Sonhei. Estava com um conhecido meu, infelizmente igualitário, na Baía de Guanabara. Eu lhe disse: o que acha deste panorama? Respondeu: preferia que não tivesse aí esta pedra enorme, irregular, que é o Pão de Açúcar. Toleraria se fosse um cubo de granito. O Corcovado e a Gávea também reduzidos a quadriláteros de pedra. As praias, em linhas retas. Tudo geométrico. Tudo de uma única cor. Simplificação igualitária!

E perguntei para um carioca amigo meu, que passava: Que lhe parece? Ele respondeu sem pestanejar: seria uma catástrofe para o gênero humano! O vazio invadiria o Rio de Janeiro!

Acordei sobressaltado. Pois algo dessa espécie desejam para a Humanidade certos adeptos do igualitarismo. Exagerando um pouco, talvez se possa dizer que uma tendência para algo desse tipo, no campo cultural, já está acontecendo. Muitas vezes na arquitetura contemporânea, por exemplo: são meros quadriláteros de cimento armado.
Veja-se, em outro campo, o que diz uma articulista:

“Em qualquer lugar do mundo você come exatamente as mesmas coisas e pode comprar a mesma bolsa no Rio, em São Paulo, em Nova York, em Tóquio ou Cingapura, todas rigorosamente iguais; as grifes se banalizaram, o que foi lançado na semana passada em Londres já chegou aqui, e para ter acesso às coisas é apenas uma questão de conta bancária (Danuza Leão, Folha de S.Paulo, 18-9-11).

É outro gênero de igualitarismo!

As curtas dimensões deste artigo não permitem longas enumerações de fatos. Mas a título de mero exemplo, cito trecho de um artigo recente:

“Não tenho muita paciência para comprar roupa, perfume ou relógio. No entanto, me largar numa loja recheada de artigos para animais é uma temeridade. Um risco para a minha conta bancária” (Jaime Spitzcovsky, Folha de S. Paulo, 19-9-11).

No artigo, fica bem estabelecida a prioridade: o “cliente” animal do mega pet shop tem larga precedência sobre seu dono, que confessa pouco se incomodar com sua roupa, perfume ou relógio. Ele alerta para “exageros consumistas” que também aparecem. “Tente hoje comprar um xampu para o seu cachorro. Quer de chocolate? Pode optar ainda entre as versões guaraná, açaí, coco, melancia ou morango”. E ainda: “Bifinho com ervas finas ou com maçã e cenoura? Sabor calabresa ou fígado? Achatado ou cilíndrico?”

Trata-se de um artigo com certo tom irônico. O problema é que, mesmo retirando os “exageros consumistas”, ao que parece ainda restam muitos exageros…

Isto é igualitário? Por que?

Ensina Dr. Plinio, no jamais muito recomendado livro “Revolução e Contra-Revolução”, que o igualitarismo pode existir “nas tendências, nas ideias e nos fatos”.

Todo este artigo compõe-se de exemplos de igualitarismo nas tendências, o qual abre caminho para o igualitarismo nas ideias e nos fatos, na contra-cultura do século XXI.

3 COMENTÁRIOS

  1. @amauri oliveira
    Caro, Amauri, penso que a idéia do articulista é mostrar que esse movimento chamado Revolução é uma força que visa estabelecer a igualdade completa no modo de sentir, querer e pensar. Ora, ela (a Revolução) utiliza de meios para alcançar essa meta. Uma delas é a moda. Hoje a moda é consumir só que de modo igual. Então, o consumismo só consome coisas iguais: a mesma bolsa, o mesmo caramelo, a mesma batata chips, blackberry então nem se fala. E o pior é que ela tem um viés de igualar o homem aos animais.

  2. Amigos, assimilei a mensagem desejada.
    Não sei se pretendiam noteá-lo pelo lado consumista e/ou imposição da moda ao utilizarem em várias oportunidades o termo igualitario?

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