Leo Daniele

“Temos mais semelhanças que nos unem que diferenças que nos separem”

Os pré-candidatos desta eleição de 2010 estão muito calados a respeito de suas intenções e convicções. Até parece que a eleição será por cargos na lua, sem nenhuma relação com nossa sofrida Terra. Só palavras vagas e sonoras.

Teotonio Vilela Filho reconheceu que “temos mais semelhanças que nos unem que diferenças que nos separem”. Afinal, são três candidatos ou um único candidato, vestindo três estilos de roupas, de siglas e de amigos? Ou são três pessoas?

Os assuntos-chave são evitados cuidadosamente. Por exemplo, o que parece a eles do Terceiro (e vasto) Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), tão alardeado pelo governo Lula da Silva, do qual se pode dizer que é um chavismo sem Chavez? Não se trata apenas de um programa de reformas várias, mas sim, em bloco, de uma reforma-do-Brasil. Não é pouco! Que acham os srs. candidatos dessa reforma socialista? Será para melhor? Ou…

E a Quinta Internacional? Chavez lançou recentemente um projeto de internacional comunista, pouco antes de termos cedido nossa embaixada em Honduras para abrigar Zelaya (lembra-se?). Diz ele: “Atrevo-me a convocar a 5ª Internacional para retomar a 1ª, a 2ª, a 3ª e a 4ª (…) Que esta se converta num instrumento de unificação da luta pelos povos para salvar o planeta”, disse. Chavez recordou que passaram 145 anos desde que Karl Marx convocou a 1ª Internacional Socialista, 120 desde que foi convocada a 2ª, por Friedrich Engels, 90 desde que Lenin convocou a 3ª e 71 anos desde que Trostsky convocou a 4ª.

Vamos aderir a essa Internacional, ou vamos repudiá-la com desdém? Ou se vai fingir que não se viu nada?

Os candidatos “acham que não devem nada para o eleitor, muito menos explicações” (Josias de Souza).

Mais uma pergunta. Segundo pesquisa do Datafolha sobre a ideologia dos brasileiros: 35% dos entrevistados que se disseram petistas, por livre vontade e protegidos pelo anonimato se declararam de direita (O Globo, 4-6-2010). No geral, dos eleitores de Serra, 61% se dizem de centro à extrema-direita; de Dilma, 51%; e de Marina, 54%. É incrível, mas você leu certo, cada um dos candidatos tem mais da metade dos seus eleitores nesse espectro ideológico: de centro à extrema-direita.

“E daí?” Parecem dizer os srs. candidatos…

5 COMENTÁRIOS

  1. E daí? Calem a boca todos vocês, baixem a cabeça, incensem à deusa democracia (representativa) e cubram-na de gritos e brados de felicidade e contentamento e como bois de presépio digam amém.

  2. Nossa república (e não sei se nas outras é diferente) funciona assim: o eleitor escolhe o presidente, mas não é ouvido nem cheirado na hora de escolher um candidato…

  3. Este artigo explicitou minha perplexitante situação quando considero as eleições brasileiras. Mas quem pergunta agora sou eu: e dai? As coisas continuam assim. Denúncias lúcidas como essa são feitas, ninguém contesta. E daí? Tenho a impressão de que o povo brasileiro assumiu a fantasia de palhaço e já não está mais com vergonha de assumir a própria condição de palhaço. E daí? O que se pode fazer? Alguém me responde?

  4. Muito bom o artigo do Sr. Leo. Analisa bem a situação existente.
    Mas hà um outro aspecto para o qual eu gostaria de chamar a atenção: o voto do brasileiro, em sua grande maioria, nunca foi ideologico. Os milhões de votos que são “canalizados” para êste ou aquele politico, simplesmente porque tem a cara simpatica, essa é a realidade.
    Eu desafio qualquer pessoa a me dizer se nunca assistiu na familia a seguinte cena:
    -“Mas a senhora votou em tal politico?! Êle é um grande bandido!!!” E a resposta de sempre: -“Mas êle é filho da Dona Zezé, você acha que êle vai fazer mal a alguém? Coitado!!!”
    E se vota num crapula porque é filho da dona Zezé ou porque me deu uma camiseta.
    Ou ainda, se vota num incompetente porque êle veio do norte, num caminhão de pau-de-arara e a gente fica com pena dele…
    Talvez, para mudar a situação teriamos que lutar por uma lei democratica que tire a obrigatoriedade do voto. Mas a covardia no Brasil virou banalidade; todo politico treme de mêdo dessa democracia que da liberdade de não votar. E falam grosso dizendo que vivemos numa democracia…
    Quando essa canga do voto obrigatorio cair do pescoço do brasileiro, a situação pode mudar. E muitos votantes irresponsaveis preferirão ir à pesca do que comparecer às urnas. Com certeza, as eleições assim refletirão mais a verdade do que essa palhaçada de hoje em dia.

  5. Essa é a nossa democracia! Parafraseando o Prof. Plinio Correa de Oliveira (“Desde que se case com José”, artigo para a Folha de São Paulo), podemos dizer dessas eleições: vote em quem quiser, desde que vote na esquerda!

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