A imoralidade e a droga tornaram o HIV uma epidemia na Rússia

Mais três fatores alarmantes sobre a diminuição da população russa vieram se somar aos já conhecidos, escreveu Paul Goble, especialista em questões étnicas e religiosas na Eurásia, em artigo para Euromaidanpress. 

primeiro deles é o dramático aumento da transmissão do HIV e o aumento das mortes por AIDS, ligados à decadência dos costumes, à adição às drogas, ao descalabro do serviço de saúde pública e à carência de medicamentos.

Segundo os especialistas em medicina russa, só no ano passado as infecções com HIV aumentaram entre 3% e 4%, com médias ainda superiores em localidades específicas.

Por isso já se fala do HIV como uma epidemia na Rússia.

Vladimir Putin cortou as verbas para a saúde com o eufemístico argumento de “otimização” das despesas. Na prática, essa “otimização” significou arrocho geral, exceto para o setor militar e para o esquema de repressão política.

A “otimização” – escreveu Goble – pode ter sido muito boa para a burocracia estatal, mas não para o povo russo, especialmente os doentes.

Um segundo grande multiplicador da mortalidade é o severo corte nos medicamentos de uso geral, devido ao programa contra sanções implementado pelo Kremlin.

Após Putin ordenar a invasão da Crimeia e do leste ucraniano, o Ocidente revidou com restrições econômicas. O chefe supremo russo respondeu cerceando a importação de produtos de procedência ocidental.

Mas a Rússia não tem como substituir muitos deles, especialmente medicamentos.

Moscou bloqueou os remédios importados e os componentes que servem para fabricá-los. Quem sofre as consequências é o povo em geral e os doentes em particular.

Os diabéticos russos, por exemplo, não estão encontrando insulina disponível, o que para muitos deles é a morte.

Os jovens migram para as cidades e os campos vão se despovoando

Se o Kremlin se interessasse mais pela saúde da população do que pela expansão geopolítica, poderia ter aberto exceções.

Mas cortou os remédios mais necessários à sobrevivência dos aflitos, enquanto crescem os índices de mortalidade entre os adultos, atingindo patamares terceiro-mundistas.

Em terceiro lugar, a ânsia de Putin pela urbanização da Rússia trouxe como subproduto letal a negligência com as áreas rurais. E o efeito demográfico está se fazendo sentir.

empobrecimento do campo leva os jovens a migrar para as cidades e o despovoamento rural não é compensado demograficamente pelo aumento da população urbana.

Os interioranos têm dificuldade de se adaptar, formam menos famílias, têm menos filhos e caem facilmente na corrupção das periferias urbanas.

Por sua vez, a população rural envelhecida não tem apoio dos filhos. Resultado: no interior as taxas de nascimento são miseráveis, e insuficientes nas megalópoles politicamente promovidas por Putin.

Essas políticas desastrosas acentuam o declínio global da população russa, conclui Goble.

Paradoxalmente, a propaganda dos serviços do Kremlin e dos “companheiros de viagem” apresenta Putin no exterior como um campeão defensor da família, da moralidade e da expansão de seu povo.

Mas esse está sendo devorado pela falta de moral e de recursos básicos para a subsistência, e está sendo sacrificado em aras de políticas desmesuradas de expansão universal.

 

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