Igualitarismo: respondendo a duas objeções

Um leitor deste site escreveu: Vocês defendem somente as elites, os pobres que morram.

Ou seja, para ele as classes superiores, por interesse próprio, são anti-igualitárias, e os pobres, por serem pobres, são igualitários. Parece que há uma ponta de luta de classes nesta concepção.

Infelizmente, a realidade é outra. Frequentemente as pessoas de mais posses são mais igualitárias que os pobres. Muitos são esquerdistas. Dr. Plinio os chamava de “sapos”, e explica o que é um “sapo”: “é um esquerdista camuflado de centrista. Portanto,  é um indivíduo que quer o advento da esquerda mas se esconde, ou como direitista ou como centrista – em noventa e tanto por cento das vezes como centrista. É o sujeito que combate contra a direita e é veladamente a favor da esquerda”.[1]

Existem igualitários tão ferrenhos que, por igualitarismo, vão contra os próprios interesses. Por exemplo, uma autoridade que recuse o poder que lhe seja oferecido, por ser a favor da anarquia. Ou um elemento da elite que seja igualitário

Vamos a outra objeção:

Li neste site que o igualitarismo pode ser pecado de orgulho. Mas gostaria de dizer que, em certos casos,  pode ser humildade. Por exemplo, um professor numa sala de aula. Se um aluno quiser ter o mesmo nível que ele, é orgulho, é igualitarismo, concordo. Mas se o professor quiser ser igual aos alunos, sentar no meio deles, dar a aula com a camiseta de um time de futebol, deixar que eles o tratem de você, com um simpático igualitarismo, aí é humildade, não é mesmo? Resumindo: se o aluno quiser bancar o professor é orgulho, mas o professor se colocar como aluno é humildade.

Esta objeção se resolve com facilidade, pois segundo a doutrina católica, a humildade é a verdade. Portanto, assim como o aluno não deve ter a pretensão de ser igual ao professor, este não deve querer ser como o aluno, pois, por definição, ele é mais.

O professor, com toda naturalidade, deve ser aquilo que é, o mestre. No caso descrito na mensagem que recebi, ele cometeu pelo menos duas faltas: aparentar algo que não é, e formar os alunos no igualitarismo, em vez de dar bom exemplo. Além do mais, criar um ambiente que não favorece o respeito que se deve a um professor.

Portanto, no caso, não houve verdadeira humildade.

É urgente que se restabeleçam no mundo qualidades que com o avanço do igualitarismo vão ficando cada vez mais raras: a dignidade, a distinção, a honra. E mesmo o respeito, que nos devemos mutuamente, e de forma especial aos que nos são superiores ou detém autoridade.

O respeito vai ficando cada vez mais coisa do passado. E assim, cada vez se perde mais a alegria de viver. Sim, porque o igualitarismo rouba a alegria de viver. O igualitarismo só traz mal estar e aridez, um trato vulgar, pesado e frio.


[1] Conferência em 8-7-73.