Michael Shellenberger

Michael Shellenberger foi um ardido militante ambientalista proclamado “Herói do Meio Ambiente 2008” pela revista “Time”. Ganhou também em 2008 o Green Book Award; foi co-autor do “Manifesto Ecomodernista”; e, entre muitos outros destaques, candidato a governador da Califórnia em 2018, e é presidente da Environmental Progress.

Além do mais, escreveu vários livros, o mais polêmico dos quais é o último “Apocalipse nunca – Por que o alarmismo ambientalista faz mal a todos” (“Apocalypse Never – Why environmental alarmism hurts us all”, Harper, New York, julho 2020), best-seller nos EUA.

Neste livro ele defende chapadamente: “Em nome de ambientalistas de todos os lugares, gostaria de me desculpar formalmente pelo pânico climático que nós criamos nos últimos 30 anos”.

E ainda reforça “não é o fim do mundo. Nem o ambiental é o nosso problema mais sério”.

E explica num artigo de pesar “Eu posso parecer uma pessoa estranha por estar dizendo tudo isso. Sou ativista do clima há 20 anos e ambientalista há 30”.

O artigo foi reproduzido em muitos sites, mas severamente reprimido em outros. Nós o citamos como foi reproduzido em “ClimateChangeDispatch”.

Repressão ideológica no estilo da da Gestapo ecológica em “Forbes”

Mas ficamos pasmos quando esse site nos reenviava a ler mais na famosa revista “Forbes”. E clicando no link verificamos que um véu esbranquiçado impedia a leitura do artigo que, entretanto, se podia adivinhar ali presente.

Uma “Nota do Editor” diz “Está página não está mais ativa”.

Supressão ideológica, bem no estilo da democracia ambientalista, ou da Gestapo ecológica. Confira o leitor, se ainda existe essa página em “Forbes”.

“Mas, como especialista em energia, diz Michael, eu fui solicitado pelo Congresso para fornecer testemunho objetivo, e convidado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para servir como revisor especialista de seu próximo Relatório de Avaliação, e sinto a obrigação de me desculpar pelo mal que os ambientalistas temos feito enganando o público.

“Aqui estão alguns fatos que poucas pessoas sabem:

Os seres humanos não estão causando uma ‘sexta extinção em massa’.

A Amazônia não é ‘pulmão do mundo’.

A mudança climática não está piorando os desastres naturais.

Os incêndios florestais caíram 25% em todo o mundo desde 2003.

A quantidade de terra que usamos para a pecuária – o maior uso da terra pela humanidade – diminuiu numa extensão quase tão grande quanto o Alasca.

As mudanças climáticas não são a causa dos maiores incêndios verificados na Austrália e na Califórnia, mas sim o acúmulo de lenha nas casas cada vez mais numerosas perto das florestas.

As emissões de carbono vêm diminuindo nos países ricos há décadas e atingiram o pico na Grã-Bretanha, Alemanha e França em meados dos anos setenta.

A adaptação à vida abaixo do nível do mar tornou os Países Baixos ricos e não pobres.

Produzimos 25% mais alimentos do que precisamos e os excedentes de alimentos continuarão a aumentar à medida que o clima do mundo esquentar.

As mudanças climáticas não são ameaças maiores para as espécies, mas sim a perda de habitat e a matança direta de animais selvagens.

Os combustíveis fósseis não são os piores para as pessoas e para a vida selvagem, mas sim os naturais como a lenha.

Para prevenir futuras pandemias se requer mais, e não menos, agricultura ‘industrial’”.

Michael Shellenberger reconhece que essas afirmações iriam atrair sobre ele os impropérios do establishment verde/vermelho contra os “negacionistas climáticos”.

Essa catarata denegridora pode impressionar muitos, mas para ele, apenas mostra o poder carente de argumentos típico do alarmismo climático.

Porque ele chegou às conclusões com os dados dos melhores estudos científicos aceitos pelo ‘cerne duro’ da fábrica de pavores ambientalistas: o IPCC da ONU, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e outros organismos científicos líderes na cúpula planetária ecologista.

Michael Shellenberger (dir.) não é um conservador, mas ficou escandalizado
com os males do alarmismo ambientalista. Na foto no Maranhão em 1995

Michael diz que ele não virou à direita. Conta que com 17 anos aderiu à revolução socialista sandinista. Aos 23 anos, arrecadou dinheiro para cooperativas guatemaltecas.

No início dos 20 anos militou com agricultores do MST no Maranhão, e com 26 anos fez campanha contra as fábricas da Nike na Ásia.

