Entrevista com o bisneto da Princesa Isabel

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Dom Bertrand de Orleans e Bragança fala aos leitores de Catolicismo sobre a personalidade de uma alma verdadeiramente católica: a “Redentora” dos escravos brasileiros, Princesa de admirável firmeza de princípios, exemplo de como se pode ser verdadeira e inteiramente mulher, esposa e mãe, merecedora de ser elevada às honras dos altares.

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 853, Janeiro/2022

Em 14 de novembro passado comemorou-se o centenário do falecimento da Princesa Isabel, herdeira presuntiva do Império do Brasil. Uma das marcas históricas de sua vida consistiu no seu empenho em abolir a escravidão no País, com a aprovação da Lei Áurea no histórico dia 13 de maio de 1888.

Catolicismo publicou então uma matéria sobre a vida da “Redentora” no Brasil, o banimento da Família Imperial e seu exílio decorrente das artimanhas de ateus republicanos que articularam o golpe de 15 de novembro de 1889.

Naquele mês desejávamos também publicar uma entrevista com o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, bisneto da Princesa Isabel, a qual devido às suas inúmeras atividades só se tornou possível para esta edição de janeiro.

Quando pedimos ao Príncipe essa entrevista, ele imediatamente acedeu, dizendo: “É com sumo gosto que atendo ao pedido de Catolicismo de uma entrevista sobre a Princesa Isabel, de quem me honro descender”.

Nosso nobre entrevistado é irmão do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança, trineto de Dom Pedro II e bisneto da Princesa Isabel. Formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, coordenador e porta-voz do movimento Paz no Campo, Dom Bertrand tem percorrido o Brasil, participando de eventos, concedendo entrevistas, fazendo conferências para produtores rurais, empresários e estudantes, em defesa do sagrado direito à propriedade privada e da livre iniciativa. Nessas conferências, alerta para os efeitos deletérios da Reforma Agrária e dos movimentos ditos sociais, que desejam afastar o Brasil dos rumos benditos da civilização cristã.

Quais foram para Dom Bertrand os traços essenciais da Princesa Isabel?

Para se compreender bem a formação de seu caráter e de sua personalidade, cumpre considerar que ela possuía a visão de estadista de Dom João VI, que o moveu a transferir a capital do Império português para o Rio de Janeiro; de Dom Pedro I ela herdou o temperamento forte, o gênio voluntarioso, os gostos enérgicos e corajosos, junto com uma natureza expansiva, comunicativa e franca; de Dom Pedro II, o gosto do estudo, o desapego dos bens materiais, a consciência do dever pelo bem da Pátria; da mãe, Dona Teresa Cristina, o que esta tinha de melhor: a Fé católica e a piedade solidamente haurida de seus maiores.

         A Princesa Isabel era católica, militantemente católica, de onde lhe vinha uma personalidade única. Ao mesmo tempo, generosa e disposta a perdoar, mas nunca a ceder em questões de princípio nem de ordem moral.

Estava profundamente compenetrada daquilo tão bem explicitado pelo Papa Pio IX na encíclica Quanta Cura, de que “os Estados subsistem quando tomam por fundamento a Fé católica”, e de que “o poder real não foi dado unicamente para o governo deste mundo, mas acima de tudo para a proteção da Igreja”.

Em contraste com certo feminismo desabrido hoje em voga, a Princesa Isabel era um exemplo de como se pode ser verdadeira e inteiramente mulher, esposa, mãe e, ao mesmo tempo, acompanhar os mais altos assuntos e interesses da sociedade e da Nação.

Uma alma verdadeiramente católica!

Toda a atuação da Princesa Isabel foi pautada pela Fé, pelos princípios do Evangelho, bem como pelo amor à Pátria e a consciência de uma missão a cumprir pelo bem do seu País. Era fervorosamente católica, mas não tinha nada de beatices… Muita sensibilidade, admirável clareza de ideias, firmeza de princípios inabalável. Suas devoções centrais eram à Sagrada Eucaristia e à Santíssima Virgem. Acompanhava o calendário litúrgico e prestigiava a vida paroquial.

