Pandora volte a fechar-se sem que antes haja um estouro.

Tradução do original em alemão: Renato Vasconcelos