Ele conta que assistiu a abusos contra cientistas de valor ‘objetivos’ ou ‘negacionistas’. Porém, em 2019 não aguentou mais.

“Tornei-me ambientalista aos 16 anos quando entrei numa campanha de arrecadação de fundos para a Rainforest Action Network. (…)

“Nos meus 30 anos, advoguei fontes renováveis e ajudei a persuadir o governo Obama a investir US $ 90 bilhões nelas”.

Mas Michel já no ano passado (2019) sentia vergonha interiormente porque, escreve ele:

“Afinal, sou tão culpado de alarmismo quanto qualquer outro ambientalista. Durante anos, me referi à mudança climática como uma ameaça ‘existencial’ à civilização humana e a chamei de ‘crise’.

“Mas principalmente eu estava com medo. Fiquei quieto sobre a campanha de desinformação climática porque tinha medo de perder amigos e financiamento.

“Nas poucas vezes em que reuni a coragem de defender a ciência climática daqueles que a deturparam, sofri duras consequências.

“Por isso, quase não fiz nada enquanto meus colegas ambientalistas aterrorizavam o público”.

Ele ouviu da ativista comunitária e congressista pelo Partido Democrata nos EUA, Alexandria Ocasio-Cortez que “o mundo terminará em doze anos se não enfrentarmos as mudanças climáticas”.

O jornalista verde mais influente do mundo, Bill McKibben, chamava a mudança climática de ‘o maior desafio que os humanos já enfrentaram’ porque ‘destruiria as civilizações’.

Os principais jornalistas insistiam que a Amazônia é um dos “pulmões do mundo” e que o desmatamento era como uma bomba nuclear explodindo.

A metade das pessoas consultadas em sondagens no mundo diziam que a mudança climática extinguiria a humanidade.

Num outro absurdo, o grupo ambiental mais destacado da Grã-Bretanha afirmava: “a mudança climática mata crianças”. E em sondagem de janeiro de 2019, uma de cada cinco crianças britânicas respondiam que tinham pesadelos sobre as mudanças climáticas.

Michel teve que conversar com a filha para tranquiliza-la. Mas suas amigas continuavam profundamente desinformadas e assustadas.

Então Michel decidiu vencer o medo que amarrava sua consciência num silêncio daninho e culpado.

Decidiu falar e percebeu que escrever alguns artigos contra um abismo de pavores sem fundo não seria suficiente. Ele precisava de um livro para apresentar todas as provas.

Redigiu assim um pedido formal de desculpas em forma de livro: “Apocalipse nunca – Por que o alarmismo ambientalista faz mal a todos” (“Apocalypse Never – Why environmental alarmismo hurts us all”).

Não é um livro qualquer. É baseado em duas décadas de pesquisa e três décadas de ativismo ambiental.

Com 400 páginas, das quais 100 são notas finais, ‘Apocalypse Never’ cobre pontos sensíveis como mudanças climáticas, desmatamento, resíduos plásticos, extinção de espécies, industrialização, carne, energia nuclear e fontes renováveis.

‘Apocalipse nunca’ o best-seller polêmico

Eis alguns pontos defendidos no livro, que o próprio Michael seleciona para os leitores de seu artigo ‘penitencial’:

1.Fábricas e agricultura moderna são as chaves para a libertação humana e o progresso ambiental.

2.A coisa mais importante para salvar o meio ambiente é produzir mais alimentos, principalmente carne, em menos terra.

3. A coisa mais importante para reduzir a poluição do ar e as emissões de carbono é passar da madeira ao carvão, ao petróleo, ao gás natural, ao urânio (nuclear).

4.100% de fontes renováveis (com destaque para a eólica e a solar) exigiriam o aumento da terra usada para energia dos atuais 0,5% para 50%.

5. Devemos desejar que cidades, fazendas e usinas de energia tenham densidades de energia mais altas, e não menores.

6.O vegetarianismo reduz as emissões em menos de 4%.

7.O Greenpeace não salvou as baleias trocando óleo de baleia para o petróleo e o óleo de palma.

8.A carne de vaca “caipira” exigiria 20 vezes mais terra e produziria 300% mais emissões.

9.O dogmatismo do Greenpeace piorou a distribuição florestal da Amazônia.

10. A abordagem colonialista da conservação de gorilas no Congo produziu uma reação que pode ter resultado na morte de 250 elefantes.

O artigo do experiente Michael Shellenberger é de tal maneira extenso e ricamente fundamentado que nosso resumo não coube no post. Continuaremos no próximo, sem dúvida.

Por que deixei de ser contra a energia nuclear e fiquei a favor. Michael Shellenberger. TEDxBerlin (em inglês)

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