Como foi a formação da Princesa Isabel?

         Dom Pedro II amargou muito a perda, em tenra idade, dos dois filhos varões, Dom Afonso Pedro (1847) e Dom Pedro Afonso (1850), em quem anelava ver seu sucessor para a direção do grande Império no qual se transformava o Brasil.

O mesmo anelo se voltou então para as duas filhas, Dona Isabel, sobre a qual recaía imediatamente a sucessão imperial, e Dona Leopoldina, que se lhe seguia.

Importava proporcionar a ambas primorosa formação para as futuras responsabilidades. Dom Pedro encontrou preceptora à altura em Luísa Margarida de Barros Portugal, Condessa de Barral, indicada por sua irmã mais velha, Dona Francisca de Bragança, Princesa de Joinville, de quem era dama de companhia em Paris.

Depois de ajustadas negociações que envolviam suas obrigações, e suas exigências, a Condessa veio para o Rio de Janeiro acompanhada de um filho menor. Inteligente, culta, com muita personalidade, soube cativar as duas meninas e desincumbiu-se eximiamente de sua tarefa.

         Punha-se então a questão do casamento das duas Princesas, e Dom Pedro recorreu novamente à Dona Francisca. Irmã do Imperador do Brasil e da Rainha de Portugal, nora do exilado Rei Luís Filipe I, a Princesa de Joinville desfrutava de alta posição na sociedade francesa e soube encontrar candidatos à altura para o duplo consórcio, ambos netos do mesmo Rei Luís Filipe e primos entre si, o Príncipe Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, Duque de Saxe, destinado à Princesa Isabel, e o Príncipe Gastão de Orleans, Conde d’Eu, destinado à Princesa Leopoldina.

         Dom Pedro II, movido talvez por sua experiência pessoal, fez questão de que os candidatos conhecessem as pretendidas antes da celebração de qualquer compromisso, e nessa condição embarcaram os Príncipes para o Rio de Janeiro em 1864. Sucessivas reuniões proporcionaram oportunidade para o mútuo conhecimento, e logo ficou claro que as empatias se davam em sentido cruzado. “Deus e nossos corações decidiram de outra maneira”, escreveria depois a Princesa Isabel.

Com a pompa requerida, o matrimônio da Princesa Isabel e do Conde d’Eu se realizou no dia 15 de outubro de 1864 na Capela Imperial do Rio de Janeiro, recebendo o casal a bênção nupcial do Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil. O enlace da Princesa Leopoldina e do Duque de Saxe ocorreria no dia 15 de dezembro.

Mas logo eclodiria a Guerra do Paraguai, e o Imperador acorreu ao front no Rio Grande do Sul acompanhado dos genros, cuja pertença à nova Pátria ficava assim selada por uma campanha militar.

Para melhor compreendermos a sucessão dinástica, Dom Bertrand poderia falar dos filhos da Princesa Isabel?

Dona Isabel (sentada) e Dona Leopoldina

A maternidade é um dom sublime e, para uma Princesa herdeira, uma bênção. Mas para a Princesa Isabel foi também ocasião de muitas penas e não pequena angústia. Consumado o casamento, os anos se iam escoando sem que chegasse o rebento que o Imperador e os brasileiros aguardavam. Gestações penosas e frustradas se sucederam ao longo de 11 anos. A Princesa recorreu a meios humanos — médicos de renome no Brasil e na França, águas termais, e sobrenaturais —, a peregrinação a Santuários — ao de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, em 1868, quando formulou o propósito de doar à Imagem uma coroa de ouro cravejada de diamantes se sua súplica fosse atendida, promessa cumprida em novembro de 1888; e de Lourdes, na França, em 1873; também à cidade de Caxambu, em 1868, para um tratamento com suas famosas águas, quando prometeu erigir uma capela em honra de Santa Isabel da Hungria se lograsse engravidar, edificação a seu tempo concretizada.

