Luis Dufaur

Morte de chefe militar das FARCs desanima esquerdas

O “Mono Jojoy”, chefe militar das FARC, foi abatido pelo Exército colombiano em 21 de setembro (ver “El Tiempo”).

A mídia brasileira, sempre ávida de sensacionalismo, não gostou muito do fato; pelo menos informou pouco e tardiamente.

No momento do bombardeio, Víctor Julio Suárez Rojas – também conhecido pelas alcunhas de ‘Jorge Briceño Suarez’ e ‘Mono Jojoy’ – vestia uma calça verde militar e um ‘poncho’ preto e branco.

O rosto do criminoso ideológico mais cruel da Colômbia estava desfigurado por uma grande ferida na testa. Tinha muitas outras feridas, não se sabendo ainda se morreu por algum disparo ou por fragmento de bomba, segundo “El Tiempo”.

O golpe à organização esquerdista torna-se especialmente grave ao se considerar que nos últimos anos ela perdeu 30 de seus 40 principais líderes e que muitos dos sobreviventes estão refugiados em países vizinhos.

Sobre o líder marxista-leninista e narcoguerrilheiro de 57 anos acumulava uma dúzia de condenações criminais e mais de meia centena de ordens de captura por milhares de assassinatos, terrorismo, narcotráfico e seqüestros.

Ele era o chefe militar das FARC e representava uma das maiores ameaças para a paz e a ordem cristã nas Américas.

Junto com ele morreram outros líderes marxistas, entre os quais presume-se que esteja Henry Castellanos, ‘Romaña’, um dos subalternos da estrutura militar do grupo guerrilheiro.

‘Jojoy’ estava num acampamento de 300 metros de extensão, dotado de bunker e túneis antiaéreos. O bombardeio, feito por 72 aeronaves – helicópteros e aviões Supertucanos, de fabricação brasileira – liquidou com a estrutura do reduto. Em seguida, cerca de 500 soldados desceram dos helicópteros através de cordas e passaram à ação.

Os mais de 600 homens que protegiam ao “chefe supremo” em La Julia, região de La Macarena ‒ mais precisamente no local conhecido como La Escala ‒, não conseguiram resistir ao corajoso assalto das tropas especiais colombianas.

Segundo fontes militares ouvidas pelo jornal “El Tiempo”, o maior da Colômbia, nos últimos 10 meses o líder subversivo ‘Jojoy’ se movia em círculos pela região, que ele conhecia na perfeição.

Relatório do serviço de inteligência colombiano informa que nos três últimos anos ‘Jojoy’ perdeu entre 40 e 50 de seus homens-chave, com os quais articulava desde 1982.

A Casa Branca felicitou o novo presidente colombiano: “Apoiamos firmemente o povo colombiano, as suas forças de segurança e o presidente Juan Manuel Santos em seus esforços para combater as FARC”, disse à agência Efe o porta-voz do Conselho de Segurança da Casa Branca, Mike Hammer.

“O símbolo do terror e da violência foi abatido”, declarou o presidente Juan Manuel Santos em Nova York, onde se encontrava para a Assembléia Geral da ONU. O presidente batizou o operativo de “Boas-vindas” às FARC e advertiu que ainda há muito para fazer.

“As FARC desabavam por dentro”, disse o ministro da Defesa Rodrigo Rivera.

“É o golpe mais duro já desferido pelo exército contra as FARC. O próprio coração da estratégia militar delas foi atingido”, afirmou Camilo Gomez, ex-conselheiro para a paz do governo de esquerda de Andrés Pastrana (1998-2002), citado por “Le Monde” de Paris.

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