O Tribunal Europeu de Justiça proibiu há uma semana o registro de patentes e o uso comercial de embriões e células tronco embrionárias humanas. Segundo a agência de notícias “Corrispondenza Romana” a imprensa laica criticou largamente essa decisão tomada pela Corte de Justiça Europeia.

Por outro lado essa mesma imprensa aplaude as decisões tomadas pela Comissão dos Assuntos Sociais da Câmara em Roma, para proibir o uso de modelos animais para o ensino prático de biologia e ciências naturais. Em suma, homens sim, animais não.

A decisão tomada em Bruxelas é sensacional. Ela estabelece com muita clareza como o termo “embrião” designa qualquer óvulo no instante da fecundação, acabando de vez com a absurda designação inventada de “pré-embrião”, desprovida totalmente de provas a nível científico. O que deixa de dar ocasião a que se abra, finalmente, um debate científico e moral sóbrio sobre questões como o aborto e a contracepção, que já custaram muitos milhões de vidas.

O jornal italiano “República” considera a decisão da Corte europeia um desastre para a Europa, pois joga no lixo anos de pesquisa com embriões. A pesquisadora Elena Cattaneo afirma que a decisão de Luxemburgo “nega uma possível cura aos pacientes” de certas doenças. Para ela não importa que seja à custa de embriões, que serão jogados fora após a retirada dos elementos que interessam para a pesquisa. O importante é a saúde humana. Ou melhor, “possíveis” tratamentos para a saúde humana.

Mas quando se trata de proibir o uso de modelos de animais para experimentos e exercícios didáticos, imediatamente, a música muda. Então sites como o da Liga Antivivisseccionista exultam, chamando o veredicto da Comissão Parlamentar como “um primeiro passo importante”, “um dever”, para “salvar a vida de dezenas de milhares de animais”, temendo no entanto de que uma outra comissão parlamentar, a dos Assuntos Europeus, ou de qualquer das Câmaras, possam anular a decisão da Comissão dos Assuntos Sociais.

Mas ainda tem mais. Outra queixa sacode a consciência. A Liga Nacional protestou contra a extração de órgãos de pessoas presumivelmente mortas, mas nas quais o sangue ainda circula e o coração ainda bate. No seu site a Liga adverte que, com a aprovação do texto, a Comissão dos Assuntos Sociais regula a “doação post-mortem do corpo para estudo e pesquisa científica.”

Exercícios cirúrgicos, químicos e radiológicos podem ser praticados em corpos nos chamados casos de “morte cerebral” durante um ano (!), para os que fizeram a “doação do corpo”. Ou seja, são organismos nos quais se mantém os “batimentos cardíacos e a circulação sanguínea”. Durante este período, portanto, não vai ser possível dar a estes corpos um digno enterro cristão e religioso. No entanto, assegura-se às famílias, que terminado o período de pesquisas, o transporte do corpo e o funeral atrasado serão gratuitos.

O conceito de “doação de corpo” abre antes de tudo um problema filosófico, mostrando todos os limites ideológicos inerentes a esta posição cultural, ostensivamente positivista. A verdadeira necessidade é compreender em que medida essa mentalidade propaga a completa inversão da ordem natural.

Enquanto no Gênesis (1, 26), está escrito claramente como Deus deu o domínio do homem “sobre os peixes do mar e as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todo o réptil que se arrasta sobre terra “, os defensores dos “direitos” dos animais pregam e praticam o oposto, negando aos homens os mesmos direitos que fanaticamente defendem para os animais. É hora de dizê-lo e denunciá-lo. Com clareza.

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Referência:

Mauro Faverzani, “Corrispondenza Roamana”, nr. 1213.

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