Afinal, em 1875 nasce, não sem dificuldades, o primogênito, que recebeu o nome do avô materno, Pedro de Alcântara; em 1878 nasce Dom Luiz, meu avô, e em 1881, Dom Antônio. A Divina Providência atendia assim a instante súplica da Herdeira do Trono.

Como foi sua preparação para a vida pública?

A Princesa Isabel, seu esposo, o Conde d’Eu, e seus três filhos Dom Pedro de Alcântara, Dom Luiz e Dom Antônio.

― Meu pai, um dia esse povo me pertencerá?

― Não, minha filha, você é que pertencerá a esse povo!

Essa troca de palavras entre o Imperador aclamado e a princesinha encantada reflete bem o cuidado que teve Dom Pedro II em formar as filhas na noção do cumprimento do dever e do despojamento de interesses pessoais.

Dom Pedro II fez questão de lhes proporcionar apurada formação, em tudo condizente com seu nascimento e futuras responsabilidades. Tiveram os melhores professores do tempo, alguns dos quais haviam lecionado para o próprio Dom Pedro, e ele mesmo se incumbia de lhes ensinar latim, geometria e astronomia.

Três vezes foi a Princesa chamada a exercer a Regência, nas prolongadas viagens de Dom Pedro II ao Exterior em 1871, 1876 e 1887. Contou assim com seu longo aprendizado, mas também com seu próprio descortino para haver-se com os grandes homens do Segundo Reinado que presidiam em cada uma delas (a primeira com 25 anos) o Conselho de Ministros, a saber, o Visconde do Rio Branco, o Duque de Caxias, o Barão de Cotegipe e o Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira.

Foi então seu juramento: “Juro manter a Religião Católica Apostólica Romana, a integridade, a indivisibilidade do Império, observar e fazer observar a Constituição política da Nação brasileira e mais Leis do Império e a prover o bem do Brasil quanto a mim couber. Juro fidelidade ao Imperador e entregar-lhe o governo logo que cessar a causa de seu impedimento”.

Sua Alteza poderia nos falar dos períodos nos quais a Princesa Isabel exerceu a Regência do País?

A “Revista Ilustrada”, de Rio de Janeiro, assim homenageava a Princesa Isabel, em 1888

A Primeira Regência foi marcada pela aprovação, e a promulgação pela Regente, da Lei do Ventre Livre, primeiro grande passo para a abolição da escravidão no Brasil.

A Segunda foi marcada pelas consequências da Questão Religiosa, que opôs o Governo Imperial aos Bispos que reivindicavam os direitos da Igreja face ao regalismo vigente. A Princesa Isabel obteve do Imperador a comutação da pena de quatro anos de trabalhos forçados que fora imposta aos Bispos D. Vital de Oliveira e D. Macedo Costa.

         Na Terceira Regência a causa da abolição da escravatura ganhava cada vez mais espaços na opinião pública, mas ao mesmo tempo se encrespava a oposição dos escravocratas, que tinham no Presidente do Conselho, o Barão de Cotegipe, que julgava inoportuna a medida, um aliado de ocasião. A Princesa Isabel, movida por profunda convicção religiosa, mas também discernindo as circunstâncias, julgou que deveria intervir. Manobrou para que Cotegipe renunciasse e chamou para a chefia do governo um sincero abolicionista, com vasta folha de serviços ao Império, o pernambucano João Alfredo Corrêa de Oliveira. Em apenas dois meses logrou ele que o Parlamento votasse a lei da abolição, promulgada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1988 em meio a grandes festejos populares ― a Lei Áurea.

         Cotegipe havia vaticinado à Regente que a abolição da escravidão acarretaria a perda do Trono. “Mil outros tronos houvera, mil outros tronos sacrificaria” foi sua animosa réplica da Princesa.

Ela ficou conhecida como “A Redentora”. Esse título esgota o papel histórico da Princesa?

A libertação dos escravos, tendo em vista suas vastas implicações, era por si só de molde a imortalizar sua autora. Mas isso não esgotava as cogitações da Princesa Isabel. Pensando na qualificação dos negros que seriam libertos, excogitou ela, em 1886, pedir a São João Bosco a fundação no Brasil de escolas profissionalizantes, resultando daí uma troca de correspondência entre os dois, de grande elevação e beleza, e a criação de duas Casas Salesianas, uma em Niterói, outra em São Paulo.

