Nossa Senhora possui muitos títulos. Um deles é de especial consolo para aqueles que se encontram na Igreja Padecente. Nossa Senhora revelou esse título a Santa Brígida: “Nossa Senhora, Mãe das Almas do Purgatório”.
Em sua obra sobre o Purgatório, o Pe. F. Schouppe registra as palavras de Nossa Senhora a Santa Brígida e explica esse título. Nossa Senhora disse:
“Sou a Mãe de todos aqueles que estão no lugar de expiação; minhas orações mitigam os castigos que lhes são infligidos por suas faltas.”1
“Sou a Mãe de todos aqueles que estão no lugar de expiação; minhas orações mitigam os castigos que lhes são infligidos por suas faltas.”1
Auxílio das pobres almas
Essa frase é digna da contemplação de todos aqueles que refletem com maior frequência sobre as penas do Purgatório e que, por isso, mais as temem. O Padre Schouppe relata histórias que mostram como Nossa Senhora merece esse título de Mãe das almas do Purgatório.
A primeira história é a do Padre Jerônimo Carvalho, SJ, que morreu em odor de santidade, aos cinquenta anos de idade, em 1604. Ele tinha profunda consciência da realidade do Purgatório e de seus sofrimentos e impunha a si mesmo muitas penitências para deles se preservar. Certo dia, em resposta às suas orações e aos sofrimentos que voluntariamente se impunha, Nossa Senhora veio até ele. Não ficou registrado se sua presença se manifestou por meio de uma visão, de palavras audíveis ou de uma comunicação interior, mas a mensagem é clara.
“Mas certo dia, a Rainha do Céu, por quem ele nutria terna devoção, dignou-se consolar seu servo com a simples certeza de que Ela era Mãe de Misericórdia para seus queridos filhos no Purgatório, assim como para aqueles que estavam na Terra.”
“Mas certo dia, a Rainha do Céu, por quem ele nutria terna devoção, dignou-se consolar seu servo com a simples certeza de que Ela era Mãe de Misericórdia para seus queridos filhos no Purgatório, assim como para aqueles que estavam na Terra.”
Visão de uma pessoa querida
Uma descrição pormenorizada de Nossa Senhora agindo dessa maneira provém de São Pedro Damião (c. 1007–1072). Ele relatou que, todos os anos, no dia da Assunção de Maria (15 de agosto), Ela liberta vários milhares de almas do Purgatório. Essa crença levava os romanos a visitar as igrejas na noite anterior à Assunção, levando consigo uma vela acesa.
Em uma dessas ocasiões, uma piedosa nobre dirigiu-se à Basílica de Santa Maria do Altar do Céu (Ara Coeli), no Monte Capitolino. Enquanto rezava, percebeu outra mulher prostrada, também em oração. Pareceu-lhe reconhecer sua própria madrinha, falecida havia vários meses.
Compreensivelmente tomada de emoção, a nobre esperou junto à porta da Basílica. Quando a figura prostrada se levantou para sair, a senhora tomou-a pela mão e conduziu-a à parte.
Uma conversa sobrenatural
“Não sois minha madrinha, aquela que me sustentou junto à pia batismal?”, perguntou a senhora.
“Sim”, respondeu a outra, “sou eu.”
“E como é possível que eu vos encontre entre os vivos, se estais morta há mais de um ano?”
A madrinha da senhora respondeu longamente: “Até este dia, estive mergulhada em um fogo terrível, por causa dos muitos pecados de vaidade que cometi em minha juventude; mas, durante esta grande solenidade, a Rainha do Céu desceu ao meio das chamas do Purgatório e libertou-me, juntamente com grande número de outras almas, para que pudéssemos entrar no Céu na Festa de sua Assunção. Ela realiza todos os anos esse grande ato de clemência; e, somente nesta ocasião, o número daqueles que libertou equivale à população de Roma.”
Uma profecia cumprida
Como é fácil compreender, a senhora ficou profundamente impressionada com essa notícia. Ela havia ido à Basílica para oferecer suas orações, mas dificilmente esperava ver uma daquelas pessoas por quem rezava. Sua madrinha, percebendo sua apreensão, acrescentou uma profecia.
“Como prova da verdade de minhas palavras, sabei que vós mesma morrereis daqui a um ano, na Festa da Assunção; se viverdes além desse prazo, acreditai que tudo isto foi uma ilusão.”
“Como prova da verdade de minhas palavras, sabei que vós mesma morrereis daqui a um ano, na Festa da Assunção; se viverdes além desse prazo, acreditai que tudo isto foi uma ilusão.”
A piedosa jovem nobre deu ouvidos às palavras de despedida de sua madrinha. Passou o ano seguinte em oração, praticando boas obras e preparando-se para comparecer diante de Deus. Então, como sua madrinha havia predito, adoeceu e morreu na Vigília da Assunção.
O caráter especial da Festa da Assunção
De fato, como informa o Padre Schouppe a seus leitores, “A Festa da Assunção é, portanto, o grande dia da misericórdia de Maria para com as pobres almas; Ela se compraz em introduzir seus filhos na glória do Céu no aniversário do dia em que Ela própria atravessou pela primeira vez seus bem-aventurados portais.”
Nossa Senhora, Mãe das Almas do Purgatório, rogai por nossos entes queridos que aguardam a Visão Beatífica!
Nossa Senhora, Mãe das Almas do Purgatório, rogai por nossos entes queridos que aguardam a Visão Beatífica!
Notas
Todas as citações deste artigo (salvo quando indicada outra fonte) utilizam a edição de 1905 da obra Purgatory, do Padre F. X. Schouppe, publicada na Grã-Bretanha por Burns, Oates and Washbourne, Ltd. A obra encontra-se em domínio público e está disponível no Internet Archive. A grafia de certas palavras pode ter sido adaptada.
Fonte: Return to Order — https://www.returntoorder.org/2026/08/our-lady-the-mother-of-the-souls-in-purgatory-delivers-many-thousands-on-the-feast-of-the-assumption




