Voltar à vida tribal – e por que não na caverna? – é o objetivo da evolução sonhada por Karl Marx como desfecho da luta de classes. Como ?

A explicação foi fornecida pelo psicanalista marxista Erich Fromm (1900-1980), célebre entre os comunistas mais iniciados.

Fromm dirigiu a Escola de Frankfurt desde 1930 (o Frankfurter Institut für Sozialforschung).

Também foi um dos homens chaves na criação do marxismo freudiano, doutrina que está demolindo nossa civilização enquistada na Revolução Cultural.

A afinidade do pensamento do fundador do comunismo – e, de Fromm é claro – com o ecologismo mais extremado e com o comuno-progressismo que está tirando a máscara no Sínodo da Amazônia não poderia ser mais plena.

Fromm acrescenta uma grossa e apimentada dose de liberalismo sexual tirada de Sigmund Freud, para destruir a moral e a família.

Cerimônia evoca divindades primitivas no jardim vaticano em prévia do Sínodo Pan-amazônico

Com essa mistura, ele formula teses que hoje saem das bocas dos propugnadores da revolução ambientalista e do progressismo instalado nas mais altas cátedras da Igreja Católica.

Se Fromm tem algum mérito é o da clareza anticristã. Por isso mesmo é facilmente glosado pelos fautores do comunismo tribalista.

Embora escritos há meio século, os textos de Fromm vezes nos dão a impressão de estar lendo os mais autorizados arautos da revolução eclesiástica e a do ecologismo mais descabelado.

Assim, não estamos citando os místicos mencionados na encíclica ‘Laudato si’ quando reproduzimos a Fromm escrevendo

“A luta de Marx contra Deus é contra o ídolo que chamam de Deus.

“O ateísmo de Marx é a forma mais adiantada de misticismo racional, mais próximo de Meister Eckhart ou do Budismo Zen”.

E eis ainda o freudo-marxista nos descrevendo o idílico, mas falso, estado “do homem originário” sonhado pelo comuno-tribalismo:

“O homem, antes de ter consciência de si próprio vive em união com a natureza (…).

“O processo da História é aquele graças ao qual o homem desenvolve suas qualidades (…), e uma vez haja atingido a plenitude da humanidade, pode regressar à perdida união com o mundo”.

Em poucas palavras, a revolução freudo-marxista quer nos fazer cair no estado mais primitivo que imaginar se possa.

Mas a recaída no primitivismo irracional dos “povos originários” terá um novo componente, segundo Marx.

Por vezes o ouvimos mencionar nas homilias progressistas mas em termos enigmáticos: “a reconciliação do homem consigo mesmo, com a natureza e com seu semelhante, baseada no fato de o homem ter gerado a si próprio no decurso da História”

Erich Fromm

Essa esotérica formulação é esclarecida pelo próprio Fromm. Ele põe como exemplos as revoluções que o prof. Plinio Corrêa de Oliveira de um ponto de vista oposto, mostra serem um só processo.

Isto é, o processo revolucionário para a implantação do igualitarismo filho do orgulho e da imoralidade mais extremados soprada pelo antros revolucionários como doutrina “messiânica”. De um messianismo infernal, é claro.

Não é um erro tão novo. Já germinava nas explosões das seitas heréticas mais perversas da História, como reconhece o autor que citamos.

“A ideia messiânica – desenvolve Fromm – foi expressa em formas ainda mais radicais nas seitas cristãs anteriores à Reforma.

“Sem embargo, o curso principal do pensamento messiânico após a Reforma (…) exprimiu-se nas grandes utopias do Renascimento, (…).

“Foi manifestado no pensamento dos filósofos do iluminismo e das revoluções francesa e inglesa.

“Encontrou sua última e mais completa expressão na conceituação do socialismo feita por Marx”.

Três Revoluções: a Protestante, a Francesa e a Comunista, cada uma engendrando a outra, para implantar uma utopia orgulhosa e sensual.

Este processo conduzido hoje pelo ecologismo comuno-tribalista rumo à utopia de Marx e de Freud é o bem.

Então, onde está o mal?

Fromm ecoa Marx e não deixa dúvidas: o mal atingiu sua plenitude na autoridade espiritual que tinha a Igreja Católica na Idade Média.

Fromm, embora ateu, não teme se assemelhar a certos discursos do Papa Francisco.

E então se volta contra o caráter sacral e hierárquico da Igreja naquela época feliz que o Papa Leão XIII definiu com toda justiça e propriedade:

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados.

“Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil.

“Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados”.

(Encíclica “Immortale Dei”, 1º-XI-1885, Bonne Presse, Paris, vol. II, p. 39

Fromm não cessa de sublinhar a importância da concatenação das Revoluções Protestante, Francesa e comunista para combater toda autoridade, estabelecer o liberalismo moral mais absoluto.

Essa é a via de Marx para fazer desaparecer o Estado e estabelecer uma autogestão de indivíduos cooperando voluntariamente como na tribo primigênia por eles inventada.

Para o que?

Para fazer o que Marx formulou rombudamente: que o homem “gire em torno de si mesmo e, portanto, de seu verdadeiro sol.

Exaltação do primitivismo na prévia do Sínodo Pan-amazônico

“A religião é apenas um sol fictício que se desloca em torno do homem enquanto este não se move em torno de sí mesmo (…)

“A crítica da religião termina com a ideia do homem como ser supremo para si próprio”. (“Introdução à crítica da ‘Filosofia do Direito’ de Hegel. Crítica da Religião”, pág.189).

Em suma a utopia místico tribalista que hoje se fala em volta do Sínodo Pan-amazônico.

Não é uma mera glosa verde de Karl Marx, mas um eco coletivo do “Não servirei” que se ouviu no Céu, logo antes de seu fautor ser precipitado nos abismos dos quais não saiu mais…

O espaço não permite estender-nos o necessário.

Por isso, nos posts seguintes continuaremos com o Elogio da Tribo Primitiva nos escritos do pai do comunismo, comentados pelo seu autorizado discípulo.

(Citações de: Erich Fromm, “Conceito marxista do homem – Manuscritos Económicos e Filosóficos de 1844 de Karl Marx”, Zahar Editores, Rio, 1975, 222 págs., 6ª ed.)

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