Quando chamada a exercer a Regência, a Princesa Isabel cumpriu seu dever com discernimento e determinação, chegando mesmo a operar uma troca na Chefia do Gabinete, mas não buscou criar um espaço permanente para si. Retornava sempre à vida social que lhe tocava, exercendo aí um grande papel pela irradiação pessoal e pela influência. Em sua residência levava uma vida social intensa, dando um exemplo de família autenticamente católica. Fomentava a cultura, a música, tocava admiravelmente piano e violino. Uma vez por semana recebia para jantar o Imperador e a Imperatriz. Dava o exemplo de uma grande dama de seu tempo: nobre, maternal e bondosa.

         “A Redentora”. Assim cognominou a posteridade aquela que integrou o elemento negro de nossa nacionalidade. Desde logo aflorou esse pensamento, e propuseram então lhe erigir um monumento com tal título. “Não à Redentora, mas ao Redentor”, declinou a Princesa, indicando que o monumento deveria ser levantado em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo e no topo do Corcovado. O advento da República obliterou momentaneamente esse anseio, que voltaria com força mais tarde, congregando múltiplas contribuições e resultando afinal na inauguração da portentosa imagem no dia 12 de outubro de 1931. Isso há 90 anos. No lançamento da pedra fundamental em 1922 havia estado presente minha avó, nora da Princesa Isabel, a Princesa Dona Maria Pia.

Assim, o monumento que se tornaria símbolo universal do Brasil cristão teve sua origem num desapegado e reconhecido movimento de alma da grande Princesa.

O gesto da Regente do Império do Brasil não passou despercebido ao Papa Leão XIII, ele mesmo um fervente abolicionista, que no mesmo ano conferiu a Rosa de Ouro ― honraria concedida pelos Papas a personalidades católicas de grande destaque e benemerência ― à Princesa Isabel, como reconhecimento por sua generosidade e determinação.

E como foi a vida da Princesa Isabel no Exílio?

“No exílio, em lugares públicos, numa igreja, num teatro, num parque, em cerimônias, quando discernia brasileiros fazia questão de convidá-los para ir à sua casa, onde buscava que se sentissem ‘em casa’”.

         Mais da metade dos anos de sua vida adulta passou-os a Princesa Isabel no exílio na França. Entretanto, lá não cessou seu devotamento ao Brasil. Pelo contrário, aproveitava todas as ocasiões para fazer bem à Pátria e aos brasileiros distantes.

Amargou primeiramente a morte de Dona Teresa Cristina, em Portugal, na cidade do Porto, ainda em 1889 e a de Dom Pedro II, em Paris, em 1891. Com o Conde d’Eu e os três filhos estabeleceu-se em Boulogne e mais tarde no castelo d’Eu, na Normandia. Cuidou então da formação dos filhos, em boas escolas francesas e posteriormente em academias militares da Áustria. Cônscia da importância da preservação da Dinastia brasileira, que apenas havia deixado o poder, buscou para eles casamentos à altura, matéria aliás já suficientemente versada.

Ademais da condição de Imperatriz de jure do Brasil, ostentava a de Princesa de França, títulos que lhe conferiam uma alta posição na sociedade parisiense, na qual era mesmo uma das figuras mais destacadas.

Em lugares públicos, numa igreja, num teatro, num parque, em cerimônias, quando discernia brasileiros fazia questão de convidá-los para ir à sua casa, onde buscava que se sentissem “em casa”.

Poderia nos dar exemplos desse tipo de relacionamento privilegiado que, durante o exílio, a Princesa dispensava aos brasileiros?

Uma dessas visitas foi a da família do Dr. João Paulo Corrêa de Oliveira, sobrinho de seu antigo Ministro. O filho deste, o então menino Plinio Corrêa de Oliveira, viria a ser grande amigo e apoio de meu Pai, Dom Pedro Henrique e, a seu pedido, orientador dos filhos dinastas, um dos quais é o entrevistado de hoje.

