Igualitarismo, inveja e admiração

O assunto igualitarismo é realmente quentíssimo! Vale muito a pena aprofundá-lo, pois é uma chave para entendermos nossos tempos, tão igualitários.

Diz uma amável leitora que o preceito de Nosso Senhor “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, tem estreita relação com este tema. Sim, certamente, desde que se aprofunde devidamente a palavra próximo. É muito interessante a presença desta palavra na frase de Jesus, pois fornece uma especificação para esse amor.

Para uma mãe, ninguém é mais próximo que seu filho pequenino. Um irmão está mais próximo de seu irmão que de um estranho. A um brasileiro devemos valorizar mais do que, por exemplo, a um siberiano. E como o mais próximo de cada um é ele mesmo, o amor a si mesmo, desde que dentro dos devidos limites, tem precedência sobre a afeição a qualquer outro.

Portanto, o preceito de amar o próximo como a si mesmo não é igualitário.

E a obra da Criação é igualitária?  De maneira alguma! Os seres são enormemente desiguais, desde os anjos até os micróbios. A Criação é a melhor prova contra o igualitarismo. Não vê quem não quer.

Não foi por acaso que aconteceu desta maneira: Deus o quis. E por que Deus os criou assim? Porque sendo Ele infinito, para O refletir devidamente era necessário uma quantidade indefinida de seres diversos, formando várias hierarquias, várias formas de beleza. Era necessário que a Criação fosse desigual. A desigualdade não é algo que Deus tolera, mas algo que Deus quer.

Além disso, para nós, homens, também era necessária esta diversidade, pois uma das mais nobres qualidades do espírito humano é a admiração. E a admiração supõe a diversidade.

O contrário da admiração é a inveja, da qual diz Dr. Plinio: “A  inveja é como uma árvore maldita, uma sementinha que faz nascer uma floresta. Não consintamos nela de nenhum modo…. O invejoso é igualitário. A substância da inveja é  o igualitarismo”.[i] E o que move geralmente os sem-terra, os sem-teto e os outros “sem”? O invejoso é um “sem”, com objetos do desejo diversos: um “sem-carro”, um “sem-êxito”, um “sem-genialidade”, etc.

Devemos tomar cuidado para nos alegrar sempre que alguém tenha algo que não temos: uma qualidade, um objeto, um sucesso, etc. E assim estaremos de acordo com os planos de Deus na Criação e não cairemos no igualitarismo, e no defeito capital da inveja.


[i] Conferências em 1-9-73 e 15-10-85.