Foram inúmeros os casos de sua atenção a brasileiros. Sabedora dos experimentos de Santos Dumont ― o Pai da Aviação ―, mandava levar-lhe lanches no Bois de Boulogne para que não interrompesse sua atividade com deslocamentos. E numa ocasião acrescentou um bilhete: “Sr. Santos Dumont, envio-lhe uma medalha de São Bento, que protege contra acidentes. Aceite-a e use-a na corrente de seu relógio, na sua carteira ou no seu pescoço. Ofereço-a pensando em sua boa mãe, e pedindo a Deus que o socorra sempre e ajude a trabalhar para a glória de nossa Pátria”.

Atenta, acompanhava também o que acontecia na Pátria. O Banco do Brasil, sólido no Império, havia chegado em duas décadas de República a uma situação falimentar. O Presidente Hermes da Fonseca viu no íntegro Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira o homem para assumir a presidência do Banco. Convicto monarquista, João Alfredo não quis aceitar sem a anuência da Princesa Isabel. “Se é para o bem do Brasil peço que aceite”, foi a resposta da Princesa. E o Banco do Brasil foi inteiramente recuperado.

Mas a dilatação da Fé é o que merecia sua melhor atenção. A Princesa assinou em 8 de setembro de 1900 uma petição assuncionista, rogando ao Papa a declaração do dogma da Assunção de Nossa Senhora. E, já anteriormente, em 1877, unindo-se à voz do Episcopado brasileiro, pedia ao Papa a canonização do Padre Anchieta: “Queira, pois, Vossa Santidade resolver que é lícito aos católicos brasileiros venerarem em seus altares a imagem de tão santo varão”.

A morte seguida de dois filhos ― Dom Antônio em 1918, Dom Luís em 1920 ― abalou mais a saúde da Princesa, já comprometida, e Deus Nosso Senhor a chamou antes de que pudesse voltar ao Brasil para os festejos do Centenário da Independência em 1922, como desejava.

Mas deixou belos testemunhos. “Minhas forças não são o que eram, mas o meu coração é o mesmo para amar minha Pátria e todos aqueles que lhe são dedicados. Toda a minha amizade e confiança” (carta ao Conselheiro João Alfredo) e “Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha Pátria” (do seu testamento).

No Brasil, o Presidente Epitácio Pessoa decretou luto oficial e promoveu, para aquela que fora Regente do Império, exéquias de Chefe de Estado.

Há um pedido de processo de beatificação em curso. Como anda tal processo?

“Em contraste com certo feminismo desabrido hoje em voga, a Princesa era exemplo de como se pode ser verdadeira e inteiramente mulher, esposa, mãe e, ao mesmo tempo, acompanhar os mais altos assuntos”

Depois da glória do 13 de maio, destacou Francisco Lemes: veio ”a traição, o abandono, o exílio, a morte dos pais, o esquecimento, a ingratidão”. De maneira que há muitos registros e documentos, como também testemunhos tanto de sua época, como das décadas posteriores, da sua força moral e espiritual, que faz dela uma presença de bondade e amor de dimensão universal, cuja santidade certamente um dia será confirmada pela Igreja, para que ela seja elevada às honras dos altares, do mundo inteiro.

         Em 2011, na continuidade de um anelo que suavemente se avolumava, tomou corpo o propósito de introduzir na Igreja um processo formal para a beatificação da Princesa Isabel. Numa sessão solene promovida em São Paulo pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira no mês de novembro, na presença de descendentes da Princesa, fizeram uso da palavra qualificados oradores encarecendo tal iniciativa, e o Prof. Hermes Rodrigues Nery, estudioso do tema, apresentou o que seria uma peça introdutória ao processo. Depois disso mais de 80 mil documentos sobre a vida da Princesa foram analisados por uma comissão e esse conteúdo está sendo transformado em um imenso dossiê, a ser submetido ao Cardeal Arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, quem poderá dar andamento ao processo de beatificação e posterior canonização da catolicíssima Princesa Isabel.

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